Pequena África – parte importante da nossa história em poucos quarteirões

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Objetos de herança da cultura africana são encontrados em boa parte das lojas do Rio | Foto: Douglas Lopes

Maré de Notícias #94 – Novembro de 2018

Cais do Valongo, Pedra do Sal e Cemitério dos Pretos são alguns dos locais fundamentais para entender a história e a importância dos africanos na formação do povo carioca – e brasileiro

Por: Eliane Salles e Maria Morganti

Cinco da manhã do dia 20 de novembro é hora dos integrantes do grupo Afoxé Filhos de Gandhi lavarem o busto de Zumbi dos Palmares, no Centro. É assim há 29 anos. Em seguida, é feita a reverência à Escola Tia Ciata e, por último, a lavagem da Pedra do Sal, na Zona Portuária. Esse é um dos rituais que fazem parte do legado africano na cidade do Rio de Janeiro (e de todo o Brasil), que inclui comidas, estilos musicais, danças, festas e muito mais. Para celebrar o Dia da Consciência Negra (20 de novembro) e ressaltar a gigantesca contribuição dos negros na formação do povo brasileiro, o Maré de Notícias abordará, brevemente, a história e a importância de três espaços emblemáticos para entender a cultura, a história e a importância dos africanos na formação da nossa cultura e do nosso povo. Os espaços fazem parte do que foi denominado Pequena África, uma região que se estende do Bairro da Saúde à Praça Onze, que abrigou em momentos e por motivos diferentes, povos africanos e seus descentes e que se constitui – por si só – em um importante marco para o entendimento da história, cultura e costumes cariocas. Vamos a alguns desses marcos históricos:

 

Cais do Valongo

Em 2016, o Cais do Valongo foi apresentado como candidato à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para receber o título de Patrimônio da Humanidade. Em 2017, veio o reconhecimento: a Unesco elevou o sítio arqueológico à Patrimônio da Humanidade. “Foi reconhecido, mas para que seja de fato considerado como Patrimônio da Humanidade, o espaço precisa de uma série de investimentos, principalmente do Governo federal e municipal”, explica Ivanir do Santos, doutor em História Comparada pela UFRJ e também professor da Universidade.

O lugar, que fica na Zona Portuária, foi reconhecido por ser um importante espaço de memória do tráfico de escravos do Oceano Atlântico e símbolo da resistência cultural e política da população negra. De acordo com o livro “Roteiro da Herança Africana no Rio de Janeiro” (Editora Leya/Casa da Palavra), “em nenhuma outra parte do mundo aportaram tantos navios com cativos trazidos da África durante os mais de três séculos das rotas transoceânicas do comércio escravagista como no Rio de Janeiro e o Cais do Valongo, desde o final do século XVIII, era o lugar oficial de desembarque”.

Endereço: O Cais do Valongo fica na Gamboa e corresponde à área da Praça Jornal do Comércio e está delimitado pela Avenida Barão de Tefé, a Rua Sacadura Cabral e pelo limite lateral do Hospital dos Servidores do Estado, no nº 178, na Rua Sacadura Cabral.

 

Cemitério dos Pretos Novos

Também conhecido como Memorial dos Pretos Novos, localiza-se sobre o local onde funcionou, entre 1769 e 1830, o cemitério de escravos – por sinal, o maior das Américas. O sítio arqueológico foi descoberto em 1996, quando os proprietários do antigo casarão, que hoje abriga o Memorial, faziam uma reforma. Após pesquisas arqueológicas, descobriu-se que naquele local eram enterrados os pretos novos, escravos recém-chegados da África, que não aguentavam os maus-tratos da viagem. Estima-se que tenham sido enterrados de 20 a 30 mil pessoas, embora nos registros oficiais esses números sejam menores, 6.122 entre 1824 e 1830. Seus corpos foram jogados em valas, que também serviam como depósito de lixo, e queimados. A visita é uma aula de História.

Endereço: Rua Pedro Ernesto, 34, Gamboa.

Funcionamento: De terça a sexta, das 13h às 18h. Para visitar aos sábados, domingos e feriados, é preciso agendar pelo telefone (21) 2516-7089.

Pedra do Sal

A Pedra do Sal, também na Zona Portuária, é considerada um dos maiores marcos culturais da africanidade brasileira. Segundo os historiadores, o local tem esse nome por causa do carregamento do produto pelas redondezas. É reduto de samba, de rituais e, para os apreciadores, local de tomar uma cerveja gelada no Carnaval, após os Blocos que acontecem no entorno.

Endereço: Rua Argemiro Bulcão, s/nº – Saúde.