Juventude artística periférica reunida em prol da comunidade

Projeto “Beyond Exchange” reúne 40 jovens de subúrbios e periferias do Grande Rio, para pensar no valor da cultura em seus territórios e aplicar melhorias a partir disto

Flávia Veloso

Como iniciativas desenvolvidas por jovens de periferias e subúrbios podem gerar impactos socioeconômicos nas comunidades onde atuam? Este é o questionamento que o projeto “Beyond Exchange” (“além da troca”, em livre tradução para o português) pretende provocar, ao selecionar 40 jovens que desenvolvem projetos artísticos em diferentes lugares do Rio de Janeiro para trocar experiências e saberes e aplicar pesquisas. Da Maré, há jovens da Redes da Maré, Luta pela Paz, Observatório de Favelas e demais ONGs. 

O “Beyond Exchange” é fruto de uma parceria entre Redes da Maré, People’s Palace Projects, Queen Mary University of London, Agência Redes para Juventude e Núcleo de Estudos em Economia Criativa e da Cultura (NECCULT).

Impactos sociais e econômicos

Os 40 jovens – que vêm de favelas e bairros da Região Metropolitana do Rio – foram selecionados por meio de processo seletivo, e irão se reunir durante o segundo semestre de 2019 para atividades culturais e conversas. Eles se dividiram em grupos no primeiro encontro que fizeram, na Região Serrana do Rio, e o foco é que cada grupo crie um questionário para aplicar nos projetos de seus respectivos integrantes com o auxílio de um mentor, chamado de facilitador, para que sejam analisados os impactos sociais e econômicos causados por essas iniciativas nas vidas de quem nelas comparecem.

“Você se sente seguro no projeto que te acolhe?” “Você sente que melhorou sua comunicação e confiança depois de entrar no projeto?” “Você já deixou de comparecer ao projeto por motivo de violência no território?” Estas são algumas perguntas já propostas para os questionários. O cruzamento das respostas pretende traçar valores para a cultura além do econômico.

Resiliência e conhecimento do território

A artista plástica e parceira da Redes Daniela Name é uma dos facilitadores ( ela brinca, dizendo que é complicadora, por querer provocar questionamentos nos jovens) e uma dos coordenadores do “Beyond”, e conta como tem sido trabalhar com os 40 selecionados. “Eles possuem habilidades artísticas diversas; há curadores, produtores culturais, artistas, mas todos têm a seguinte característica em comum: resiliência. Mediante a um contratempo, não desistem. Com muito pouco, realizam muito e impactam de maneira muito forte as comunidades onde atuam, pois conhecem profundamente as pessoas que participam de seus projetos. Eles conseguem reverter os problemas de forma criativa, às vezes com dificuldade, mas com grande perícia.”

Matheus Affonso é morador da Maré, ativista LGBT, ator, fotógrafo, designer gráfico e produtor cultural. Ele faz parte do “Beyond Exchange” para aplicar a experiência em três dos seus projetos: Espaço Tijolinho, FAVELAMONA e Projeto Eeer. Para Matheus, tem sido um aprendizado único trocar saberes com outros jovens de periferias e acrescenta: “Acredito que, pensando e pautando projetos voltados para a população LGBT favelada, a aplicação das pesquisas vai contribuir muito a entender meus projetos e como eu venho atuando dentro da Maré.”

Carlos Marra é produtor cultural, arte-educador, entusiasta da Comunicação, cria da Maré e também está participando do “Beyond”. Ele explica como este projeto vai contribuir para o trabalho que faz na Lona Cultural Municipal Herbert Vianna: “Acredito que a vivência e troca com outras pessoas que estão pensando melhorias e qualidade de vida através da arte, educação e cultura vêm enriquecendo cada vez mais a forma como eu tenho me comportado diante das necessidades e práticas do trabalho do dia a dia.”

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