A segunda-feira que ainda não acabou na Maré

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Policiais do BOPE durante Operação na Favela Nova Holanda, na segunda-feira 10.06.2019. Foto © Douglas Lopes

Conjunto de favelas sofre os efeitos de uma operação marcada por mais de 24 horas de confrontos armados espaçados, o medo do silêncio e relatos de muitas violações de direitos.

Ação da PM passa de 24 horas nas favelas Parque União, Rubens Vaz, Nova Holanda e Parque Maré. Os moradores dessa região começaram a semana impactados pela forte presença armada de policiais do Comando de Operações Especiais da Polícia Militar (COE), do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque (BPChq) e por intensos confrontos em decorrência dessa ação. E mais: depois de um dia longo, com uma série de relatos de violações de direitos, a noite seguiu com a mesma dinâmica.

No início da noite desta segunda, após o aparente fim da operação que já acontecia há cerca de 13 horas seguidas, a equipe do Eixo de Segurança Pública da Redes da Maré recebeu a denúncia de que policiais mantinham uma família em cárcere privado em um prédio na Nova Holanda. De imediato, a equipe se deslocou para o local para mediação com policiais e acolhimento das pessoas.

Após a liberação da família, em contato com órgãos do sistema de justiça, a equipe recebeu a informação do comandante Maurílio Nunes da Conceição, do Bope, que todos os homens que participaram da ação já haviam retornado ao batalhão. Porém, os moradores continuaram afirmando que policiais permaneciam escondidos na região de Nova Holanda. Moradores e profissionais da Redes da Maré caminharam pela região tentando algum tipo de mediação com os policiais, mas não obtiveram sucesso.

Por volta de meia noite e meia, um caveirão entrou pela favela Rubens Vaz e, com isso, mais confrontos armados aconteceram no território. Moradores do Parque União, das regiões conhecidas como “Sem Terra” e “Cão Feroz” relataram a invasão de muitos domicílios durante toda a noite. Houve denúncias de muitas violações de direitos pelas redes sociais e pelo WhatsApp do Maré de Direitos, em diversos pontos da Maré. Diversas casas foram invadidas; mulheres mais uma vez, revistadas e assediadas; além do grande prejuízo material, com danos ao patrimônio e subtração de pertences. Depois de um dia, o que se teve foi uma noite de pânico e desinformação para os moradores.

Mais um dia de direitos negados aos moradores

Até o fechamento desta matéria não havia confirmação sobre o encerramento da ação. Nesta terça, é negado mais um dia de acesso à educação e a serviços de saúde na Maré. A Clínica da Família Jeremias Moraes da Silva está fechada e as Clínicas da Família Diniz Batista, Abid Jatene e Augusto Boal estão funcionando em alerta amarelo. As aulas nas nove escolas e duas creches localizadas na região se mantiveram hoje, porém o relato dos moradores é que o medo impede que muitas crianças e jovens acessem as aulas.

Em nota, a Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia informou que, na segunda-feira (10 de junho), equipes do COE, do Bope, do BPChq, do Batalhão de Ações com Cães (BAC) e do Grupamento Aeromóvel (GAM) realizaram a operação e apreenderam 24 carros, seis patinetes elétricos, três rádios transmissores, dois coletes balísticos, uma granada, 200 pinos de cocaína e 50 tabletes de maconha. Sobre a ação da madrugada, a assessoria informa que, na manhã desta terça-feira (11 de junho), policiais militares do BPChq iniciaram uma operação policial na região e, até o momento, não há registro de presos ou apreensões. Moradores da favela Parque União relataram que logo pela manhã não havia mais a presença de policiais no território.

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