Um mosquito no meio do caminho

Heróis contra a Dengue: programa atua nas escolas conscientizando crianças | Foto: Douglas Lopes

Aedes aegypti amedronta e traz de novo o perigo da Chikungunya

Maré de Notícias #96 – janeiro de 2019

Por: Hélio Euclides

De um lado do ringue, um morador da Maré, com 1,70cm de altura, 65 quilos. Do outro, um mosquito chamado de Aedes aegypti, com média de 0,5 centímetro. Isso parece uma piada, mas o mosquito, algumas vezes, vence essa luta e derruba o oponente. A picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada transmite as arboviroses, que são a Dengue, Zika, Chikungunya e a Febre Amarela. São condições favoráveis para a propagação dos arbovírus: elevadas temperaturas e índices de chuva, ou seja, o verão. Este ano, a doença que mais assusta é a Chikungunya.

Recentemente, o Maré de Notícias, na Edição 89, de junho de 2018, abordou o tema Chikungunya. Com o número elevado de casos, é importante tocar mais uma vez no assunto. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, o Estado do Rio de Janeiro já conta com 37 mil casos de Chikungunya registrados até outubro do ano passado – o que caracteriza uma epidemia. Na Maré, já foram registrados 163 casos. O pico ocorreu em abril, quando 49 pessoas tiveram a doença. O número ainda pode ser maior devido a pessoas que, erroneamente, não procuram as Unidades de Saúde.

Uma dessas pessoas que contraiu Chikungunya foi Luiza de Alcântara Barbosa, moradora da Nova Holanda. “Tive a doença em março junto com meu pai, que tem 61 anos. Aqui, na Maré, foi uma epidemia. Senti dores nas articulações, febre e manchas que coçavam muito. Depois vieram as dores nos pés, que não me deixavam ir ao banheiro sozinha. Até para chegar à Clínica da Família, íamos nos arrastando. Essa dor durou oito meses. Mas meu pai sente até hoje. Acredito que nos idosos a recuperação é mais lenta”, avalia. Para ela, a população precisa acabar com água parada e trabalhar a prevenção. “Além disso, o repelente não pode ser esquecido, com destaque para crianças e grávidas. Também acho que falta informação até para profissionais de saúde”, acrescenta.

A palavra-chave é ‘prevenção’. “Evitar água parada. Um simples vaso sanitário descoberto, não usado por um período, pode ser local de foco. Outros principais pontos são lixo, ralo do banheiro, pneus, garrafas e caixas d´água”, indica Álvaro dos Santos Silva, enfermeiro da Clínica da Família Jeremias Moraes da Silva, na Nova Holanda. “A população deve fazer o dever de casa, que é eliminar os criadouros do mosquito”. A sua colega Norma Rezende, enfermeira da Clínica da Família Adib Jatene, na Vila do Pinheiro, recomenda observar o paciente. “Os sintomas são febre, cefaleia (dor de cabeça), dor no corpo, em especial nas articulações e podem ter pintinhas pela pele. O ideal é o doente beber bastante líquido”, destaca. Ela lembra que, ao aparecer os sintomas, a pessoa deve procurar uma Unidade de Saúde mais próxima de casa, para exame e tratamento.

Saiba mais sobre a Chikungunya

A doença é uma arbovirose causada pelo vírus Chikungunya. O período de incubação é, em média, de 3 a 7 dias e a presença do vírus no sangue persiste por até 10 dias, após o surgimento das manifestações clínicas. A fase inicial da doença é caracterizada, principalmente, por febre de início súbito e surgimento de intensa dor articular. Os sintomas costumam persistir por 7 a 10 dias, porém a dor nas articulações pode durar meses ou anos e, em certos casos, transformar-se em uma dor crônica incapacitante para algumas pessoas.

“É doloroso, tinha noite em que eu achava que eu não iria amanhecer. Na época, fiquei com imunidade baixa e fraca. Para ir ao médico, só de carro. E não conseguia sair sozinha, não tinha forças. Dois anos depois, ainda sinto dor no tornozelo. Conheço gente que ficou com sequela nas mãos”, enfatiza Maria Avelina da Cruz, de 82 anos, moradora da Baixa do Sapateiro.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que vem intensificando o combate ao Aedes aegypti e que a população pode denunciar possíveis focos por meio da Central de Atendimento da Prefeitura do Rio, no número 1746. Na Maré, os agentes comunitários de saúde auxiliam na orientação dos moradores sobre como evitar o surgimento de focos do vetor.

Dona Maria Avelina: dores persistem mesmo após dois anos de ter tido a doença | Foto: Douglas Lopes

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