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‘Com que máscara eu vou?’: saiba quais são as máscaras recomendadas para proteção contra covid-19 no Brasil

Alexandre Schneider/Getty Images

Alexandre Schneider/Getty Images

N95 e PFF2 são as mais indicadas contra novas variantes presentes no país

Por Andressa Cabral Botelho, em 23/03/2021 às 08h

Editado por Edu Carvalho

Há quase um ano, a máscara se tornou item indispensável no cotidiano da população da cidade do Rio, principalmente a partir do Decreto nº 47.375, que determina o uso obrigatório de máscaras em espaços públicos durante a pandemia do novo coronavírus. Assim, os cariocas – e com o passar do tempo todos os moradores do estado do Rio e do Brasil – passaram a usá-las em espaços públicos e privados, tais como transportes coletivos, carros particulares e espaços de convivência relativa de um modo geral. Mas se a orientação dada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) era adotar o uso da máscara de pano como medida de controle, hoje, com novas variantes do vírus, a recomendação também precisou mudar.

Com o avanço da doença e as novas variantes da covid-19, as máscaras de pano, majoritariamente utilizadas no Brasil, não representam segurança total, tendo em vista o surgimento de novas variantes, já presentes em 11 estados brasileiros. Fica a questão: qual é a melhor máscara para se utilizar neste momento? “A máscara é primordial, um item indispensável. Algumas pessoas discutem que algumas máscaras não são protetivas… Eu já digo ‘Toda máscara é protetiva, mas ela precisa ser bem utilizada’, que é o que não fizemos nesse tempo”, destacou para o podcast 15 minutos, da Gazeta do Povo, Melissa Markoski, mestre e doutora em Biologia Celular e Molecular e professora de Biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

A doutora destaca que, para muitos, o uso da máscara está mais ligado a um senso de obrigatoriedade do que de proteção, que na prática é visto no desleixo no uso da máscara. “A gente precisa entender que o ar tem que passar, preferencialmente, pela frente da máscara, que é a nossa barreira unidade filtrante. Quando a gente tem alguma folga, como deixar a máscara na ponta do nariz, nariz de fora, máscara no queixo, a gente faz essa troca de ar que não é interessante porque o ar externo entra no nosso corpo trazendo as partículas virais”, observou.

O uso correto da máscara é fundamental, mas quanto mais potente ela for, mais proteção a população que a usa vai ter. Além disso, o uso desse equipamento torna-se ainda mais eficaz quando há também a higienização e se consegue fazer o distanciamento, para evitar a contaminação das máscaras, independente dela ser caseira ou profissional. De acordo com o estudo Social Distancing, Mask Use and the Transmission of SARS-CoV-2: A Population-Based Case-Control Study, desenvolvido por pesquisadores da UFRGS, UFPel, UFSCPA e Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre (SMS) em dezembro de 2020, comprovou que o uso de máscara reduz em 87% o risco de contaminação pela covid-19. E aqueles que aderem ao distanciamento social de forma moderada a intensa tem de 59% a 75% menos chance de contrair o vírus.

Já a pesquisa Máscaras de tecido para a prevenção da COVID-19 e outras infecções respiratórias, publicada na Revista Latino-americana de Enfermagem, que trata especificamente sobre o uso de máscaras de tecido, a eficácia está relacionada diretamente ao material utilizado, número de camadas de tecido e a quantidade de lavagens. Por mais que sejam reutilizáveis, essas máscaras precisam ser descartadas em algum momento pelo desgaste do tecido, tendo em vista que com as lavagens tende a aumentar os poros do material e reduzir as suas microfibras. De acordo com os pesquisadores, o ideal é que a cada quatro lavagens elas sejam substituídas. Em nota emitida em abril sobre o uso das máscaras caseiras, o Ministério da Saúde não informava um prazo específico, mas recomendava que o descarte do equipamento deveria ser feito ao verificar sinais de desgaste. 

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Quais as recomendações?

Se usada corretamente, a máscara de pano funciona como uma barreira e é, sim, eficiente em conter o vírus, mas quanto melhor e mais eficiente for o material, mais proteção ela irá proporcionar. Com o surgimento de novas variantes e o agravamento da pandemia, resultando em mais pessoas adoecidas e necessitando de leitos de UTIs, surge a necessidade de se utilizar máscaras que tem uma eficiência filtrante maior que as máscaras caseiras.

A peça facial filtrante (PFF2), também chamada de respirador, é um equipamento de proteção individual (EPI) que já é utilizado por profissionais da área de saúde e são certificadas pelo InMetro, que realiza controle de qualidade de uso, garantindo a sua eficiência tanto para esses profissionais quanto para a população. No mercado também é possível encontrar a N95 e a KN95, o que pode gerar uma confusão. As três têm, basicamente, as mesmas propriedades, como ter cerca de 94, 95% de eficiência de filtração, várias camadas de tecido e alta camada filtrante. A diferença dos nomes se dá devido à nomenclatura dada pelos órgãos reguladores de cada país: a N95 é americana, a KN95 é chinesa e a PFF2 é brasileira.

Mesmo sabendo que a máscara PFF2/N95/KN95 é mais segura, o preço pesa na hora da escolha. Pensando nessa questão, os profissionais da área de saúde têm recomendado para aqueles que desejarem usar os respiradores e que não têm contato direto com o vírus, o uso expandido da máscara. Desta forma, a máscara, que é descartável, pode ser utilizada outras vezes, desde que o equipamento seja ventilado por, pelo menos, 24h, para que elas possam ser utilizadas mais vezes. Além disso, não deve lavar ou limpar o respirador com álcool 70. Assim, essa máscara pode ser utilizada por até sete vezes.

É possível encontrar essas máscaras em lojas de itens hospitalares, produtos odontológicos e farmácias, mas a alta demanda pode fazer com que esse produto suma das prateleiras ou esteja acima do preço (custa entre R$2 e R$12). Uma alternativa é a máscara cirúrgica, que embora não tão eficiente quanto a PFF2, atua melhor na filtração que a máscara de pano, tem um preço mais em conta e pode ser utilizada em combinação com uma de tecido. “Utilizar duas máscaras pode ajudar a aumentar a eficiência de filtração – já existem estudos apontando isso –, mas é importante que as pessoas tenham consciência de que a máscara precisa estar bem ajustada. Não adianta colocar duas, três camadas de máscara se o ar estiver vazando por alguma lateral”, conclui Melissa. 

Um estudo publicado pela revista acadêmica Physics of Fluids, do Instituto Americano de Física, concluiu que as máscaras de válvula e as face shields não impedem que os seus usuários tenham contato com as gotículas que podem conter o vírus. As face shields, protetores faciais de plástico ou acrílico, protegem olhos e rosto, mas não agem na filtração das gotículas que podem entrar pelas laterais ou parte de baixo da máscara. O seu uso se torna eficaz quando combinado com outra máscara que cubra nariz e boca.

Indicação na página Qual É A Máscara sobre o uso correto das faceshields. Foto: Instagram

Pensando nisso, surgiram projetos que explicam sobre o uso correto das máscaras, assim como onde encontrá-las a preços acessíveis. O PFF Para Todos fez um mapeamento de lojas e sites que vendem máscaras PFF2, incluindo marcas recomendadas e valores. Um outro projeto que surgiu nesse momento é o Qual máscara?, que utilizando informações científicas tira dúvidas sobre quais os melhores respiradores e máscaras a serem utilizados neste momento e quais opções devem ser descartadas por não oferecerem segurança.

Corrida das máscaras

Em abril de 2020, o uso da máscara por toda a população ainda era um debate realizado pela OMS. A princípio, a organização recomendava o uso apenas para profissionais da área de saúde ou pessoas que tinham contato direto com alguém infectado. Entretanto, diante do medo do desconhecido, no início do ano começou uma corrida pela compra de máscaras cirúrgicas em todo o mundo, assim como aconteceu com o álcool gel, fazendo com que, em março passado, a caixa de máscara cirúrgica tivesse um aumento abusivo no seu preço. Se em janeiro, uma caixa com 50 unidades custava R$4,50, dois meses depois o produto já custava R$35 e na segunda quinzena de março o preço saltou para R$140.

Após aumento expressivo dos casos em todo o mundo ainda em abril, a OMS autorizou o uso de máscaras para toda a população. No Brasil, leis e decretos passaram a determinar o uso obrigatório das máscaras em espaços de convivência coletiva, e assim as máscaras de tecido passaram a ser adotadas.

Legislação sobre o uso obrigatório da máscara:

Decreto nº 47.375, de 18 de abril de 2020: decreto municipal

Lei nº 8.859, de 03 de junho de 2020: lei estadual

Lei nº 14.019, 02 de julho de 2020: lei federal


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