Morar e circular pela cidade ainda é desafiador, alertam palestrantes

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Espaço de discussão propõe um modelo de urbanização com mais empatia com as necessidades de minorias

Em 18/11/2018 – Por Amanda Soares

Para determinados grupos de pessoas, morar dignamente e circular livremente em grandes centros urbanos é desafiador. Para discutir o tema, ativistas do Brasil, Índia e Paquistão participaram da roda de conversa sobre “Moradia e mobilidade plenas na cidade plural” no Museu de Arte do Rio (MAR). Elas apresentaram as iniciativas implementadas em seus países e propostas para um planejamento urbano pensado nas necessidades das mulheres.

A diretora da ONG Unas, Mércia Ribeiro, trouxe para o espaço relatos do trabalho na conquista de políticas públicas. “Criamos um movimento, o ‘Cidade segura para mulheres’, e acendemos velas debaixo de cada poste que não funcionava na comunidade. A prefeitura agiu, consertando os postes defeituosos”. Heliópolis é uma das primeiras favelas da América Latina a receber lâmpadas de led, que são mais econômicas e duráveis.

Outra participante foi Juliana Vitorino, estudante de pedagogia e moradora do Alto José Bonifácio, bairro pobre de Recife. “Há mais de 40 prédios ociosos na cidade – cujos donos devem ao governo IPTU, luz e água -, e várias famílias morando debaixo de lona. Há duas ocupações do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MTST) na cidade atualmente, onde vivem milhares de famílias”, diz a ativista.

A paquistanesa Tanzila Khan criticou a forma como as cidades são constituídas. A criadora da ONG paquistanesa Creative Alley apoia que os planos-diretores pensem em todas os tipos de necessidades: “Não penso apenas em mim, como cadeirante, mas nas mães com bebês de colo, grávidas, pessoas com necessidades especiais, idosos”. Seu trabalho busca incentivar a empatia nas pessoas. “Nosso movimento questionava: quando você tiver 80 anos vai ficar trancado em casa?”.

Na perspectiva da indiana Kalpana Viswanath, o modelo urbano atual é incompatível com as necessidades de quem circula pelas cidades atualmente. “Percebo que tudo é construído para os homens. Talvez já tenha sido válido um dia, mas não mais.” Ela trouxe exemplos de soluções viáveis para tornar o meio urbano mais seguro para mulheres. “Por exemplo, se os pontos de ônibus tiverem quiosques fixos para vendedores, eles nunca estarão vazios.” A criadora do aplicativo SafetPin citou, ainda, um recurso já implementado nos metrôs brasileiros: o vagão feminino. Mas afirma que esta não é a solução. “Isso estimula o estigma de que mulheres devem permanecer em seus lugares”.