2º Encontro Saneamento da Maré

Foto © Douglas Lopes

Redes da Maré, Data-Labe e Casa Fluminense promovem 2º Encontro Saneamento da Maré, na Vila dos Pinheiros, com representantes de instituições e moradores

Hélio Euclides

O segundo evento sobre saneamento aconteceu no novo espaço da Redes da Maré, na Vila dos Pinheiros, e reuniu representantes de várias instituições que atuam no território e moradores. O encontro foi aberto na manhã de 07 de dezembro com uma mesa sobre o futuro das políticas públicas de urbanização e saneamento na Maré, que teve a participação de Joelma de Sousa, assistente social da Redes da Maré; Caio Meirelles, técnico do Instituto Pereira Passos e Vitor Mihessen, coordenador da Casa Fluminense.  

Em 13 de abril deste ano, no primeiro encontro sobre o tema, foi feita uma carta sobre as demandas da população, que foi usada como guia para o debate nesta segunda etapa. “É um desafio às questões ambientais na favela. Discutir com pessoas que atuam e estão interessadas na melhoria é valioso, algo que ajuda no planejamento para intervenções”, avalia Julia Rossi, bióloga e coordenadora do projeto Maré Verde. Moradores também participaram ativamente do debate.  Um desses foi Douglas Thimóteo, morador do Conjunto Esperança, que participou esse ano de mutirão para plantio de mudas na Maré. “Sempre é bom discutir saneamento, numa Maré que não para de crescer, onde os serviços públicos não acompanham esse crescimento, que traz lixo para as ruas e o surgimento de alagamentos”, comentou.

A assistente social Joelma de Sousa fez um raio-x dos desafios a serem superados para 2020. “Há pendências na implantação de políticas públicas, não empenho dos profissionais que atuam na Maré, mas por falta de logística e material. É preciso entender que a falta de saúde, educação, saneamento básico e segurança pública deixam  o indivíduo doente”, comentou. Para Caio Meirelles, técnico do Instituto Pereira Passos o debate é um dos passos para a mudança. “Há necessidade de discutir o racismo ambiental, o que é o saneamento básico para cada pessoa e como é tratado o esgotamento sanitário. Muito importante se criar um plano de saneamento para as favelas. É necessário que seja visível o conjunto de especificidades das favelas. Outro ponto. É fundamental saber das demandas, discutir formas da melhoria do território para enriquecer a vida da população”, explica.

O coordenador da Casa Fluminense Vitor Mihessen, frisou a importância da mobilização. “A implementação das políticas públicas necessárias só serão possíveis por meio da construção coletiva. Não se pode só esperar, é fundamental se organizar para discutir. O debate faz avançar e ampliar as ideias. Dessa forma, vamos mais fundo no diagnóstico do território, como no tema da desigualdade, do saneamento, do racismo ambiental e indicadores da violência”, diz. Como 2020 é ano de eleição, Vitor sugere apresentar uma agenda de políticas públicas, com um documento robusto.

Na segunda parte do evento os cerca de 40 participantes foram divididos em grupos para a criação de uma agenda de ações e iniciativas para serem implementadas ao longo de 2020. “Acho que devemos trazer cada vez mais pautas sobre os problemas, para envolver a população, e menos deixar só na mão dos políticos. É preciso entender melhor as necessidades específicas de implementação das política públicas”, concluiu Gilberto Vieira, coordenador do Data Labe.

Fotos: Hélio Euclides

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