Putz, pisei…. Um cão passou por aqui

Maré de Notícias #90 – 03 de julho de 2018

Cuidado com as armadilhas nas ruas e calçadas da Maré

Hélio Euclides

“Os usuários dos parques, praças e logradouros públicos que frequentarem estes locais com animais de estimação são responsáveis pela limpeza, remoção e destino adequado das fezes geradas por seus animais”. Esse é o artigo 1.º da Lei n.º 4.893, de 10/09/2008. Mas quem anda pela Maré sabe que essa Lei não funciona por aqui, pois caminha como se estivesse numa pista de obstáculos, tendo de driblar os dejetos dos animais. A Subsecretaria de Bem-Estar Animal (SUBEM) orienta que os donos de animais providenciem a limpeza imediata e assumam sua responsabilidade.

Pisar em cocô de cachorro é, sem dúvida alguma, extremamente desagradável. Mas segundo a crença popular, quando se pisa em fezes de um canino sem querer, é sinal de sorte, sinal de dinheiro. Valdecio Pereira, o Delcio, funcionário de um pet shop na Vila do João, discorda dessa superstição. “O pessoal sai para trabalhar arrumadinho, ou para levar a criança à escola, e pisa no cocô do cão do vizinho. Tem de ter conscientização e incentivar a cultura de sair com uma sacola para pegar as fezes, assim outros vão copiar e essa ação vai se espalhar”.

Para Maria Catharine, estudante de Ciências Biológicas e moradora da Maré, além de desagradável, as fezes dos animais podem transmitir doenças. “É preciso se conscientizar de que não é certo deixar as fezes nas ruas, pois contaminam os seres humanos. Um dos parasitas eliminados nas fezes de cães e gatos é a larva migrans cutânea, também conhecida como “bicho geográfico”, que provoca irritação e muita coceira no local da lesão”, alerta.

Um trabalho de formiguinha

Alguns moradores da Maré já saem de casa com seus saquinhos, é o caso de Maria José Galdiano, que cuida de duas cachorrinhas, Ariel e Laila. “Acho nojento não cuidar das ruas. As pessoas passam e pisam nas fezes. Eu limpo, para não deixar nas portas das casas dos outros. Comecei esse hábito vendo pela televisão que os donos dos animais pegavam as fezes com um saco, e aderi a esse jeito. Acredito que só faço a minha parte”.

Para alguns, a justificativa para que calçadas fiquem poluídas é o abandono. Eunice Cunha, presidente da Associação de Moradores do Conjunto Pinheiro, faz o contrário, cuida de 20 gatos e quatro cachorros que foram encontrados nas ruas: “na maioria das vezes os animais são abandonados após serem maltratados. Aqui dou carinho, o que ajuda no comportamento do animal, que até melhora das doenças. Alguns desses animais foram salvos, pois iriam morrer na rua”.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, existem mais de 30 milhões de animais abandonados no Brasil. Maria Catharine acredita que a sociedade precisa enxergar o animal como um amigo, pois “o abandono dos animais tem acontecido frequentemente, acho desumano pegar um animal para criar e depois soltá-lo na rua. Esse ato acaba trazendo risco não só para o animal, que pode contrair alguma doença, ao comer lixos que contenham venenos. Mas há o risco também para nós, pois o animal se tiver o vírus da raiva, pode passar para o ser humano”.

Uma secretaria para cuidar dos animais

A SUBEM tem um abrigo na Fazenda Modelo, com cerca de 900 animais entre cães, gatos e cavalos. No abrigo não há mais espaço para receber novos animais e, além disso, também não é considerado o lugar ideal para um animal passar a vida toda. Por isso, há campanhas de adoção, que acontecem semanalmente. Mais informações no site da secretaria: <http://www.rio.rj.gov.br/web/subem>.

A SUBEM realiza a castração de cães e gatos gratuitamente, em 10 postos. Para agendar a castração, o cidadão precisa acessar o site da Secretaria, cadastrar o animal e marcar a cirurgia. O agendamento tem início sempre no dia 1º de cada mês, a partir das 8 horas. Posto Bonsucesso: Avenida Brasil, nº 6475, esquina com a Rua Teixeira Ribeiro – Passarela 9 – pista sentido Centro.

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