A jovem batalhadora

0
339
Antônia, ex-aluna do pré-vestibular Redes da Maré. Foto © Douglas Lopes

CPV da Redes levou para a jovem Antônia mais que informações; acrescentou percepções sobre cidadania e direitos dos favelados

Flávia Veloso

Nascida do Maranhão e moradora do Complexo da Maré, Antônia Natrício, de 18 anos, saiu do Curso Pré-Vestibular (CPV) da Redes da Maré com o pé direito: depois de prestar os vestibulares do ano passado, passou para Pedagogia na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e Nutrição, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UniRio), e foi esta que a jovem escolheu.

Sua primeira opção era Geografia, mas preferiu não tentar, já que precisa de conciliar emprego e estudos, e o horário do curso é integral. E essa não foi a primeira experiência da menina nos vestibulares. Após sair do Heitor Lira, colégio estadual em que estudou no Ensino Médio, foi aprovada em Educação Física, mas decidiu não cursar e viajou para o Piauí, estado em que mora a avó paterna e onde a maranhense morou por três anos.

A rotina frenética

A rotina de Antônia, atualmente, se inicia às 5h30 da manhã, quando acorda para trabalhar em uma lanchonete da Maré. Ao fim do expediente, a universitária segue para a faculdade, no campus da Urca ou do Centro, onde fica até as 22h. A única folga que tem do emprego é aos sábados, dia que também tem aula.

Quebrando tabus internos

A história com o CPV da Redes da Maré começou com a indicação de uma amiga. Saída de um colégio de formação de professores, Antônia não teve um ensino de Ciências da Natureza muito completo, questão que foi melhorada no preparatório. Além dos conhecimentos técnicos, a moça destaca como os professores do CPV a levaram a novas compreensões: “Além de os professores serem totalmente competentes, eles não estão só preocupados com a gente passar no vestibular, mas nos fazer entender que a universidade também é nossa, que é importante nós, moradores de favela, estarmos inseridos naquele local”.

“Alguns preconceitos, depois eu entendi, eram coisas que estavam só na minha cabeça, e muitas vezes outras pessoas colocavam”, acrescentou Antônia sobre as questões sociais que o Pré-Vestibular ajudaram-na a perceber.


DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu comentário
Por favor, digite seu nome aqui