A Maré na Olimpíada de Robótica

Estudantes do Colégio Estadual João Borges têm de criar uma invenção robótica que ajude a resolver a questão da sustentabilidade nas cidades - Foto: Patrícia Vianna

Grupo de estudantes está nesta temporada do Torneio SESI de Robótica First Lego League

Maré de Notícias #108 – janeiro de 2020

Thaynara Santos

Um grupo de estudantes do Ensino Médio do Colégio Estadual Professor João Borges de Moraes, situado no Parque Maré, está se preparando para a primeira fase do Torneio SESI de Robótica First Lego League – Desafio City Shaper. A preparação é feita por meio de oficinas que ensinam os diversos usos da tecnologia e das linguagens de programação. O desafio desta edição é a City Shaper: pensar na cidade e descobrir um problema referente à sustentabilidade e à cidadania que possa ser resolvido ou amenizado por uma invenção robótica criada pelo grupo. O objetivo do torneio é aproximar os jovens da robótica ensinando valores humanos de cooperação.

A oportunidade para o grupo de estudantes mareenses surgiu por meio da coordenadora de Robótica do SESI, um dos apoiadores da Redes da Maré – organização que atua há 22 anos na Maré e mantém parcerias com o Colégio João Borges.  O técnico da equipe, Lucas Dominique e a coordenadora pedagógica Inês Di Mare explicam que as oficinas acontecem há dois meses, nas terças e sextas, após o horário escolar.  Como a primeira etapa da competição será em fevereiro, a turma seguirá na preparação no mês de janeiro. “Fomos convidados para participar dessa luta de robô, a FLL, que na verdade é muito além de uma luta de robôs, são desafios, para pensar a vida, desenvolver a convivência entre os diversos saberes e talentos dos participantes, utilizando o equipamento robótico da LEGO. Nós somos a única equipe de favela. Todo o nosso equipamento foi doado por uma apoiadora de Brasília. Nós temos as dificuldades comuns no estudo da Matemática e da tecnologia, como trabalhar programação com os jovens, mas isso faz parte da preparação. Esse projeto é muito importante, porque proporciona o contato da robótica com estes estudantes e, de certo modo, estará presente no cotidiano profissional desta geração. É bem legal, os adolescentes estão empolgados”, explicam os educadores. Os dois destacam também que a equipe de coordenação, direção e professores da escola têm sido essenciais para o desenvolvimento do projeto no Colégio João Borges.

                Na Maré, as oficinas são uma iniciativa da Redes da Maré, em parceria com o Colégio Estadual João Borges de Moraes, e fortalecem a rede de parceiros das instituições do território, valorizando a favela e seus moradores.

Torneio de Robótica FIRST LEGO League

Os jovens, liderados por dois adultos, precisam buscar soluções para problemas do dia a dia da sociedade moderna. Seguindo regras feitas especificamente para cada temporada, eles constroem robôs baseados na tecnologia LEGO Mindstorm, que devem ser programados para cumprir uma série de missões.

O torneio é formado por quatro etapas: Projeto de Inovação, em que apresentam uma proposta de solução de problemas pensando a cidade; o Design de Robôs, quando são avaliados a estética e a praticidade;  o Desafio do Robô, que são competições entre os robôs que deverão ser capazes de navegar, capturar, transportar, ativar ou entregar objetos em um tapete específico; e, por fim, o Core Values, que é uma avaliação do processo de trabalho, levando em conta a autonomia, a cooperação e o relacionamento entre os participantes, um dos pontos mais valorizados da competição.

Se a equipe da Maré for selecionada para as etapas internacionais, poderá participar de competições em outros países. A etapa final acontece nos Estados Unidos em julho de 2020. Como dizem os atletas: se o importante é competir, o fundamental é cooperar! Vamos mostrar que a favela tem valor e vibrar nesta torcida!

Saiba mais em:

http://www.portaldaindustria.com.br/sesi/canais/torneio-de-robotica/first-lego-league-brasil/

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