Com 44 escolas, Maré ganha uma Subgerência Municipal de Educação

Hélio Euclides

A professora Fátima das Graças Lima Barros é coordenadora da 4ª Coordenadoria Regional de Educação e tem a incumbência de organizar uma Subgerência na Maré.  Tivemos uma conversa com ela.

Como surgiu a ideia de uma Subgerência na Maré?

No início do ano houve um grande conflito no limite ou divisa, como falam. Um diretor pediu socorro pelo WhatsApp. Eu era conselheira da Rede de Educação, e tínhamos uma reunião depois do carnaval, na Maré. Então com apoio da 30ª Região Administrativa (RA), enviamos fotos do que se passava, e o Secretário de Educação, Cesar Benjamin, antecipou a reunião. Nela foi formado um Grupo de Trabalho que reúne cinco diretores que pensaram ações, como a criação de uma Subgerência da CRE.

  1. Quem assumirá a Subgerência?

A diretora da Escola Escritor Lêdo Ivo, Marisa Matos, vai assumir. Ela conhece bem a Maré e vai acrescentar muito. Essa Subgerência vai possibilitar ações mais rápidas e um olhar mais próximo da Secretaria. Em agosto pretendemos inaugurar esse trabalho no prédio da Região Administrativa.

  1. Como a escola pensa segurança?

Um Decreto da antiga Secretária, Cláudia Costin, deu autonomia para o diretor suspender ou não as aulas. Hoje, os diretores entram num consenso, com o uso do WhatsApp. Depois a escola se programa como vai suprir a questão pedagógica; cada uma faz do seu jeito, há democracia. Um exemplo: a Escola Olimpíadas Rio 2016 fez uma plataforma digital, pensando em uma aluna com problemas de saúde. Depois se avançou para recuperar dias perdidos. A Secretaria está com parcerias para, no futuro, essa conectividade chegar a toda a Maré, na qual o aluno vai interagir por meio do celular. Uma pró-atividade que começou na Maré.

 

  1. O que farão contra o vandalismo?

Algumas escolas são arrombadas e se gasta muito com cadeados novos. O importante é mostrar ao morador que a escola é dele e todos precisam cuidar. Na quadra dos CIEPs Elis Regina e Samora Machel estamos em contato com a Região Administrativa, para se criar um novo local de lazer para a Maré. O objetivo é expor que é preciso ter regras para que todos possam usufruir de espaços públicos, com cuidado para não estragar nada.

  1. Existe algum projeto para a Praia de Ramos e Marcílio Dias?

Ainda existe um deficit, mas não é só construir, existe a responsabilidade com a estrutura. Na Praia de Ramos o que falta é a Educação Infantil para crianças com até dois anos de idade. Já na Kelson’s só tem a Escola Primária Cantor e Compositor Gonzaguinha, e o planejamento deverá ser maior. Boa parte das crianças e adolescentes precisa andar quatro quilômetros para estudar do outro lado da Avenida Brasil. A Kelson’s precisa entrar no mapa da Maré.

  1. Ainda há falta de professores na Maré?

Hoje, praticamente, não há carência. O concurso e a dupla regência supriram a falta que existia. O Secretário vai se reunir com o Prefeito para o retorno da dupla regência, o que depende de orçamento. Hoje (14/07), são seis vagas de professores, mas em meia hora esse número pode mudar. Ocorrem, diariamente, as licenças temporárias, especialmente após confrontos, quando profissionais ficam abalados e doentes. A mídia atrapalha, pois faz propaganda negativa da Maré, o que afasta o recém-contratado. Quando passa no concurso, o professor não deseja ir para a Maré, mas quem vai não deseja sair.

  1. No passado foi divulgada a migração como solução para falta de professores. Hoje não é mais utilizada essa opção?

A migração de professores que trabalham 16 e 22 horas para 40 horas foi suspensa, por motivo de orçamento. Mas estamos solucionando de outras formas.

  1. Qual a avaliação do turno único?

É a melhor coisa que pode acontecer. O aluno permanece sete horas na escola, onde aprende e o profissional ensina, ambos de uma forma calma. O professor tem mais tempo para planejar. Criança precisa estar na escola, com estrutura para ela aprender valores. Nessas horas, o aluno tem atividades como Educação Física, Artes, Língua Estrangeira e Educação Musical. Além do ensino curricular e atividades, a carga horária prevê alimentação. Em algumas escolas há o Programa Mais Educação, quando além das sete horas, é acrescida uma carga horária de uma ou três horas de jornada escolar.

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