Mulheres trocam experiências sobre alimentação e os “tipos” de fome

Você tem fome de que: consciência e saúde na alimentação. 📸 Karina Donaria / AMaréVê

Realizado no Museu de Arte do Rio (MAR), o diálogo discutiu a qualidade do que se come e a relação dos alimentos com o prazer e a empregabilidade

Em 16/11/18 – Por Amanda Soares

A jornalista e escritora Sônia Hirsch abriu a troca de experiências “Você tem fome de quê? Consciência e saúde na alimentação” afirmando sentir-se feliz por ver uma questão tão delicada sendo debatida em um Festival de Mulheres. A autora de “Sem açúcar com afeto” criticou os hábitos de consumo atuais. Para Sônia, o prazer de comer tem sido privilegiado em relação ao valor nutricional dos alimentos. “Comida virou entretenimento”.  A escritora defendeu que as pessoas precisam ser mais críticas quanto à origem do que comem.

Favela Orgânica

“Eu tenho fome de que as pessoas comam até o talo, literalmente”, provoca Regina Tchelly, criadora do Favela Orgânica, projeto que ensina moradores do morro da Babilônia a aproveitarem ao máximo os alimentos. Regina falou ainda sobre alimentação e qualidade de vida para além da substituição do industrial pelo orgânico. “De nada adianta mudar sua alimentação para 100% natural, se você não se conhece, não se entende e a mudança não te toca.”

Em sete anos de trabalho, Regina descobriu que todo o processo de produção do alimento – da lavoura até a mesa – impacta na saúde das pessoas. “Quando desenvolvi o Favela Orgânica, eu só queria acabar com as sobras. Eu não conhecia os agrotóxicos. Fui conhecer que alimentação saudável é muito mais do que imaginava.”

Outras fomes

“A minha fome é por justiça social, a justiça de Xangô, meu orixá”, diz Carmem Virgínia, proprietária e chef do restaurante Altar, em Recife (PE), que descreveu, muito emocionada, a relação dos candomblecistas com os alimentos. Na vida de Carmem, culinária e religião estão intimamente ligadas. Isso desde menina, quando, escondida, espiou o preparo das oferendas para Xangô. “Toda casa precisa ter seu próprio tempero. E é uma coisa de família: o meu bisavô era africano, e, na casa dele, eles já tinham o próprio tempero”.  E acrescenta: “Quando cozinhamos passamos coisas para a comida. É preciso se livrar de vícios para cozinhar para o orixá”.

Também emocionada, Mariana Aleixo, coordenadora da empresa Maré de Sabores (buffet e oficina de culinária criada por e para mulheres da Maré), disse ser fundamental criar-se alternativas de trabalho para as mulheres. A iniciativa que, no início, visava melhorar a qualidade da alimentação de alunos de uma escola da Maré e dar formação técnica para mulheres acabou por se tornar um buffet, que emprega moradoras e se propõe a ser mais que um serviço. “O buffet traz uma provocação para os clientes: Qual tipo de consumo você quer ter? E como teu consumo impacta na vida de outras pessoas?” . E você aí? Você tem fome de quê?

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