Maré de Notícias #34

 

 

 

 

 

 

 

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[toggle title=”Meu filho tem down…”]

Por Rosilene Miliotti

Programa piloto na Maré cria uma rede para facilitar o acesso ao tratamento para que os moradores com Down ganhem independência

A moradora da Nova Holanda, Francine Deodoro de Souza, mãe da pequena Gabrielle, é um exemplo a ser seguido. Desde que soube que a fi lha tinha síndrome de Down, ela lida com a situação com a maior naturalidade. “Tenho outros fi lhos sem Down e só soube que ela tinha quando nasceu. A médica me perguntou se eu havia notado algo de diferente na minha filha e eu respondi que não. Aí ela disse que a Gabrielle tinha um probleminha. Eu respondi que tudo bem”, relata.

Francine, que é diarista, acha apenas que vai ter dificuldade para voltar a trabalhar, pois imagina que não será fácil deixar Gabrielle com alguém. “Sei que ela vai me dar um pouco de trabalho”, afirma.

Uma parceria entre o Movimento Down, o Observatório de Favelas e a Redes da Maré – responsável pela pesquisa inédita sobre síndrome de Down nas comunidades locais, a partir do Censo Maré – já identificou, além de Gabrielle, outras 20 pessoas portadoras de Down na comunidade. Mas a projeção é que existam 32.

Uma das constatações da pesquisa é que, por falta de opções na Maré, as famílias precisam encaminhar os fi lhos para tratamentos e terapias em outros bairros da cidade, dificuldade que pode levar ao abandono das atividades. E assim como Francine, a maior parte das mães de crianças com Down tem medo de deixar seus filhos com outra pessoa e, por isso, não consegue voltar à rotina de trabalhar fora, por exemplo.

De posse dos dados já coletados pelo censo, os assistentes sociais da Redes vêm realizando visitas às casas dos moradores cada vez que é identificada a presença de uma pessoa com síndrome de Down. A família é encaminhada a uma equipe composta por psicólogos e assistentes sociais que fornecem informações e orientações sobre o desenvolvimento, estimulação, saúde, legislação e outras questões que envolvem a melhoria da qualidade de vida das pessoas com a síndrome.

Para a assistente social Alessandra Alves, os serviços de estimulação e a fonoaudiologia são os mais deficientes na comunidade. “Mas estamos bem servidos quando o assunto  é acesso à educação, esporte e cultura”, comemora.

Filhos criados sem restrição

O projeto de criar uma rede na Maré para as pessoas com Down é um piloto para a cidade do Rio, que pode ser adotado em outras partes do mundo. Além de identificar as famílias, é feito um acompanhamento para saber as demandas e identificar as dificuldades. Todos os meses, as mães se reúnem para discutir e falar sobre tratamento ou sobre o que desperta interesse nos filhos.

“Queremos fazer com que eles se tornem independentes. Esse é um projeto de acessibilidade e a intenção é criar um livro de recursos onde estarão incluídas todas as instituições da Maré que estão abertas a atender crianças com Down”, revela a assistente social.

Alessandra diz que aqui na Maré houve uma surpresa, pois nem todos os portadores apresentavam problemas de visão, no coração e fala. “As pessoas até brincam dizendo que a água da Maré deve fazer bem, já que todos falam, com dificuldade, mas falam, e as mães criam seus filhos sem restrições. Os filhos com e sem Down são criados da mesma forma”, observa.

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[toggle title=”Nosso atleta é OURO!”]

Por Victor Domingues

Após um histórico de lesões e correndo pela primeira vez com um guia com quem não havia sequer treinado junto, Felipe Gomes surpreendeu ao conquistar a medalha de ouro nos 200 metros na Paraolimpíada 2012, em Londres, no mês de setembro. Deficiente visual desde criança, o atleta, que é morador da Nova Holanda, conta que foi para os jogos com o guia que sempre o acompanha nos treinamentos e competições. Este guia, porém, chegou a Londres lesionado, com um estiramento de grau 3, e teve que voltar para o Brasil. Felipe, então, precisou correr com outros dois guias. O atleta nunca tinha treinado junto com o guia que ganhou com ele os 200 metros. “A gente só fez o aquecimento juntos. Não treinamos nada, fomos direto pra corrida”, revela.

Felipe chegou a Londres com o 5º melhor tempo do mundo nos 100 metros, modalidade em que era cotado para ganhar. Mas nos 200 metros, não era cotado nem para chegar ao pódio. Felipe conta que até então, em todas as competições deste ano, não se sentia muito seguro, pois ainda se lembrava do “trauma” dos Jogos Pan-Americanos de 2011, em Guadalajara, no México, quando teve um estiramento durante a final dos 100 metros. “Em Guadalajara, quando tudo estava caminhando para um sucesso – na eliminatória fiz 11s40, o melhor tempo; na semifinal, alcancei 11s23 e bati o recorde pan-americano –, tive essa infelicidade de me machucar na final da competição”, lembra.

Sonhada medalha paraolímpica

Felipe, que começou no atletismo em 2003, vem de um histórico de lesões. Mudou a estratégia e passou a investir mais na fase de alongamento e começou a praticar pilates. Apesar das lesões, o atleta possui uma coleção de medalhas conquistadas em eventos internacionais.

Felipe nasceu com glaucoma congênito, teve catarata e descolamento de retina aos 4 anos de idade. Ainda criança, ouviu do médico que ele não poderia pular, nem gritar e correr, pois assim fi caria cego. Perdeu a visão completamente aos 14 anos. Ele acredita que, de   qualquer maneira, perderia a visão e declara: “Hoje eu corro e sou campeão paraolímpico”. Além disso, ele é estudante de direito. Teve que trancar a faculdade para se dedicar ao esporte, mas pretende retornar aos estudos no próximo período.

Felipe sugere que os pais de deficientes coloquem seus fi lhos para praticar esporte, estudar braile e usar o computador, o que, por sinal, ele faz com desenvoltura. “Não apague o talento que seu fi lho pode ter. Vamos mostrar que ele é capaz de trabalhar, estudar, praticar esporte, viajar, namorar”. Ele conta ainda que o esporte o proporciona, além da possibilidade de subir ao pódio, a felicidade de viajar, conhecer novas culturas, pessoas e lugares diferentes.

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[toggle title=”Exposição reproduz a Maré dos anos 1970″]

Por Mirella Domenich

Recriar a Maré da década de 1970. Esse é o objetivo da exposição de artes plásticas “A Cor da Maré”, do pintor Chico Moreira. São 12 telas de couro pintadas com tinta acrílica, utilizando a técnica de pirografia, que reproduzem imagens do cotidiano da Maré de 40 anos  atrás. A exposição está exposta no Centro de Artes da Maré durante todo o mês de outubro, com entrada gratuita.

“Como a Maré de hoje, a Maré de 40 anos atrás também é cheia de vida, cheia de cores”, afirma Moreira. O pintor se baseou em fotos preto e branco da época para reproduzir imagens do cotidiano da região. Suas telas retratam cenas corriqueiras dos anos 1970, como a de mulheres transportando água com rola-rola (barril de vinho deitado na horizontal com pneus acoplados em suas extremidades e puxados com cabos de madeira), lençois estendidos nos varais, fachadas dos barracos e barcos usados para pesca.

Morador da Maré por 20 anos, Moreira é pintor autodidata e, atualmente, aos 54, dedica-se exclusivamente à arte, depois de se aposentar como gestor de recursos humanos. Em “A Cor da Maré”, ele pretende trazer aos que hoje ainda vivem na favela a reflexão sobre o passado, as lutas e os avanços na região. “A Maré sempre foi um lugar de oportunidades”, afirma ele, que veio com a família do Espírito Santo para a Maré quando era criança. “Meu pai veio para o Rio de Janeiro, para a Maré, em busca de dar melhores condições
de estudo para os quatro filhos”, lembra.

As cores da vida

Em suas telas, Moreira procura direcionar o olhar do observador, pintando com cores alguns elementos, e deixando outros em preto e branco. “Quero que as pessoas de hoje consigam ver o colorido do passado”, afi rma. Ao percorrer a exposição, o visitante tem a oportunidade de observar as fotos da época e entrar na alma do pintor, que retrata partes da cena geral, focando no que para ele ainda está mais vivo – e colorido- – em suas lembranças. Um exemplo é o amarelo das fachadas das casas construídas para habitação provisória. “A cor desse tipo de habitação, sempre igual, não refletia a diversidade das pessoas que por lá viviam”, afirma.

Outro destaque fica para a escolha do pintor em retratar o universo feminino da época e a presença marcante da mulher nas atividades rotineiras da Maré. “As mulheres lutavam muito. Eram elas que tinham o contato mais próximo com esse dia a dia da Maré. Elas lavavam suas roupas e também faziam serviços de lavadeira por encomenda, coletavam água, jogavam o lixo fora”, relembra.

Moreira avalia que houve mudanças positivas significativas para os moradores e as moradoras da Maré nas últimas quatro décadas. Com as telas, seu objetivo é captar a oportunidade para essas mudanças. “É fundamental que as pessoas não se esqueçam desse passado de lutas”, conclui.

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[toggle title=”Plano de Direitos Humanos em debate”]

Por Silvia Noronha

Moradores, trabalhadores e visitantes da Maré estão desde já convidados para o evento

A Conferência de Direitos Humanos da Maré será remarcada, com o objetivo de ampliar o debate sobre o Plano local de Direitos Humanos. O evento estava previsto para 1º de setembro, dia da operação policial que resultou na morte de dois jovens moradores, o que transformou o encontro em momento de solidariedade e mobilização em prol da apuração dos crimes.

Uma das vítimas é Fabrício de Souza Melo, de 18 anos, que portava seus documentos, foi levado com vida pela polícia primeiro para o Batalhão da Maré e depois para o Hospital, onde foi registrado já morto, como indigente, por estar estranhamente sem os documentos.  Desde então, os organizadores da conferência (Iser, Luta pela Paz, Observatório de Favelas e Redes) vêm acompanhando o caso, em conjunto com a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Ainda no dia da operação, uma senhora teve sua casa invadida pela PM e, de lá, foi furtado o dinheiro que ela juntava para uma cirurgia.

A operação acabou por reforçar a importância do Plano de Direitos Humanos da Maré, que posteriormente será levado ao governo do estado.

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