MARÉ DE NOTÍCIAS #56

 

 

 

 

 

 

 

 

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[toggle title=”Mudança que vem pelas mãos”]

Por Rosilene Miliotti

Depois de vencer três Ligas Nacionais e um Pan-Americano, de 1999, Maria José Batista de Sales, a Zezé, ensina handebol a crianças e adolescentes no Piscinão de Ramos. Alguns alunos já competem e ela espera que o esporte mude suas vidas, como aconteceu com ela mesma.

Zezé não é somente uma referência nacional quando se fala de handebol. Ela é, para as dezenas de seus alunos do Piscinão, uma referência de motivação, experiência e técnica. Revelada pelo Clube Esportivo Mauá, em São Gonçalo, Zezé, hoje aos 45 anos, subiu ao pódio mais de cem vezes em competições estaduais, nacionais e internacionais. Atualmente, ela joga na equipe de handebol de areia Z5, da qual é também treinadora.

Zezé conta que seus objetivos, no projeto, vão desde movimentar as crianças até levá-las a se apaixonar por esportes. Para estimular os alunos, ela organiza jogos amistosos e torneios freqüentemente. Suas aulas fazem parte de uma série de cursos promovidos pela prefeitura no local, onde os alunos recebem também suporte alimentício, nutricional e médico.

A treinadora conta que trabalhar com projetos sociais não estava nos seus planos iniciais. “Aos 19 anos, eu era uma atleta de alto rendimento, convocada para a seleção brasileira e nunca imaginei que poderia trabalhar com projetos sociais”. Ela começou este tipo de trabalho depois de dar aulas no Projeto Caravana, do canal de TV ESPN Brasil. “Sempre pensei em ser treinadora, com toda a estrutura que eu tinha como atleta. Mas eu vi que no Rio de Janeiro não tinha essa realidade. Na Caravana, vi que para dar aulas de handebol eu não precisaria de toda aquela estrutura que eu imaginava. Hoje eu consigo dar aula na grama, na areia ou no barro, mas ainda adoraria ter uma equipe com toda a estrutura”, analisa.

Um dos destaques do projeto é Layla Santos, de 13 anos. Ela joga no Piscinão há 2 anos e durante um mês treinou no Olaria Atlético Clube, mas teve que parar pois não foi possível encontrar alguém que pudesse levá-la. “O handebol é um esporte que entrou de vez na minha vida e não consigo mais parar”, afirma a menina.

Assim como Zezé espera que aconteça aos seus alunos, ela teve sua vida transformada pelo esporte. “O handebol é minha vida. Venho de uma família humilde e não teria conseguido pagar uma faculdade ou viajar para mais de 20 países se não fosse o esporte”, afirma a atleta.

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[toggle title=”Terceira idade em forma no Conjunto Esperança”]

Por Hélio Euclides

Dia 12 de agosto foi inaugurada no Conjunto Esperança uma Academia da Terceira Idade (ATI), com equipamentos para a prática de atividade física. O espaço escolhido foi a praça situada atrás da Escola Municipal Teotônio Vilela. Até então, somente a Praia de Ramos contava com ATI no conjunto de favelas da Maré.

Como em todas as academias ao ar livre, é importante lembrar que as instalações são de uso exclusivo para exercícios, e que precisam ser preservadas por todos.

“Essa é uma conquista que faz parte das reivindicações que fizemos junto à prefeitura com as outras 15 associações, dentro do Projeto Maré Que Queremos. Como associação, cobramos outros serviços, pois nos sentimos abandonados há mais de 20 anos. Para nos ajudar contamos apenas com moradores e comerciantes”, afirma o presidente da Associação de Moradores do Conjunto Esperança, Pedro Francisco dos Santos.

Ele lembra que trabalhar em parceria é muito importante. Por isso, realiza reuniões trimestrais com todos os síndicos e lideranças na associação, para debater as demandas locais.

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[toggle title=”Imagens do povo artista da Maré”]

 

Por: Rosilene Miliotti

De 23 de agosto a 16 de novembro acontece na Nova Holanda o Travessias 3, exposição de arte contemporânea que reúne artistas consagrados que, este ano, incluirá também o coletivo de fotógrafos do Imagens do Povo (IP), projeto desenvolvido pelo Observatório de Favelas, com sede no Parque Maré. O grupo é composto por nove fotógrafos, que farão uma projeção de imagens do banco Imagens do Povo no Galpão Bela Maré, local da exposição,fruto de um trabalho de documentação de artistas e personagens da cultura local.

 Rovena Rosa, fotógrafa e coordenadora do IP, acredita que o convite foi feito a partir do reconhecimento do trabalho do grupo e também para integrar a Maré na mostra. “Essa é uma forma de aproximação, para que as pessoas se sintam incluídas, não só por terem um centro de artes dentro da Maré, mas se sentirem incluídas nas obras, estarem retratadas”, avalia.

Uma das imagens projetadas será sobre o músico Bhega Silva, morador do Parque União, que sente orgulho de ter seu trabalho acompanhado de perto pelo fotógrafo veri-vg. “Estou feliz de ser reconhecido e ver todo trabalho de formiguinha sendo valorizado pelos meios de comunicação da nossa Maré. Dedico esse trabalho a todos que torcem pela coisa tão simples e importante: o nosso planeta. Nunca pensei que isso poderia chegar a uma galeria de arte”, emociona-se.

Bhega, além de exibir filmes em becos e vielas da comunidade de cima de sua bicicleta, compõe canções que alertam para a questão do meio ambiente e recolhe óleo de cozinha usado. Ele ressalta que o trabalho que faz é por amor e respeito ao planeta.

Para o fotógrafo veri-vg, demorou para que o IP tivesse o trabalho reconhecido como arte. A escolha de Bhega para ser fotografado não foi difícil. “Considerei o trabalho dele porque mistura cultura e questões políticas e ambientais. Ele é um cara que trabalha com música, reciclagem e cinema no beco, isso é incrível”, ressalta.

O fotógrafo lembra que por onde passou com o Bhega, o artista era reconhecido por pessoas de todas as idades. “Ele cumprimentava todo mundo, chamava pelo nome. As pessoas pedem opinião a ele a respeito de política, por exemplo. Além disso, aprendi e estou aprendendo muito com ele sobre a Maré. Às vezes me pergunto: ‘Como não documentar esse cara?’”, brinca veri-vg.

Fotografando a multiartista da Maré

 O fotógrafo Fábio Caffé acompanhou o cotidiano da mineira Ana Maria, de 84 anos, moradora da Vila do João. “Ela é uma simpatia, brinco dizendo que ela se tornou nossa musa. Ela é uma guerreira e uma multiartista incrível. Ela pinta, faz poesia e é atriz. São lindas as pinturas e poesias que ela faz”, conta.

Segundo Caffé, os momentos de conversa são muito ricos por também serem de aprendizado. “Ela sugere fotos e nos recebe com tanto carinho e alegria que é sempre um prazer encontrá-la e a família dela. Estamos tendo o privilégio de conhecer essa mulher porque é contagiante ver o amor que ela tem pela arte”, ressalta Caffé, que cita o fundador do IP, o fotógrafo João Roberto Ripper, para falar sobre o trabalho do fotógrafo. “O Ripper sempre diz que o trabalho do fotógrafo deve ser a extensão da maneira como ele sente e vivencia o mundo e que fotografar é reconhecer valores”, afirma.

O fotógrafo acredita ser importante valorizar os artistas da Maré e do Brasil. “É uma luta diária que eles enfrentam e muitas vezes não conseguem espaço para expor o trabalho. Com essas fotografias, esperamos ajudar na divulgação do trabalho desses artistas”, conclui.

Fotógrafos do IP e respectivos artistas fotografados

Fábio Caffé e Renan Otto (Ana Maria), AF Rodrigues (Seu Manuel), Rosana Rodrigues (Klaus), Thiago Diniz (Zé Toré), Rosilene Miliotti (Victor), Rovena Rosa (Addara Macedo), Monara Barreto (Felipe Reis) e veri-vg (Bhega).

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[toggle title=”Semana da Diversidade Sexual da Maré”]

A Semana da Diversidade Sexual da Maré acontece de 1º a 7 de setembro, com atividades voltadas à temática dos direitos humanos e da promoção da saúde da população LGBT de favelas.

 O objetivo é mobilizar, articular e dialogar sobre as diversas formas de preconceito e sobre a incidência de AIDS na população. O evento é organizado pelo Grupo Conexão G em parceria com CAP 3.1, Luta Pela Paz, Observatório de Favelas, Redes da Maré e Fase.

A semana abrirá com um seminário no dia 1º, às 19h, em local a ser definido (informação pelo email: gilmarconexaog@ gmail.com). No dia seguinte, haverá oficina sobre saúde às 14h, no Observatório (R. Teixeira Ribeiro, 535). Dia 4, às 15h, será lançada uma cartilha sobre a temática na Unidade de Saúde Samora Machel (R. Principal); e no domingo, dia 7, na R. Teixeira Ribeiro, terá feira de saúde de 9h às 16h, seguida da Parada do Orgulho LGBT.

A sigla LGBT refere-se a lésbica, gay, bissexual, travestis e transexual. “A iniciativa se mostra necessária e visa estimular o respeito à orientação sexual decada um”, diz Gilmar Cunha, coordenador do Grupo Conexão G, que em 26 de agosto tomará posse no Conselho Nacional de Juventude.

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