Por uma favela mais verde

Projeto nas ruas da Vila do João pretende, em longo prazo, promover melhorias no ar da região com o plantio de árvores | Foto: Douglas Lopes

Iniciativa de plantio de mudas para a urbanização da Vila do João

Maré de Notícias #109 – fevereiro de 2020

Hélio Euclides

A Rio-92 [ou ECO-92] foi a Conferência da Organização das Nações Unidas sobre “ambiente e desenvolvimento”, que mobilizou o mundo pelas questões sociais e ambientais. O encontro reuniu líderes mundiais que fizeram diversas promessas de preservação do Planeta e conscientizou a sociedade civil para o papel de cada um no cuidado da natureza. Partindo da ideia de levar verde onde só tem cimento, a Associação de Moradores da Vila do João vem plantando mudas em espaços da favela e grafitando os muros próximos. Essa iniciativa de urbanização do espaço público já chama a atenção de quem passa pelas calçadas.

O objetivo, com o plantio, é trazer mais qualidade de vida para os moradores e para quem passa pelas futuras árvores. Para aprofundar essa ideia, a Associação teve a parceria da advogada especializada em direito e gestão ambiental, Cristina Luz, e assim foi idealizado o projeto socioambiental “Viver com Mais Verde”. Ela conta que: “Além do plantio, o projeto contempla ações de reciclagem, gerenciamento de resíduos sólidos e educação ambiental.” Outras parcerias foram estabelecidas com a NHJ do Brasil Container, que doou anéis de concreto e ofereceu mão de obra, e a Fundação Parques e Jardins, subordinada à Secretaria de Envelhecimento Saudável, Qualidade de Vida e Eventos, que contribuiu com 35 mudas que foram plantadas.

“Onde plantamos, na saída da favela, era uma lixeira, o resultado é uma limpeza urbana e as ruas se tornam menos quentes e menos poluídas”, comenta Valtemir Messias, conhecido como Índio, presidente da Associação de Moradores da Vila do João. Ele assegura que o ganho maior é conscientizar todos sobre a importância das árvores. Valdenise Brandão, conhecida como Val, realizou com seus colegas garis as modificações de locais que antes acumulavam lixo e, hoje, são canteiros. “São inúmeras as transformações com o plantio de árvores, como purificar e umedecer o ar, a beleza do local e uma vida mais saudável, sem pontos de lixo. Essas iniciativas realizam mudanças na vida dos moradores, como maior socialização”, explica.

Quem caminha pelas ruas da Maré percebe a necessidade de mudanças. “A favela tem visíveis problemas como a coleta de lixo e acúmulo de entulho, o desperdício de água e ruas com buracos. Para melhorar o local, devemos fazer a nossa parte, como plantar árvores, que ainda dão sombra”, avalia Kátia Muniz, moradora da Vila do João.

Fernanda Santiago, professora de Biologia da Redes da Maré e de Ciências na Luta Pela Paz, avalia a iniciativa como um direito previsto na Constituição Federal, no artigo 225, que fala do meio ambiente. Ela acredita que esse direito promove um ar mais limpo, já que a Maré é um dos locais urbanos mais poluídos, principalmente por não ser arborizada. Acredito que a comunidade escolar precisa falar mais sobre o assunto, de forma que seja levado para casa, para que todos entendam o direito ao ambiente como questão de saúde”, conclui.

A Secretaria de Envelhecimento Saudável, Qualidade de Vida e Eventos informou que plantar mudas numa cidade quente como o Rio de Janeiro é proporcionar qualidade de vida aos cariocas. Os moradores podem participar ajudando na conservação e participando do plantio. Além disso, deu a notícia que haverá uma segunda fase do projeto no início de fevereiro, em parte da Avenida Canal, em frente à Avenida Brasil e a Escola Municipal Professor Josué de Castro.

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