Saneamento em pauta

Evento foi idealizado pelo data_labe, Redes da Maré e Casa Fluminense | Foto: Douglas Lopes

Especialistas, moradores e organizações discutem em encontro soluções para o saneamento básico no bairro

EQUIPE DATA_LABE

Historicamente, os moradores da Maré sempre foram responsáveis pela conquista de direitos básicos relacionados ao saneamento. Abastecimento de água, coleta de lixo, pavimentação das vias e esgotamento foram garantidos por meio da organização e demanda popular. Para fortalecer e avançar nessa tradição, o Encontro de Saneamento da Maré reuniu, na Lona Cultural, no dia 13 de abril, moradores, organizações da sociedade civil, ativistas e especialistas, para levantar soluções e exigir medidas do Estado.

O evento, que recebeu cerca de 60 pessoas, foi uma articulação do data_labe, Redes de Desenvolvimento da Maré e Casa Fluminense. As organizações desenvolvem o projeto Cocôzap – um número de WhatsApp que recebe queixas relacionadas a lixo e esgoto, enviadas por moradoras e moradores da Maré. “Nossa ideia é que, com a participação das moradoras e moradores, a gente possa reunir os problemas e demandas para ajudar na garantia de políticas mais eficazes a partir da realidade da favela”, explica Clara Sacco, coordenadora do data_labe.

Com o objetivo de sistematizar demandas e soluções de forma colaborativa, os presentes no evento foram divididos em quatro grupos de trabalho. O desafio foi dimensionar os problemas causados pela falta de estrutura do sistema sanitário do bairro. A partir da união e troca das várias frentes, os participantes produziram uma Carta-manifesto, para a construção coletiva e articulação permanente das demandas e soluções estabelecidas.

A seguir, de forma resumida e objetiva, alguns dos pontos levantados na Carta:

Esgoto e Baía de Guanabara

Retomada e efetivação dos Planos de Saneamento Estadual e Municipal. No caso da Maré, é urgente a construção do Tronco Coletor para a Estação de Tratamento Alegria.

Discutir a terceirização do serviço da Cedae na região, que não atende às necessidades dos moradores. Faltam equipamentos e algumas áreas que pagam a taxa social não são atendidas pela Companhia.

Promoção de ações do poder público e mutirões comunitários no entorno dos valões para despoluição e criação de áreas verdes, como ilhas flutuantes que auxiliam no tratamento de esgoto, a partir de plantas e raízes.

Abastecimento de água e manejo de água pluvial.

É importante um movimento de conscientização, educação e informação para os moradores que passe pelo histórico de luta do território pelo acesso à água; combate à cultura do desperdício; direitos em relação aos serviços da Cedae e alternativas de captação da água da chuva. 

A Maré tem um sistema público de encanamento da década de 1960. É necessária a implantação de um novo sistema que contemple as atuais demandas e que leve em conta a expansão do bairro.

Lixo e segurança pública

A Maré é maior que 95% dos municípios do País e sua população cresce exponencialmente. É preciso aumentar e melhorar os serviços da Comlurb, por meio de equipamentos, número de garis e frequência.

Mapear e investir na articulação entre grupos e cooperativas de catadores e garimpeiros da Maré para a criação de Ecopontos, como alternativas para o descarte de lixo.

Experiências históricas demonstram que o cuidado nas áreas com maior número de violações de direitos impacta na diminuição da violência. Mutirões realizados pela comunidade, com apoio de equipamentos públicos, são importantes para a transformação desses espaços.

Saúde e bem-estar

Melhoria na eficiência do atendimento das demandas nos postos de saúde e maior investimento em Clínicas da Família e na atuação dos agentes comunitários de saúde.

Além das campanhas de abrangência nacional, é preciso focar no desenvolvimento de campanhas pensadas por moradores e integradas com os equipamentos de saúde. A inserção de moradores nas formações de agentes comunitários de saúde pode ser efetiva.

Os pontos levantados na Carta abordam o acesso ao direito básico da população da Maré ao saneamento. O incentivo e articulação de mutirões, mais acesso a serviços públicos, maior interação entre moradores e poder público, bem como o fortalecimento de iniciativas populares afetam no desenvolvimento da vida das pessoas que vivem em territórios populares. Fique de olho, novos encontros estão sendo preparados para o próximo semestre. Vamos, juntos, avançar na luta pelo saneamento!

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu comentário
Por favor, digite seu nome aqui