Até quando as violações de direitos na Maré serão naturalizadas?

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27ª operação policial na Maré tem abuso de poder e aulas afetadas 

Na reta final do ano letivo, mais uma operação policial deixa os alunos da Maré sem aulas. Relatos de moradores chegaram desde as primeiras horas desta quarta-feira (29/11), sobre a presença de policiais da equipe de Comando de Operações Especiais (COE), no Parque União, Nova Holanda e Rubens Vaz. O abuso de poder por parte dos agentes policiais foi denunciado por muitos moradores, que revistaram celulares, invadiram casas, sem mandado judicial.  

Vídeos circularam evidenciando casas violadas durante a operação. Em uma das filmagens uma moradora relata que “arrebentaram a porta quebraram o vidro todinho da porta”. Em outro a morada diz que chegou em casa e viu a sua casa revirada e diz que furtaram dois perfumes e um relógio: “Eu acho um absurdo a pessoa chegar em casa e ver ela toda revirada”, desabafa no vídeo. 

Educação em risco:

A Secretaria Municipal de Educação não confirmou o fechamento das escolas. Porém, a partir do relato de familiares e responsáveis e a confirmação no local, identificamos que todas as escolas do Campus Maré (oito escolas e um Espaço de Desenvolvimento Infantil), localizadas na Nova Holanda, não funcionaram hoje. São mais de 3 mil alunos atendidos nestas unidades de educação. Duas escolas estaduais do Parque União também interromperam atividades nesta quarta-feira, impactando mais de 850 estudantes. 

Das 27 operações policiais que aconteceram em 2023, 22 foram em horário escolar, o que representa aproximadamente 11% dos dias letivos previstos comprometidos para os estudantes da Maré.

Espaços fechados

Além de dificultar a saída dos trabalhadores, impedir os alunos e professores de seguirem com as atividades escolares e as unidades de saúde de funcionarem outros espaços da Maré também são impactados diretamente afetando a vida de crianças, jovens e adultos. O Instituto Vida Real que atende 180 crianças e aproximadamente 80 adultos está fechado devido a operação. Assim como o Luta Pela Paz  que também teve que cancelar as atividades na sede localizada na Nova Holanda. Atividades do eixo Educação da Redes da Maré também foram suspensas, com 243 beneficiários desses projetos sem acessar processos de formação. Os eixos Saúde e Arte, Cultura, Memórias e Identidades da organização também tiveram ações canceladas.

A Clínica da Família Jeremias Moraes da Silva acionou o protocolo de acesso mais seguro e, para segurança de profissionais e usuários, suspendeu o funcionamento na manhã desta quarta-feira (29). Já a Clínica da Família Diniz Batista dos Santos mantém o atendimento à população. Apenas as atividades externas realizadas no território, como as visitas domiciliares, foram suspensas na manhã desta quarta-feira. 

O Maré de Notícias segue acompanhando os desdobramentos da operação e recebe informações pelas redes sociais e WhatsApp (21) 97271-9410. O Maré de Direitos, projeto do eixo Direito à Segurança Pública e Acesso à Justiça, da Redes da Maré, acolhe situações de violações de direitos no WhatsApp (21) 99924-6462 e também nos equipamentos da organização. O Ministério Público (MP) também realiza plantão especial para atendimento à população pelo telefone (21) 2215-7003 ou no e-mail [email protected].

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