Caiu na rede: é fake?

Amanda Botelho e Lia Soares, apresentadoras do programa Caiu na rede: é fake? - Foto: Lethicia Amâncio

Em parceria com a Agência Lupa, jornais comunitários lançam projeto para checar notícias falsas que circulam entre moradores de favela

Por Thaís Cavalcante em 28/09/2020

Nas redes, a notícia não para de chegar e o leitor não para de compartilhar. O perigo está aí: será que tudo o que recebemos é real? Para ampliar a divulgação de informações verdadeiras sobre o novo coronavírus, principalmente aos moradores de favelas, foi lançado em setembro o projeto de checagem de fatos Caiu na rede: é fake?, uma parceria da Agência Lupa, primeira agência de notícias de checagem de dados do país e dois coletivos de jornalismo comunitário: Voz das Comunidades e Favela em Pauta.

A iniciativa reafirma que, mesmo com uma pandemia global, as notícias falsas são um grande perigo à saúde da população e também precisam ser combatidas. O remédio é a informação de qualidade. A preocupação tem motivo: a cada dez pessoas, sete já acreditaram em alguma notícia falsa na internet sobre a covid-19, segundo pesquisa da Avaaz.

O que facilita essa desinformação é o sensacionalismo e o fácil compartilhamento sem a checagem do leitor. Para Juliana Pinho, estudante e moradora da Nova Holanda, “uma das maiores missões do comunicador é conseguir com que a notícia verdadeira chegue com tanta facilidade quanto a fake news. Principalmente nos aplicativos de mensagem e grupos da família, da igreja, da escola”, declara.

Flávia Campuzano, gerente de Novos Negócios da Agência Lupa, conta que a agência já pensava em promover um projeto de capacitação para coletivos de favelas em checagem a partir das experiências anteriores. “Apresentamos o projeto para a Fundação Heinrich Böll, que apoia iniciativas ligadas aos Direitos Humanos e à democracia, entre outras frentes. A conversa deu match e tivemos o apoio da fundação alemã para lançar o projeto com os coletivos”.

Um desafio e tanto. O primeiro episódio do projeto desmentiu as notícias falsas (fake news) que circulam nas redes, nos aplicativos de mensagem e na boca do povo. Desde o início da pandemia foram diversas as notícias falsas falando sobre possíveis curas milagrosas. Toda quarta e sexta-feira, os conteúdos jornalísticos serão publicados em vídeo nas redes sociais dos 3 veículos e em texto nos sites da Agência Lupa e Favela em Pauta.

Informação acessível durante a pandemia

Lia Soares, jornalista e uma das apresentadoras do Caiu na rede: é fake?, destaca o valor do combate às notícias falsas no fortalecimento de uma comunicação mais democrática e acessível. “O lugar onde se retira grandes verdades é pela internet. Antigamente, as pessoas acreditavam no que estava escrito no jornal ou no que passava na televisão. Hoje em dia não mais. Então, fazer esse trabalho pensando em zonas periféricas e em uma linguagem que pessoas de todas as classes sociais conseguissem entender, foi aí que veio o resultado [do projeto]”. Somado a isso, é colocado em pauta a representatividade a partir das apresentadoras: Amanda Botelho é jornalista e mulher negra e Lia Soares é jornalista, mulher trans e negra.

O projeto de alcance local e nacional caminha junto com o que defende o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde Tedros Adhanom. Ele afirma que as informações falsas e a desinformação colocam a vida das pessoas em risco, além de minar a confiança na ciência, nas instituições e nos sistemas de saúde.

Pensando em soluções, Douglas Silveira, diretor de Marketing e Educação da Agência Lupa, diz que o objetivo da iniciativa é dar espaço para conteúdos checados, de linguagem acessível para a favela e para fora dela também. “Durante a pandemia, a Agência Lupa foi procurada por coletivos de jornalismo que atuam em comunidades para treinamento em como verificar informações no combate à infodemia sobre o novo coronavírus. Sentimos necessidade de, além de promover treinamentos em fact-checking, produzir conteúdos verificados em parceria”, destaca Silveira.

Essa parceria expõe a importância do papel do jornalista local, visto pelos moradores do território como um profissional de confiança, o que traz mais credibilidade e facilidade de cobertura. Silveira afirma, ainda, que com o conhecimento dessa realidade, circular e colher informações confiáveis nestes locais, torna-se, até mesmo, referência de produção de conteúdo verificado para as mídias tradicionais.

Após essa primeira edição, a ideia é expandir o projeto para outros coletivos de favelas do Rio de Janeiro e de outros estados do país. “Demos o pontapé inicial com as equipes do Voz das Comunidades e Favela em Pauta. Aproveitamos para fazer convites a outros coletivos para se juntarem ao trabalho da Agência Lupa no combate a desinformação dentro e fora das periferias. É a voz da favela em pauta na Agência Lupa”, conclui Silveira.

Você sabia?

Infodemia é uma epidemia causada por excesso de informação sobre um mesmo assunto, que podem estar incorretas, incompletas ou divulgadas por fontes pouco confiáveis. Muitas vezes a notícia acaba se distorcendo no meio do caminho, como na famosa brincadeira do telefone sem fio, fazendo com que ela chegue numa outra pessoa com informações alteradas, mudando o seu sentido original. 

É importante prestar atenção nas notícias que chegam até nós quando achar a fonte desconhecida ou o conteúdo estranho. Sempre é válido pegar o título da matéria ou as informações principais e procurar em sites de pesquisa para verificar se existe mais de uma fonte confiável compartilhando aquela informação.

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