Coleta de resíduos sólidos é a chave do próximo Encontro de Saneamento da Maré

Valdemir Gomes é morador da Rubens Vaz e garimpeiro da reciclagem há, pelo menos, sete anos. . Foto: Douglas Lopes

Coleta de resíduos sólidos é a chave do próximo Encontro de Saneamento da Maré

Nesta terça-feira, moradores das 16 favelas da Maré poderão compartilhar quais as suas demandas sobre saneamento básico para o bairro

Por Mariane Rodrigues, em 17/05/2021 às 11h
Mobilizadora territorial do projeto Maré Verde e do Eixo de Desenvolvimento Territorial da Redes da Maré e assistente de coordenação e comunicação do projeto Conexão Saúde
Editado por Andressa Cabral Botelho

No dia 18 de maio acontecerá o IV Encontro de Saneamento da Maré, que busca traçar estratégias, compartilhar saberes e nos fazer refletir sobre as questões sobre o saneamento básico, com um olhar de dentro, do nosso território. O evento é uma iniciativa dos projetos Cocôzap (data_labe) e Maré Verde (Redes da Maré) e tem como a questão do descarte de resíduos sólidos o ponto chave deste encontro.

No ano passado, em meio a pandemia, o encontro atualizou a Carta de Saneamento da Maré, que tem por objetivo reunir diversas reivindicações dos moradores sobre saneamento. O documento faz parte das agendas locais 2030, organizadas pela Casa Fluminense, e foram apresentados aos candidatos à prefeitura nas eleições de 2020.

A Carta trouxe alguns dados esquematizados, mas que podem ser sentidos diariamente pelos moradores da Maré. Um deles é que cerca de 417 domicílios ainda possuem água apenas na parte externa, onde 453 pessoas não possuem acesso a esse bem comum.

A carta e os temas em debate

Os pontos mais importantes da carta seguem divididos a partir dos grupos de trabalhos que desenvolveram cada tema no primeiro encontro de saneamento em 2019: 1. Esgoto e Baía de Guanabara; 2. Abastecimento de água e manejo de água pluvial; 3. Resíduos sólidos e 4. Saúde e bem estar. Todos esses temas buscam aprofundar demandas locais quando pensamos no saneamento básico na Maré.

Resíduos sólidos é o ponto norteador do próximo Encontro de Saneamento da Maré e está relacionado com todos os outros temas tratados nos encontros anteriores. No documento, questiona-se que os serviços da Comlurb não tem investimento proporcional ao crescimento da Maré, o que causa uma defasagem no sistema de coleta. O acúmulo de lixo nas ruas provoca o entupimento dos bueiros em dias de chuva e ainda contribui para a propagação de doenças. Um dado importante em destaque na Carta de Saneamento é que aproximadamente 55% das reclamações na Central de Atendimento ao Cidadão na Maré são sobre a proliferação de roedores

Uma demanda urgente é a criação de alternativas para o descarte de lixo, com ajuste nas escalas de horários de coleta e pontos apropriados para realizar esse descarte. Ainda sabemos que é extremamente necessária a promoção de atividades de educação ambiental para que a população possa repensar seus modos de lidar com essas questões e entender seus direitos e deveres.

Esgoto e Baía de Guanabara é um dos mais importantes para os que vivem na Maré, pois afeta diariamente a vida de cerca de 140 mil moradores. Na carta, entendemos que transbordamento de esgoto e valões e gestão de resíduos contemplam as problemáticas que devemos enfrentar para que possamos atingir qualidade de vida da população. Entre as sugestões dos moradores, podemos destacar a necessidade de criação de estratégias de mobilização comunitária, que envolvam nesse assunto jovens, ativistas locais, ONGs, postos de saúde e os demais grupos da comunidade. Além disso, é fundamental o compromisso do poder público em promover políticas que garantam que o esgoto da Maré seja tratado, bem como apoiar ações no entorno dos valões.

Abastecimento de água e manejo de água pluvial traz questões sobre a infraestrutura de abastecimento, distribuição de água, inundações e o cuidado que temos de ter frente aos nossos recursos hídricos.

No III Encontro de Saneamento, os moradores relataram que a maioria das queixas junto às associações são sobre a CEDAE. Uma das alternativas apresentadas é a adoção de soluções sustentáveis para os problemas das enchentes e alagamentos, como pisos drenantes e jardins de chuva. A carta ainda nos lembra que a Maré tem um sistema público de encanamento da década de 1960 e que não supre a demanda atual dos moradores. Outra questão fundamental é a disponibilização dos mapas de abastecimentos de rede de água e esgoto, para estudos aprofundados e a criação de políticas públicas mais efetivas para solucionar esses problemas estruturais.

Em Saúde e bem estar, refletimos sobre as consequências dos modelos e estilos de vida impostos pelo déficit de saneamento básico. A grande quantidade de vetores transmissores de doenças, como os ratos e mosquitos, também é uma queixa relatada pelos moradores. Um dado importante dessa conversa é que os espaços de convivência costumam ser muito próximos a locais com acúmulo de muito lixo, áreas extensas bem próximas a escolas, praças e locais onde pessoas se exercitam diariamente. A carta reforça a necessidade do poder público pensar em melhorias no atendimento das Clínicas da Família e maior atenção a campanhas preventivas, para que os moradores se sensibilizem aos cuidados necessários em cada época de risco à saúde.

Aqui fica o nosso convite para que você se aproprie dessas informações, acessando na íntegra a Carta de Saneamento e participando conosco do próximo encontro. Para pensarmos juntos em outras formas de cuidar de nós e de onde vivemos, criando propostas reais de enfrentamento dos nossos problemas, traçando possibilidades de uma Maré melhor.

Você pode acessar a carta nos sites da Redes da Maré, Casa Fluminense e Data_labe. Para se inscrever, basta preencher o formulário e basta acessar o link da sala na plataforma Zoom, que será enviado por e-mail, whatsapp e também estará disponível no Instagram @cocozapmare

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Andressa Cabral Botelho

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