Horário de Verão chega ao fim no dia 16

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Há quem ame e quem odeie a medida; especialistas afirmam que economia gerada é cada vez menor

Maré de Notícias #97 – fevereiro de 2019

Por: Camille Ramos

Pode se preparar para atrasar o relógio em uma hora. Após 105 dias de duração, o Horário Brasileiro de Verão chega ao fim às 23h59 de sábado, 16 de fevereiro. Em geral, a alteração no relógio é realizada em outubro. Mas, para não coincidir com a data das eleições, o período teve início em 4 de novembro. No Brasil, a medida acontece em dez Estados. Além do Distrito Federal, são eles: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Com o objetivo de estimular as pessoas e as empresas a encerrarem as atividades do dia mais cedo, aproveitando a iluminação natural e reduzindo o consumo de energia, o Horário de Verão é adotado nas regiões mais distantes da Linha do Equador, onde há uma diferença mais significativa na luminosidade do dia entre o verão e o inverno. Adiantando uma hora do dia, o País já chegou a economizar R$ 405 milhões, em 2013.

Redução?

Com o passar do tempo, no entanto, a economia do setor elétrico tem sido menos expressiva e gera dúvidas sobre a permanência da medida para os próximos anos, por “não agregar benefícios para os consumidores de energia elétrica”, segundo a Secretaria de Energia Elétrica (SEE) do Ministério de Minas e Energia (MME). O Ministério explica que um dos motivos para a economia de energia ter diminuído se deve ao aumento do uso de aparelhos de ar-condicionado.

De acordo com Ivo Leandro Dorileo, engenheiro eletricista e presidente da Sociedade Brasileira de Planejamento Energético, em entrevista à BBC, apesar da incerteza da permanência do Horário, ele ainda é funcional para as empresas de energia. “Tem havido muita especulação de que o Horário de Verão possa acabar, mas, no fundo, o setor elétrico agradece que não tenha acabado, porque, embora em fatores financeiros tenham diminuído, ainda é uma economia razoavelmente boa”. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Órgão que coordena, controla e planeja a operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica no País, não divulgou o resultado da análise feita no último período (2017-2018), mas Dorileo sugeriu, por meio de estimativas, que o valor economizado foi em torno de R$140 milhões.

Horário de Verão: ame-o ou odeie-o

Segundo o Instituto Data Folha, a maioria dos brasileiros gosta do Horário de Verão. No Sul, Sudeste e Centro-Oeste, 56% dos moradores são favoráveis ao Horário de Verão, enquanto 38% se dizem contrários à medida; 5% disseram ser indiferentes à questão. No entanto, de acordo com os moradores ouvidos pelo Maré de Notícias, o Horário de Verão não é muito popular por aqui. Confira:

“Eu odeio o Horário de Verão. Li umas pesquisas que dizem que ele nem faz bem pro organismo. Mexe com nosso horário biológico. Odeio!”
Edmilson Nunes, vigilante.

“O dia parece que passa mais rápido e, além disso, escurecendo mais tarde, eu consigo estender o tempo que fico trabalhando. Aproveito melhor o dia e vendo mais.”
Bruna Campos, comerciante.

“Aqui, se você olhar, meu relógio está com o horário de Deus. Eu continuo acordando na mesma hora e voltando pra casa também. Não mudo minha rotina.”
Dona Antônia, vendedora de legumes.

“Eu gosto mais ou menos. Mas não acho ruim, não. Pra quem consegue, dá pra aproveitar melhor o dia.”
Paulo Silva, chanfrador.

“Ninguém gosta desse Horário de Verão, gosta? Aliás, não gosto do horário e nem do verão. Calor demais aumenta minha pressão e é ruim pra acordar.”
Maria Aparecida, cuidadora de idosos.

“Eu até gosto, mas quando a gente tá se acostumando, ele acaba. Aí tem de acostumar com o horário normal de novo, né?”
Genilda Horácio, aposentada.

Números da economia (2012 – 2016)

Números da economia divulgados pelo Ministério de Minas e Energia (MME)

Até o fechamento desta Edição, a economia do período 2017-2018 não havia sido divulgada:

Ano       Economia em MW    Economia em dinheiro

2012       2.555 MW                 R$ 160 milhões

2013       2.565 MW                 R$ 405 milhões

2014       2.035 MW                 R$ 278 milhões

2015       2.598 MW                 R$ 162 milhões

2016       2.185 MW                 R$ 147,5 milhões

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