Covid e Gripe avançam perigosamente no Rio de Janeiro

Foto: FABIANO ROCHA / Agência O Globo

Covid e Gripe avançam perigosamente no Rio de Janeiro

Eventos programados pela cidade são adiados; postos de saúde enfrentam filas para testagem

Por Jorge Melo, em 07/01/2022 às 09h30.

As notícias no início de 2022 não foram animadoras. A cidade vive um aumento significativo de casos de Covid. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), no dia 25 dezembro foram registrados 269 infectados e 1.238, em primeiro de janeiro. Um aumento preocupante. Em função desses números, foi cancelado o carnaval de rua. A decisão da prefeitura do Rio de Janeiro contou com o apoio dos representantes dos 450 blocos registrados na cidade. Salvador, Recife e Olinda tomaram a mesma decisão. Será mantido, porém, o desfile das escolas de Samba, no Sambódromo. Segundo o prefeito, Eduardo Paes, lá é possível controlar a entrada de público, sambistas e pessoal de apoio, exigindo o atestado de vacina.

A história se repete

No início da semana foi registrado um novo recorde, com 2,4 milhões de novos casos de Covid-19 em 24 horas. O recorde foi impulsionado pelos Estados Unidos, que pela primeira vez, desde o início da pandemia, registraram mais de um milhão de infectados em apenas um dia. Segundo o Leonardo Bastos, estatístico e pesquisador-associado do Programa de Computação Científica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), tanto quando nos EUA, a situação também é preocupante na Europa, “Observamos muitos casos e óbitos na Itália e Espanha no início de 2020, e um tempo depois o vírus chegou ao Brasil e se espalhou. Esse aumento de casos na Europa infelizmente vai acontecer aqui; talvez já estejamos no início desse crescimento. A diferença é que não monitoramos bem o número de casos leves e o Ministério da Saúde sofreu um ataque hacker e parou de compartilhar os dados de casos graves.”

A situação no Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro a porcentagem de testes positivos de Covi-19 aumentou na semana passada, de 13% para 41%, nas redes pública e privada. Esse indicador aponta para um aumento no número de infectados no curto e médio prazos. Os postos de saúde do Rio de Janeiro registram também um aumento no número de pessoas que procuram testes e vacina contra a Covid-19. Entre três e cinco de janeiro, 7.140 testes para Covid-19 foram realizados em unidades básicas de saúde. Desse total, 3.350 deram positivo. Leonardo Bastos avalia que “no Rio de Janeiro, apesar dos cuidados, houve aglomerações nas praias, festas e eventos particulares e eventos com público. O que esperar? O próprio prefeito disse que um pico de Ômicron é inevitável.”

Influenza

A Covid-19/Ômicron é apenas um dos problemas que colocaram as autoridades sanitárias em prontidão. Desde novembro a cidade enfrenta uma epidemia da gripe Influenza (N3H2). Segundo Leonardo Bastos, “por já existir uma vacina voltada para grupos de maior risco, há uma falsa impressão de que a gripe é uma doença leve. Ela pode ser, uma pessoa pode se infectar e ter sintomas bem leves. Mas o principal ponto aqui é que essa pessoa deve se isolar ou, pelo menos, usar bem a máscara para não transmitir para outros, pois o vírus pode acabar chegando em alguém em quem a doença possa se agravar.” Ainda segundo Leonardo Bastos, “Se não fosse pela Covid estaríamos falando bastante dessa epidemia, “Para Influenza, possivelmente estamos próximos ou até já passamos do pico aqui no Rio. Mas com a falta de testes é difícil separar o que é influenza e o que é Covid-19”.

Mesmo assim, a campanha de vacinação contra a gripe no Rio de Janeiro foi encerrada no dia três de janeiro. A última remessa, de 400 mil doses do imunizante, enviada pelo Instituto Butatan, de São Paulo, chegou no dia 10 de dezembro. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) anunciou que a campanha será retomada em abril com uma nova versão da vacina.

Na primeira semana de janeiro a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro registrou um caso de dupla infecção, Covid + Influenza, batizado como “fluorona”. No entanto, segundo Leonardo Bastos, as chances de ocorrer dupla infecção, ou seja, uma infecção por dois vírus distintos, são pequenas. A questão a se levar em conta, segundo ele, é, o fato de dois vírus circularem ao mesmo tempo numa região, “Epidemias com dois ou mais vírus não são novidade, por exemplo, já tivemos casos na cidade de Dengue, Zika e Chikungunya em um mesmo período, uma pessoa ter duas ou mais infecções mas é bem mais difícil.”

A campanha de vacinação contra a gripe de 2022 segue o calendário do Ministério da Saúde e está previsto para abril.

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Jorge Melo

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