Folia empreendedora na Maré: Carnaval movimenta negócios locais

Data:

Período festivo impulsiona empreendedores mareenses

Durante o carnaval, a cidade do Rio de Janeiro se transforma num solo fértil para o empreendedorismo. Surgem novos produtos e serviços para atender às demandas do período. E na Maré não é diferente. Diversos moradores enxergam o carnaval como uma oportunidade de impulsionar o negócio local ou de gerar renda extra para garantir o sustento da família nesta época. Além de poder exercer funções ligadas à economia criativa como a costura e confecção de acessórios artesanais.

De acordo com um levantamento realizado pelo SEBRAE Rio, o município registrou 223,2 mil empreendimentos ligados ao Carnaval, em 2023, o que significa um aumento de 6% no número de empresas em relação ao ano anterior. Em torno de 98% dessas empresas são de pequenos negócios: 75% são de Microempreendedores Individuais (MEI), 19% microempresas e 3% empresas de pequeno porte.

Com um público estimado de cinco milhões de foliões nas ruas do Rio de Janeiro, segundo dados da RioTur, a demanda por produtos e serviços durante o carnaval atinge níveis significativos. Isso representa um potencial lucrativo para empreendedores que conseguem atender às necessidades do público nesse período.

Renda Extra

Luciana Canuto, cria da Vila do João, sempre customizou suas próprias roupas nesse período e com o passar dos anos passou a produzir os acessórios das filhas nas festas de escola. Em 2023 ela iniciou um processo de capacitação que proporcionou a comercialização de suas peças: “As produções do carnaval compõem minha renda de maneira positiva, aumentando em torno de 30% nessa época. Ainda não é tão valorizado, mas está caminhando para ser e creio que em pouco tempo atingiremos níveis maiores”, conta. 

“Pra mim, o carnaval é muito importante para gente que é empreendedor de favela, pra gente ter crescimento e visibilidade. As pessoas passam a te enxergar como empreendedora e isso é muito bom”, reforça Luciana.

Liberdade Criativa

O período carnavalesco no Rio de Janeiro não é apenas uma festa cultural, mas também um impulsionador de pequenos negócios, proporcionando oportunidades para exercer a criatividade e para aqueles que buscam atender às necessidades do público e aproveitar o espírito festivo das periferias e da cidade. 

Para Rafa Feitosa, moradora do Parque União, costureira e empreendedora, a produção nesse período tem um grande significado para a favela: “É muito importante pois podemos vestir o nosso povo com a nossa própria arte”, afirma. Ela conta que a paixão pela produção e a criatividade começaram ainda na infância, ao produzir vestuário para suas bonecas. Hoje, a costureira já fez mais de 80 fantasias de carnaval para todas as idades. 

Os empreendedores da Maré constroem diversas alternativas para garantir a renda extra, ampliar os negócios e exalar a criatividade,  transformando este período em uma folia de oportunidades para a economia da favela.

Compartilhar notícia:

Inscreva-se

Mais notícias
Related

Povo negro resiste frente às estruturas de discriminação racial 

Racismo institucional é alimentado pela falta de reconhecimento do racismo estrutural, pela sub-representação de pessoas negras em cargos de liderança e pelo apagamento da contribuição e identidade negra na história e na cultura

Evento leva atividades pós-carnavalescas gratuitas para Fiocruz

Amanhã, das 10 às 16h, atração musical, atividades externas, oficinas, exposições e teatro dão o tom do “Quero + Folia no Museu”, um evento que vai abrir as portas da FioCruz