Moradores denunciam falta de água na Maré

Com falta de água no início da pandemia, comunicadores da Maré divulgaram cartazes pelo território. - Foto: Página Maré Vive

O problema preocupa a população do território com mais casos de covid-19 entre as favelas do Rio

Por Thaís Cavalcante, em 18/11/2020, às 16h30
Editado por Andressa Cabral Botelho

Chove lá fora e falta água dentro da casa do mareense, assunto falado por moradores das várias favelas da Maré, nos últimos dias. Segundo moradores, no Parque União, o funcionamento da água segue normalmente, assim como na Baixa do Sapateiro. Já no Morro do Timbau, há denúncias que desde domingo está sem água. Nas favelas Nova Holanda, Nova Maré e Salsa e Merengue o fluxo é fraco.

Rafael Ferraz, morador da Baixa do Sapateiro e baixista da Banda Agona, já está em alerta desde que viu relatos da falta de água e percebeu, ao abrir a torneira, que a água está com fluxo fraco. “Já não estou lavando roupa na máquina para ver se consigo economizar. Feriado está chegando e quero ter água aqui. Comentei com meus vizinhos aqui da rua”. Uma realidade alarmante para o Conjunto de Favelas da Maré, que é o território popular com mais casos confirmados de covid-19 na cidade do Rio de Janeiro. Neste momento (18/11), são 1.970 pessoas infectadas e 163 mortes pela doença, segundo levantamento do Painel Unificador COVID-19 Nas Favelas. 

 Ana Freire, moradora do Salsa e Merengue, pós-graduanda em Gestão em Saúde, sente a água mais fraca desde domingo. Ela conta que  há  moradores que sofrem mais por conviverem com esgoto a céu aberto. “Aqui temos o privilégio de ter caixa d’água e água da rua, mas esses dias ela não chegava nem no chuveiro, só à noite começou a ficar mais forte”. Ana completa, ainda: “A gente sabe que lavar as mãos e os alimentos são ações preventivas que a Organização Mundial da Saúde orientou contra a covid-19, mas muitas pessoas não têm esse privilégio”. 

A falta de água tem impactado outras localidades da cidade do Rio. No Morro da Baiana, no Complexo do Alemão, moradores estão há 15 dias sem água. No Morro Santa Marta, em Botafogo, o abastecimento não acontece há seis dias.

Em comunicado da Companhia Estadual de Água e Esgoto (CEDAE), a falta de água acontece devido ao reparo emergencial em um dos motores que bombeiam água na Elevatória Lameirão, que abastece os municípios do Rio e Nilópolis. O abastecimento de água foi reduzido em 25%. A normalização estava prevista para terça-feira (17), mas continua em andamento e, para minimizar o problema, foi criado um Plano Emergencial de Operação. A concessionária estima um prazo de 48 horas para que o serviço seja restabelecido. 

Vale lembrar que em setembro, durante a manutenção anual na Estação de Tratamento de Água (ETA) Guandu, foi identificado um vazamento no conjunto de equipamentos responsáveis pelo bombeamento de água na mesma Elevatória. Na época, a manutenção anual que duraria cerca de 12h, se tornou um reparo de dias, fazendo com que moradores da região de Campo Grande, Zona Oeste da cidade, ficassem mais de 72h sem abastecimento de água.

Para aqueles moradores que possuem cisterna ou caixa d’água, a orientação da Cedae é que usem a água armazenada e economizem água. Um pedido que não alcança a população que tem a torneira seca e já está buscando alternativas com amigos e parentes para realizar os serviços básicos do dia a dia, como tomar banho e se alimentar.

O desafio de garantir o direito à água é travado pelos moradores de favelas e áreas mais vulneráveis desde o início da pandemia global de covid-19. Em março deste ano, o Complexo do Alemão, Morro do Borel – Tijuca, Morro da Babilônia – Copacabana, Conjunto de Favelas da Maré e outras 140 localidades da cidade carioca ficaram com a torneira seca. Como medida para minimizar o impacto do problema, as ouvidorias da Defensoria Pública e do Ministério Público criaram um formulário para mapear as localidades que estão sem água. 

Está sem água? Preencha o formulário da Defensoria Pública: https://survey123.arcgis.com/share/1c52f06ec5784460a30ebe14a0c3a574
Informe a falta d’água para a Cedae, ligue: 0800-282-1195

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