Operação policial em Marcílio Dias ultrapassa 30 horas

Data:

Pela Redes da Maré, em 30/10/2021 às 15h00

A operação policial que começou ontem (29/10) às 5h30 da manhã em Marcílio Dias, uma das 16 favelas que formam o Conjunto de Favelas da Maré ainda não acabou. A ação, comandada pelo 16º BPM (Olaria) da Polícia Militar do Estado do Rio dura mais de 30 horas, tem a presença de veículos blindados (caveirões), blazers e apoio de um helicóptero.

A equipe da Redes da Maré fez 5 atendimentos de violações de direitos. Hoje (30/10), pela manhã, moradores relataram que policiais entraram nas casas sem autorização (mandado judicial) e usaram as lajes como esconderijo. A prática conhecida como “tróia” – quando policiais se escondem nas residências e, em muitas situações, miram e atiram em pessoas suspeitas -, é comum nas favelas cariocas com resultados desastrosos. Em julho deste ano, Kathlen Romeu, de 26 anos, foi morta no Complexo do Lins nesta prática. Ela estava grávida de quatro meses e moradores relataram, na ocasião, que os PMs estavam escondidos dentro de uma casa e de lá realizaram os disparos que acertaram a jovem.

Na operação de Marcílio Dias foram identificados homens armados, que circulavam pelas ruas sem uniformes da polícia, em carros descaracterizados, e que acompanhavam os agentes do 16º BPM. Há a suspeita de que se tratava de agentes da Polícia Civil. No entanto, as assessoria de imprensa da Polícia Civil, informou em nota que não houve operação na área no dia de ontem (29/10).

Esta ação policial acontece no período de vigência da liminar proferida em de 2020, limitando as operações policiais em favelas durante a epidemia de covid-19, a não ser em situações de excepcionais. Essa decisão liminar faz parte da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, conhecida como ADPF das Favelas e que pleiteia no Superior Tribunal Federal a garantia de direitos durante as operações policiais em favelas do Rio de Janeiro. A decisão também aponta que, em caso de excepcionalidade, as operações devem ser previamente notificadas ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. No entanto, o MPERJ informou que não houve comunicação da operação.

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