Projeto social da Maré trabalha inclusão social através do esporte

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A iniciativa Rogi Mirim atua há 25 anos sem patrocínio ou apoio financeiro

Samara Oliveira 

Uma paixão inesperada aos 20 anos repleta de parceria, amor, renúncias e transformações. Parece casamento, mas não é. Estamos falando do projeto social Rogi Mirim fundado pelo mareense Glaucio Aleixo, de 45 anos. A paixão foi inesperada porque curiosamente Glaucio nunca gostou de futebol e o projeto fundado e mantido por ele há mais de duas décadas é uma escolinha que fomenta a prática do esporte para cerca de 250 crianças de 3 a 10 anos. 

Para entender melhor essa história, precisamos voltar no tempo de quando Glaucio foi convidado para apitar uma partida de futebol. 

“Meu sonho sempre foi cantar, mas Deus achou melhor trocar este sonho e em 1998 um amigo me chamou pra apitar uma ‘pelada’. Eu fui e me apaixonei pelo futebol. Alguns dias depois vendo a ociosidade das crianças, vendo elas cada dia mais indo pro lado errado, vendo crianças e adolescentes de 13 anos não voltando pra casa… não porque não são bem criadas, mas porque seus pais trabalham e não têm com quem deixar seus filhos ou pagar a alguém para olhar. Sendo assim montei o projeto. Na primeira semana tinha apenas 10 alunos e na segunda já tinha 100”, relembra o treinador.

Já a renúncia está ligada a escolha que o treinador fez para conseguir continuar tocando o projeto. Glaucio decidiu que trabalharia como entregador de comida por aplicativo porque até o momento, foi o único jeito que encontrou para conciliar seu sustento com a iniciativa.

“Toda vez que vejo o sorriso nos olhos destas crianças revigora mais ainda a vontade de continuar. Alguns me chamam até de pai. Não queria chegar no final da minha vida e ver que eu podia ter feito a diferença e não fiz nada. Afinal, se você não usa sua vida para ajudar outra vida do que serve viver?”, reflete.

Falando em fazer a diferença, Glaucio relembrou também da história que marcou sua vida há cerca de seis anos.Todos os dias durante o treino, o professor notou um jovem que observava ao redor do campo os jogos que aconteciam.Ele se aproximou e descobriu que o rapaz tinha o sonho de começar a jogar, mas não podia na época por fazer parte de um dos grupos civis armados da região. Glaucio conseguiu reverter a situação. O jovem entrou no projeto, não seguiu carreira, mas mudou o rumo da vida construindo família e trabalhando.

Os treinos acontecem no mesmo lugar até hoje. No Campo da Toca, na Vila dos Pinheiros, de segunda à sexta durante todo o dia. As categorias são divididas entre sub 6 ao 17. Apesar da constância e do tempo que a iniciativa existe no território, Glaucio não conta com nenhum apoio financeiro público. Os custos saem do próprio bolso e de outros voluntários do projeto. E aí está a parceria que dá certo e faz o projeto durar todos esses anos. 

O jogador de futebol Felipe Wallace, 31, é um desses voluntários que há um ano também foi tocado pela iniciativa e agora integra o projeto como um dos treinadores. 

“Mesmo sem ajuda vamos firme e forte com amor e esperança em dias melhores a todos eles. Eu enxergo que esse projeto é um canal de luz e expectativas muito boas no amanhã para se tornarem grandes cidadãos ou atletas profissionais”, afirma.

Conquistas 

Apesar de somar mais de 60 títulos desde a fundação contabilizando todas as categorias, o tque o projeto mais se orgulha em apresentar é o de serem  “campeões de Influenciar na formação do cidadão de maneira positiva buscando a inclusão social através de iniciativas e ações interação social cooperativa e competitiva de forma consciente e reflexiva”, como está definido no site oficial do projeto.

Mas além dele, é importante mostrar também algumas conquistas alcançadas dentro das quatro linhas. O time já foi campeão da Copa FAFERJ no Maracanã (1998), da Blue Cup. sub 17 e sub 13 (2016 ),  vice campeão da Zico Sub 13 (2016), vice campeão Carioca Sub 17 (2013), pentacampeão da Copa Roberto Dinamite (2004, 2006, 2007, 2009 e 2010), campeão da Copa Carioca Sub 13 e sub 15 (2018), entre outros título internos disputados dentros de outras favelas. 

Para ajudar a equipe basta doar qualquer valor para chave pix [email protected]

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