Um agosto bem dourado

Gestante durante evento sobre agosto dourado na Clínica da Família Adib Jatene - Foto: Douglas Lopes

O amor ao leite materno que é vida para os bebês

Hélio Euclides

Em algum momento você já ouviu falar em outubro rosa e novembro azul, campanhas voltadas para a prevenção de doenças da mulher e do homem. Mas você sabia que o mês de agosto tem a cor temática dourado? O objetivo da campanha é estimular para se manter a amamentação com leite materno exclusiva dos bebês e sem o uso de fórmula ou complementos industrializados no início da vida. Outro objetivo é o incentivo à doação do leite materno, ajudando outras mães que não conseguem produzir o alimento.

O tema deste ano é Apoie o aleitamento materno – por um planeta mais saudável. A ideia é evidenciar como a adoção de hábitos alimentares saudáveis, reduzindo o consumo de alimentos industrializados, ajuda a diminuir os danos das grandes indústrias ao meio ambiente. Ou seja, amamentação e preservação do planeta podem andar juntas. 

A amamentação materna na primeira infância é essencial à saúde dos bebês, e é recomendado que o aleitamento materno seja exclusivo até os seis meses de idade. Além de hidratar, nutrir e sustentar, o leite materno reduz em até 20% a mortalidade dos recém-nascidos. A composição do leite materno é perfeita para o desenvolvimento sadio das crianças, além de ajudar na prevenção de doenças e infecções. Estudos afirmam, inclusive, que a ingestão do leite humano nos primeiros meses de vida tem efeitos benéficos que acompanham da infância à vida adulta.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o leite materno é o alimento ideal para a criança, pois é totalmente adaptado às necessidades do bebê nos primeiros anos de vida. Produzido naturalmente pelo corpo da mulher contém anticorpos e outras substâncias que protegem a criança de infecções comuns enquanto estiver sendo amamentada. A recomendação atual é que a criança seja amamentada já na primeira hora de vida e por dois anos ou mais. Em tempo de pandemia, as evidências científicas demonstram que o coronavírus não passa pelo leite materno.

Uma doação de vida

Toda mulher que amamenta é uma possível doadora de leite materno. Para doar, basta ser saudável, sem sintomas de infecções e não tomar medicamento que interfira na amamentação. O leite extraído deve ser armazenado em potes de vidro com tampa plástica e pode ficar no freezer ou no congelador por até 10 dias. Não há uma quantidade mínima para ser doada e a mulher pode realizar o procedimento quantas vezes quiser em sua fase de amamentação. É importante saber que a cada litro, até 10 bebês internados são beneficiados. O leite é coletado na casa das mulheres doadoras numa parceria com o Corpo de Bombeiros, portanto não há custo algum em doar apenas benefício. A doação além de ajudar aos bebês que precisam, também ajuda a que doa, pois estimula a produção de  leite materno.

O banco de leite humano é um setor de hospitais-maternidade responsável pela promoção, proteção e apoio do aleitamento materno. Ele também realiza a coleta da produção excedente de mulheres que estão amamentando. De janeiro a julho, as 408 doadoras do Hospital Estadual da Mulher e as 221 do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes doaram 458,6 litros de leite, que foram distribuídos para 518 bebês. A marca foi alcançada por causa da estrutura de visita domiciliar ofertada pelas duas unidades, que busca o leite a ser doado na residência das lactantes cadastradas.

O Banco de Leite Humano do Instituto Fernandes Figueira, da Fiocruz, é centro de referência para toda a rede de hospitais-maternidade. Em 2019 o banco atendeu 7.365 mulheres em fase de amamentação e 2.359 mulheres doaram mais de 2,7 mil litros de leite, que atenderam 538 recém-nascidos prematuros internados na unidade de tratamento intensiva neonatal do Instituto Fernandes Figueira. O leite passa por um processo de pasteurização e um controle de qualidade bem rigoroso até chegar no bebê internado. 

No Brasil são 222 unidades disponíveis de banco de leite humano disponíveis para atender essas mulheres e distribuir leite de qualidade para esses pequenos prematuros. Destas, 18 estão no estado do Rio de Janeiro. Quem desejar ser doadora pode procurar um banco de leite humano. Alguns oferecem o serviço de visita domiciliar, que buscam a doação na casa da lactante. 

Os bancos, além de ceder os recipientes para a doação, instruem sobre o manejo correto e sobre cuidados que as doadoras devem ter ao coletar o leite, além de explicar os procedimentos pré e pós-coleta. Quem não é lactante e quiser integrar dessa corrente do bem, pode participar entregando frascos de vidro com tampa plástica para armazenamento do leite materno. No site da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano tem mais informações sobre o serviço. Também é possível entrar em contato com o número 136.  

Por uma Maré de leite

O dia 25 de agosto foi de festa na Clínica da Família Adib Jatene, na Vila dos Pinheiros. Mulheres grávidas e gestantes foram convidadas para participar do evento que faz parte das comemorações do Agosto Dourado. As mulheres receberam informações sobre a saúde da mãe e do bebê. “Nossa unidade está num território com muitas gestantes. Esse encontro é para ajudar essas mulheres nas suas dúvidas e incentivar que elas se tornem doadoras”, diz Michele Galdino, gerente da clínica.

No evento, as palestras abordaram os temas amamentação é amor, prejuízo da chupeta e mamadeira, banco de leite humano, o mito do leite fraco, alternar os seios para a mamada, além da explicação das três etapas da mamada de cada peito: primeiro o bebê suga para matar a sede, a segunda rico em proteínas e por fim recebe a gordura. Também foi mostrado que cada criança tem o seu metabolismo, então não pode haver comparações. Os profissionais revelaram o poder do leite materno, que sai quentinho e prontinho. Por fim, incentivaram a ida ao dentista e pediatra, a força do teste do pezinho, a eficácia da vacina na vida da gestante e do bebê e o apoio do pai nessa hora tão delicada. 

“Muito importante esse evento para mostrar que a gravidez não é um bicho de sete cabeças. Eu tive um bom pré-natal e parto na Maternidade Fernando Magalhães, com informações. Isso me ajudou como mãe”, conta Jéssica Soares, de 19 anos, que teve seu primeiro filho. Vânia Moreira, de 40 anos, já está grávida do quarto filho e disse que com o primogênito foi difícil. “Descobri que o meu leite não durava os seis meses necessários. Precisei de muita informação para compreender. Sempre falo para as mães mais novas que é primordial o carinho, a paciência e o amor para o bebê”, conclui. 

Evento para falar do aleitamento e gravidez reuniu mães, pais e profissionais da saúde na Clínica da Família Adib Jatene – Foto: Douglas Lopes

O aleitamento materno em números

O Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil realizou uma pesquisa que avaliou 14.505 crianças entre fevereiro de 2019 e março de 2020, que revelou:

  • 45,7% das crianças menores de 6 meses estavam em aleitamento materno exclusivo no país. 
  • 60% das crianças com idade inferior a 4 meses estavam com aleitamento materno exclusivo no país. 
  • 53,1% das crianças com idade de 12 a 15 meses estavam em aleitamento materno continuado.
  • 60,9% das crianças menores de 24 meses foram amamentadas. 

Os resultados mostram a importância de estratégias para apoiar a amamentação, além de reforçar os benefícios já conhecidos da amamentação para as crianças e mulheres.

Consumo alimentar 

No Estado do Rio, das crianças entre 6 e 23 meses:

– 30% consomem bebidas adoçadas;

– 20% consomem macarrão instantâneo ou salgadinhos de pacote; 

– 27% consomem biscoito recheado, doces ou guloseimas;

– 13% Consomem hambúrguer e/ou embutidos;

Fonte: SISVAN, 2019 (http://sisaps.saude.gov.br/sisvan/relatoriopublico/index)

Os meses temáticos da saúde:

Janeiro – Branco: É um alerta sobre a saúde mental. 

Fevereiro – Roxo / Laranja: A campanha roxa é referente à conscientização da lúpus, do Mal de Alzheimer e da fibromialgia. Também tem uma campanha alaranjada para conscientizar sobre a leucemia.

Março – Azul Escuro: Voltado ao debate sobre a prevenção ao câncer colorretal.

Abril – Azul: voltado ao debate sobre o autismo.

Maio – Amarelo / Vermelho: É destinado à prevenção de acidentes de trânsito. Já o vermelho tem como objetivo principal informar sobre a hepatite.

Junho – Vermelho / Laranja: O laço vermelho é indicativo para a importância de doar sangue. O mês ainda se colore de Laranja para se conscientizar sobre a anemia.

Julho – Amarelo: Traz à tona a conscientização sobre o câncer ósseo e também às hepatites virais.

Agosto – Dourado: Mês destinado às informações sobre o aleitamento materno.

Setembro – Vermelho / Verde / Amarelo: O vermelho é para ressaltar a importância de cuidarmos da saúde do coração. O período também destaca ações sobre a doação de órgãos e a prevenção do câncer no intestino, usando a cor verde. Já a campanha que usa a cor amarela é a campanha para prevenção de suicídio.

Outubro – Rosa: Dedicado à conscientização sobre o câncer de mama.

Novembro – Azul: Para conscientizar a pessoas sobre a importante de prevenir e combater o câncer de próstata. Além disso, a cor também serve para campanhas voltadas aos cuidados da diabetes. Dezembro – Laranja / Vermelho: A campanha laranja serve para conscientizar sobre a importância de combater o câncer de pele, enquanto a vermelha ressalta a necessidade de prevenir a AIDS.

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