Violações de direitos marcam operação na Maré nesta segunda

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Nas vésperas das eleições governamentais e presidenciais moradores da Maré lidam com o pânico e diversas violações

Por Redação, em 26/09/2022 às 16h32

A operação policial que começou na madrugada desta segunda-feira (26) nas favelas da Maré é marcada pela violação de direitos dos mareenses – e estava em curso até a publicação desta reportagem. Muitas residências foram invadidas pelos policiais, com depredação do patrimônio de moradores e sem mandado judicial. Uma das pessoas que morreram duraante a ação foi um comerciante de um evento que ocorre aos domingos na favela Vila do Pinheiro, onde a operação foi iniciada. Uma jovem que também estava presente no evento foi pisoteada durante a tentativa de saída do local e ficou com o rosto seriamente ferido. 

Por volta das 12h, uma casa na Baixa do Sapateiro foi invadida por integrantes do grupo civil armado do local e o proprietário foi mantido em cárcere. Pelo menos 14 pessoas ficaram dentro da residência por cerca de 2 horas até que se apresentaram aos agentes policiais que ocupavam a rua. Familiares que estavam em busca de informações foram impedidos de acessar o local e afastados com o uso de spray de pimenta pelos policiais. Os agentes também negaram a possibilidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegar até o local para prestar socorro.

A equipe do Maré de Direitos, projeto da Redes da Maré, esteve no local para articular uma mediação entre familiares e moradores com os agentes policiais. Após 2 horas de cárcere, 14 pessoas foram encaminhadas para a 21ª Delegacia da Polícia Militar e 3 para o Hospital Geral de Bonsucesso, um deles já tem óbito confirmado – um jovem de 14 anos, que foi atingido na porta de sua casa. A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informou em nota que a operação segue em curso e 26 pessoas foram presas e 5 pessoas mortas.

Além das escolas e postos de saúde com funcionamento interrompido, organizações sociais como o Projeto Uerê – que pela segunda vez teve sua sede atingida durante a operação, Luta pela Paz, CEASM, Museu da Maré e outros também suspenderam ações e atendimento nesta segunda na Maré. A Linha Amarela foi bloqueada por um período e também houve tentativa de fechamento da Avenida Brasil, impedida por policiais. Outras regiões da cidade (Cidade Alta, Cinco Bocas, Pica Pau – Parada de Lucas, Brás de Pina e Vigário Geral, Guarabu – Ilha do Governador, Complexo da Serrinha – Madureira, Comunidades do São Carlos, Zinco, Mineira e Querosene – Complexo do São Carlos e Morro dos Macacos) também foram alvos de incursões policiais.

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