” Precisamos pensar em acesso à cultura para toda a cidade, com a arte chegando a todos”, diz Marcus Faustini, secretário de cultura

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Em coletiva de imprensa, secretário conversou com mídias locais sobre novas formas de se olhar para a cultura

Por Hélio Euclides, em 03/03/2021 às 20h
Editado por Andressa Cabral Botelho

Os jornais comunitários, alternativos e de bairros foram chamados para uma coletiva de imprensa na manhã de terça-feira (02), na sede da Prefeitura do Rio de Janeiro, com Marcus Faustini, secretário municipal de cultura. A pauta da reunião foi a descentralização da cultura, e, a partir dela, pensar em formas de investimento cultural para toda a cidade, com um olhar para a periferia. No encontro, foi detalhado o que se pensa para o futuro da secretaria e os planos da pasta para este momento. O Maré de Notícias esteve presente e fez as seguintes perguntas:

Maré de Notícias: Qual é a situação da Secretaria de Cultura neste momento?

Marcus Faustini: No primeiro momento estamos colocando uma lona para ser usada como remendo. Vamos administrar a cultura para todas as regiões da cidade, dividindo igualitariamente o orçamento e abrindo canais de diálogo com a iniciativa privada. Pensar no investimento correto para o local certo. Para isso, é preciso entender cada projeto de cultura. Não vai ser fácil, só vai haver diálogo se a secretária conseguir a confiança da população. Estou sentando com todas as correntes políticas para um olhar de que cultura é política pública. 

MdN: Quais são os planos vislumbrados para os primeiros meses do secretariado? 

MF: Vamos agora ver a realidade local da periferia e, no futuro, fomentar pontos de culturas, criando uma cadeia produtiva cultural e, assim, pensar em investimentos para esses grupos. Uma inovação inicial da nossa secretaria é ter um Setor em Práticas Antirracista, que vai avaliar todos os editais para evitar erros.  

MdN: Como apoiar o artista da periferia e/ou favela nesse momento?

MF: É necessário articular com a localidade, respeitando o que é feito em cada território. Precisamos pensar em acesso à cultura para toda a cidade, com a arte chegando a todos, sendo mais democrático. Um dos objetivos é ter diálogo com os grupos culturais e trazer inovação a partir dos padrões do território. Outro objetivo que temos é que os equipamentos possam atender as mulheres em situação de risco. Esses espaços precisam abrir o dia inteiro para a população, tendo uma relação com o território e não sendo apenas um templo da arte. 

MdN: Quais são as propostas para estes locais, já que muitas ações tiveram fim com a antiga gestão e a pandemia?

MF: É indispensável proporcionar a inclusão através da cultura e diversidade. Essa inclusão não é apenas levar a criança ao museu; é pensar nas lonas culturais, por exemplo, como essa forma de inserção. Para isso, os veículos locais de comunicação são de grande importância para dar visibilidade a esses espaços. Depois da pandemia, pretendemos organizar uma conferência que gira em torno dos seguintes assuntos: como acabar com a disputa entre projetos, criar uma participação de associações e produtores no conselho e ter o Rio no debate nacional de cultura. É conciso que as iniciativas inovadoras cheguem para as zonas Oeste e Norte. Fico muito feliz que, agora em 2021, a Flup (Festa Literária das Periferias) será em Santa Cruz.

MdN: O senhor tem, em sua trajetória, grande ligação com a juventude. Como captar a participação da faixa etária para ações culturais e de fomento?

MF: Para concretizar as etapas, pensamos na possibilidade do Primeiro Emprego, como forma de engajamento da juventude. Nosso primeiro passo foi realizar uma oficina para ensinar como lidar com o ISS (Imposto Sobre Serviços), que pode ajudar os projetos. 

MdN: Há um percentual de pessoas jovens trabalhando na secretaria hoje?

MF: Estamos com uma galera jovem na secretaria, sim, como no setor de comunicação. A partir de março essa juventude organizará um programa na Rádio Roquete Pinto e queremos chamar quem faz cultura na cidade.

MdN: O que o morador do Conjunto de Favelas da Maré pode esperar dentro da esfera cultural e como fica a situação da Lona Cultural Herbert Vianna? 

MF: A atual situação da Lona Cultural da Maré é difícil. Temos que superar o descaso do governo anterior e buscar o diálogo para resolver os problemas financeiros. Na Maré, a Lona está há muito tempo sem receber verba. Estamos fazendo o diagnóstico físico e não dá para fazer uma Areninha, mas é o momento de recuperar o espaço. A gestora de lonas, Cíntia Monsores, vai nos ajudar nessa missão. Tivemos que fazer cortes com os gestores de todas as lonas, mas é preciso levantar os equipamentos, encontrar o caminho. Elas são canais para a democratização ao acesso à cultura, mas é preciso investimento e para isso temos que ter o apoio da iniciativa privada e da sociedade civil. Ano que vem vamos rediscutir as gestões. As lonas e teatros são prioridades e precisam de recuperação estrutural. A gestão da Lona da Maré pode nos ensinar muito. Queremos que no futuro a manchete seja: a Maré se assemelha a Montmartre, um bairro de artes de Paris.

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