A superação na pandemia

Moradores da Maré encontram no empreendedorismo oportunidade de obter renda extra durante a pandemia - Foto: Na Brasa

Empreendedores se reinventam para vencer vírus e crise

Hélio Euclides

Muitos foram os empreendedores surpreendidos com a pandemia e a crise econômica que veio junto, mas poucos foram aqueles que adotaram medidas estratégicas para superá-la. Mesmo com a reabertura de lojas, em um mercado sem dinheiro, foi preciso criar alternativas para manter a saúde dos negócios. Com boas ideias e aproveitando toda oportunidade possível, os que se adequaram à entrega dos produtos, ou seja, o popular delivery, saíram na frente. “Antes eu não trabalhava com delivery. Agora estamos tentando recomeçar, fazendo entregas para sobreviver. Ainda não está bombando, mas vamos em frente”, comenta Maria do Amparo Bezerra Lopes, proprietária do Bar Amparo, na Baixa do Sapateiro, na Maré.

 Segundo o Sebrae, os setores considerados essenciais vêm conseguindo mostrar maior resiliência, como supermercados, proteínas, farmácias, setores de serviços, como telecomunicações, serviços públicos, como saneamento e transmissoras de energia. Do outro lado, setores mais afetados pelas regras de isolamento social foram aviação, turismo, bares e restaurantes, shoppings e vestuário. O isolamento social na economia trouxe a restrição de funcionamento, piora na renda e queda na confiança, gerando resultado como a queda no consumo.

 Na Maré, onde os empreendedores não costumam ter reservas financeiras, a situação foi mais delicada. Polyanna Lourenço, da “Sabor & Arte”, estabelecimento que vende pizzas e massas na Nova Holanda, uma das 16 favelas da Maré, anda desanimada. “No começo da pandemia não atendemos com mesa, só com entrega e sempre com higienização e máscara. Foi bem difícil. Na verdade ainda está bem difícil. As mercadorias dobraram os preços, estamos em uma verdadeira crise”, diz. Ela completa que o movimento está muito fraco e responsabiliza o  aumento de preços e o desemprego. Para chamar a atenção da freguesia, passou a fazer promoções, onde comprando 10 pizzas, ganha-se outra. E teve resultado. “Ajudou a impulsionar a venda”, diz Lourenço, mais aliviada. 

Como toda crise gera oportunidade, muitos que se viram desempregados tiveram de aprender a ser empreendedores. Há duas semanas, Juliane Pantaleão e João Vitor, seu noivo, partiram para uma nova empreitada. Eles abriram o “Na Brasa”, onde vende frango assado e empadão feito na churrasqueira na calçada no Parque Maré, também na Maré. “Com a pandemia, o meu salário reduziu e além disso precisamos de uma renda extra. Não está sendo fácil, é uma correria. Realizamos as compras na noite de sexta e preparamos tudo para o sábado e domingo. Nós tínhamos uma expectativa bem maior de venda, mas estamos trabalhando na divulgação e estamos confiantes”, conta Juliane. A confiança é tamanha que eles já planejam ampliar o negócio.

Assim como o casal, a cada dez brasileiros, oito começaram a trabalhar no  comércio de rua, é o que revela levantamento feito pelo C6 Bank/Datafolha. A pesquisa ouviu 1.536 pessoas entre os dias 21 e 31 de agosto. E muitos se formalizaram neste período da pandemia. Entre 31 de março e 1º de agosto foram registrados mais de 593 mil novos microempreendedores individuais (MEIs) e 85 mil  novas micros e pequenas empresas em todo país, segundo o Ministério da Economia.  “A confecção de máscaras foi uma das grandes alternativas de renda para muitos no início da pandemia. Outros mudaram de ramo, abrindo negócios na área de alimentação, como venda de bolos e lanches. A realidade do on-line trouxe necessidade de utilizar mais as redes sociais e os aplicativos de entrega. O WhatsApp também se tornou uma grande ferramenta, com as vendas através do aplicativo”, diz Guilherme Allan, analista do Sebrae Rio que tem oferecido capacitações para os novos empreendedores.

Dados do empreendedorismo na pandemia

Entre 02 a 22 de junho, o SEBRAE RIO ouvi 435 pequenos e médios empreendedores. Veja o resultado:

Expectativa de reabertura da empresa:

84,7% empreendedores se mostram otimistas quanto à retomada.

Canais que utiliza para realizar vendas?

  • 77,9% WhatsApp
  • 72,4% redes sociais
  • 26,4% telefone

E uma outra pesquisa o Sebrae Rio ouviu 550 empreendedores entre 27 a 30 de julho de 2020 sobre os Impactos do coronavírus nos negócios:

  1. A sua empresa está funcionando neste momento?
  • 10% igualmente antes da crise
  • 56% com mudanças
  • 31% está com funcionamento interrompido
  • 3% fechamento 
  1. Como você expandiu suas vendas?
  • 41% vendas on-line
  • 17% passou a fazer delivery 
  • 26% mudou a linha de serviços
  1. Como o seu negócio está sendo afetado pelo coronavírus em termos de faturamento mensal, em relação a um mês normal?
  • 87% diminuiu
  • 4% aumentou
  • 5% continua igual

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