Acesso à internet ainda é precário na Maré

Foto: Douglas Lopes

Acesso à internet ainda é precário na Maré

Por Amanda Pinheiro, em 25/06/2021 às 11h

O acesso à internet, pode parecer que sim, mas ainda é limitado em muitas regiões do Brasil. Apesar de ser algo essencial em muitos lares, sobretudo no atual contexto, muitas pessoas ainda enfrentam dificuldades quando o assunto é conexão. E esse é o caso dos moradores da Maré. 

Segundo o levantamento realizado pelo Censo Maré, da Redes da Maré,  o acesso à internet alcançava 17.515 domicílios, o que corresponde a 36,7% do total. No entanto, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, havia computador com acesso à internet em 56,1% dos domicílios, de acordo com segundo a PNAD de 2013. Deve-se considerar que este alcance já é maior, devido ao crescimento do acesso à internet no país. 

Na Maré, além das empresas locais, apenas a Oi atua com serviço de internet, no qual sofre constantes reclamações dos usuários. A estudante Victoria Farias, de 21 anos, é uma delas e contou que enfrenta instabilidades de conexão diariamente e dificuldade de resolução. “ É uma situação bem chata pois não podemos confiar na rede, planejar algo e saber que essa instabilidade pode nos atrapalhar ou atrasar. Fiz a pesquisa por outras operadoras mas nenhuma fazia instalação na favela e, na época, também não tinha a rede UniNorte, então optei pela contratação da Oi, porque não havia opção.”

A moça já ficou meses sem conseguir acesso à internet. “Ultimamente, o atendimento tem sido rápido, porque costumam resolver em três dias úteis no máximo. Mas há alguns anos, fiquei quase dois meses sem internet, pois eles não vinham consertar. Na época, não usava para trabalhar então foi ruim pela questão de entretenimento mesmo”,  afirmou a estudante

Gizele Martins, jornalista e moradora da Maré, em publicação sobre a limitação de conectividade no território

Procurada pelo Maré de Notícias, a operadora Oi não retornou o contato feito pela equipe da reportagem. Uma alternativa para os moradores é a internet local, mas que não está livre  de problemas, mas são mais fáceis de resolver.

A falta de acesso à internet, sobretudo com o aumento do trabalho, estudos e cursos de maneira remota, evidencia também outro tipo de desigualdade social e um olhar mais atento do poder público sobre este problema de acesso e exclusão. Uma vez que, além dos estudos e crescimento profissional, os moradores não têm direito ao entretenimento com os streamings que necessitam de conexão. 

Outra estudante que também enfrenta o problema é Michele Gomes, de 22 anos.  “ Ter uma internet instável é ruim porque me atrapalha de estudar. Eu faço curso de espanhol e pré-vestibular remotamente. Já perdi aulas, tive que correr atrás para recuperar”, relata a moça que mesmo usando internet local já ficou dois dias sem acesso. “ Eu fiz a contratação com a internet local porque o serviço da Oi, que eu tinha antes, era horrível. Eles alegam que os megas (velocidade de internet) contratados não são possíveis aqui. Apesar de ser instável, essa internet até funciona bem e quando tenho problemas eles resolvem rápido, concluiu’’. 


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Edu Carvalho

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