Campanha desenvolve trabalho para falar sobre mudanças climáticas na Maré

Campanha desenvolve trabalho para falar sobre mudanças climáticas na Maré

Por Laerte Breno, em 29/01/2021 às 12h

Editado por Edu Carvalho

A favela está mais atenta sobre mudanças climáticas? Nos debruçamos com esse tema rotineiramente nas transmissões jornalísticas, atualmente quando vemos sobre as queimadas na Amazônia e no Pantanal, ou até nos comerciais. Mas, não estamos apenas vendo tudo pela televisão, estamos também sentindo na pele as alterações climáticas acontecendo ao nosso redor, como na Maré, por exemplo. Esse processo pode ser ocasionado tanto por mudanças naturais ou, principalmente, com a ação humana afetando o meio ambiente e criando um aumento ou diminuição brusca da temperatura na localidade da Maré e modificações nos padrões e volume de chuvas.

A Campanha Climão, uma das frentes do projeto Maré Verde da Redes da Maré, selecionou colaboradores do conjunto de favelas pela Chamada Pública A Maré que Queremos para trabalhar na sua equipe. Desde novembro o grupo desenvolve trabalhos com o objetivo de entender dados e informações sobre as mudanças climáticas e traduzir para uma linguagem que os moradores de favela e demais áreas periféricas tenham acesso e consigam se aproximar do tema. A ideia é produzir materiais de comunicação para sensibilizar a população sobre a importância de pensarmos sobre as mudanças climáticas e como elas afetam a cidade e, em específico, as favelas. 

No contexto da Maré, os efeitos das mudanças climáticas podem ser sentidos na Rua Teixeira Ribeiro, na Rubens Vaz, na principal da Vila do João, na Maré como um todo, especialmente nos becos e vielas, longe das copas volumosas das árvores como, por exemplo, no bairro do Jardim Botânico. Com o calor extremo, a expectativa de vida dos idosos é encurtada e as crianças, por conta do alto fluxo de carros que passam na Linha Amarela e Linha Vermelha, ficam suscetíveis a doenças respiratórias. Sem falar nas chuvas intensas, que além de causar alagamentos e dificultar a mobilidade do morador, podem também expor as pessoas a doenças, como a leptospirose.

Mas, ainda há possibilidades de mudanças. Por exemplo, o reflorestamento urbano e da área de mangue da Maré. Assim, o aumento das áreas verdes contribuem para uma melhor qualidade de vida da população favelada e também para toda a cidade. Por último, campanhas de coleta seletiva de lixo; saúde respiratória; redução da temperatura nas residências com cobertura mais clara (pintura dos telhados) ou, quando possível, telhado verde (plantas), entre outras tantas possibilidades que podemos fazer para cuidar da nossa favela e do ar que respiramos. 

Além disso, uma das ações iniciais que devemos colocar em prática é o compartilhamento de informações sobre esse tema. Então, converse com a sua família e vizinhos sobre as alterações climáticas, divulgue esse material! Quanto mais você compartilhar, mais fácil será engajar as pessoas da nossa favela e estaremos perto de criar ferramentas para se cuidar frente a essas mudanças .

Laerte Breno, 25 anos, Morador da Maré, Graduando em Letras pela UFRJ, Colunista, Educador, pesquisador e mobilizador social.

Edu Carvalho

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