Fórum Sobre Drogas completa cinco anos e busca novo olhar para políticas de saúde pública

Fórum reuniu orgzanições pensando novas políticas de saúde para usuários de drogas e álcool. Foto: Matheus Affonso.

Fórum Sobre Drogas completa cinco anos e busca novo olhar para políticas de saúde pública

Evento reuniu integrantes de iniciativas territoriais durante os dias 25 e 26

Por Samara Oliveira, em 26/05/2022 às 17h. Editado por Jéssica Pires

O Conjunto de Favelas da Maré recebeu na última terça-feira (24), o último dia da programação do Fórum Sobre Drogas na Maré. O evento teve início na segunda (23), e foi realizado no local que passa a abrigar o Espaço Normal, espaço de referência sobre drogas e saúde mental em favelas. O intuito do Fórum é promover um encontro entre os profissionais de saúde e organizações que trabalham a temática. 

A edição comemora os 5 anos de atuação do encontro, que surgiu em 2016, com o objetivo de fortalecer a rede de cuidado e saúde para o atendimento da população em situação de rua e de pessoas que fazem uso abusivo de álcool e outras drogas. 

Integraram o Fórum representantes do Espaço Normal (Redes da Maré); Casa das Mulheres da Maré (Redes da Maré); CAPSAd Miriam Makeba; CAPS Carlos Augusto Magal; CAPSI Visconde de Sabugosa; Consultório na Rua Manguinhos; Unidade de Acolhimento Adulto Metamorfose Ambulante; Centro Pop José Saramago e a organização Movimentos: drogas, juventude e favela. 

Fórum reuniu orgzanições pensando novas políticas de saúde para usuários de drogas e álcool. Foto: Matheus Affonso.

Ressignificando possibilidades

O redutor de danos do Espaço Normal, Deiv Cândido, ressaltou durante sua fala no Fórum que os profissionais são “disparadores de possibilidades”, afirmando a importância do trabalho de escuta feito pelos agentes. “Tudo pode ser uma clínica, né? A rua, a praça, a sala de aula. Então a gente está sempre tentando fazer essa escuta do usuário onde ele vive. Porque assim a gente vai conseguir entender qual o contexto territorial, qual a relação social que ele tem com o ambiente, com o outro e com a sociedade em si. A gente ser o disparador de possibilidades é isso. É refletir, entender com a pessoa o que é possível para ela, qual o limite dela, né? É essa relação de evoluir e aprender junto com quem tá aprendendo também. Essa é a visão”, afirma em entrevista ao Maré de Notícias. 

A programação do primeiro dia contou com profissionais das organizações expondo os trabalhos com a população durante a pandemia, atividade corporal com o Movimentos, roda de Rap e Hip Hop, Cine pipoca e serviço de consulta ao CadÚnico com o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP). Na terça-feira, a temática das mesas foi sobre geração de renda e autonomia, o impacto da guerra às drogas nos territórios participantes, atividade corporal com o Consultório na Rua Manguinhos, além do desfile “Maré Fashion Week” com integrantes da Casa das Mulheres, Consultório na Rua e Espaço Normal.

Integração e quebra de estigmas

O articulador social do SUS, Daniel de Souza, falou sobre a integração entre os movimentos que atuam na área. “A Redes da Maré conseguiu uma coisa que a gente vem tentando há muito tempo, que era juntar a assistência social, saúde, as ONGs, saúde mental e a população a pensar juntos como é que a gente pode resolver problemas, se juntar para trocar conhecimento, afetos e decisões. Então esse espaço aqui, é um espaço muito potente”, afirmou. 

Sobre os estereótipos de pessoas que fazem uso abusivo de álcool e outras drogas, o articulador concluiu: “Devemos olhar para essa pessoa como sujeito e como um sujeito de direito. A substância que ele usa não impede ele de nada, é mais uma coisa que o compõe  e não é ele como um todo”.

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Samara Oliveira

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