Instituições ocupam as ruas da Maré para lembrar Marcha pela paz

Marcha Contra a Violência na Maré –Rio 24-05-17.Foto Douglas Lopes

Instituições ocupam as ruas da Maré para lembrar Marcha pela paz

Ação mostra aos moradores a importância do Fórum Basta da Violência pela luta em conjunto pela paz

Por Hélio Euclides, em 26/05/2022 ás 07h. Editado por Edu Carvalho

Moradores, trabalhadores do território e pessoas de todos os cantos da cidade saíram de dois extremos da Maré – Conjunto Esperança e Parque União – para a Marcha contra a Violência. Era uma tarde de 24 de maio de 2017, e por onde passava o grupo o número de pessoas aumentava, chegando a cinco mil pessoas, em um protesto pacífico, reivindicando o fim da violência no Conjunto de Favelas da Maré.

A Marcha da Maré foi a primeira grande atividade do ‘Fórum Basta de Violência! Outra Maré é possível…’. Uma caminhada que teve como proposta mobilizar os moradores da Maré e de outras partes da cidade para pensar formas coletivas de visibilizar o contexto de violências, que até hoje as favelas cariocas vivenciam e causam efeitos no cotidiano dessa populações. “Mas uma vez queremos reivindicar o direito de ir e vir. Esse é o desejo de toda a cidade”, disse Marielle Franco, vereadora, ao Maré de Notícias durante a marcha.

“Marchamos acreditando realmente que merecemos dias melhores e ser respeitados, que mesmo morando em favela, temos direitos de qualquer outra pessoa. A gente estava marchando não no intuito de fazer baderna, mas sim de mostrar para toda a cidade que outra Maré é possível”, explica Elma Avelino, professora que no dia da marcha estava com seus alunos da Escola Municipal IV Centenário. 

Na terça-feira (24/05), uma reunião lembrou a data comemorativa, tendo como atividade a colagem de cartazes e stencil, arte que utiliza moldes vazados e tinta spray. “É uma ação importante para relembrar o aniversário da caminhada e reativar a mobilização para o Fórum Basta de Violência. São cinco anos de marcha, é preciso lembrar que existimos e refletir no que mudou”, comenta Beatriz Reis, da equipe de articulação da ONG Luta Pela Paz.

Ao sair à rua, os integrantes das instituições lembravam da ação clamando pela paz. “Na época da Marcha, estávamos vivendo um período de conflitos e operações contínuas. Sentíamos medo e apreensão, por isso foi necessária uma mobilização de diversas instituições da Maré. Contudo, também se articulou com coletivos de fora do território, já que a violência é um problema da cidade”, diz Lola Werneck, coordenadora da articulação do Luta Pela Paz.

Para Lola, o registro que não sai da memória foi a partilha entre os mobilizadores da Maré, como semente de união que emociona até os dias atuais. “Muito bom ver dois grupos que saíram de lados opostos da Maré para uma intervenção única, com criação de uma praça e assim quebrar barreiras. Foi um ato marcante para nós que trabalhamos no território e principalmente para o morador. Questionávamos o direito de circulação”.

Para Arthur Viana, coordenador da Campanha Somos Maré e Temos Direitos e integrante do Fórum Basta de Violência, a marcha foi o pontapé inicial para demais urgências em relação ao território. “A marcha foi importante, pois depois dela vieram as interversões jurídicas, como a ACP (Ação Civil Pública) e a ADPF (liminar do Supremo Tribunal Federal que limita a realização de operações policiais nas favelas). É bom salientar a redução das incursões policiais na área da marcha, sendo a última realizada em fevereiro. Queremos ir além de mobilizar na tragédia e sim buscar uma outra dinâmica, de debate continuo”, expõe.  

Os cartazes colocados nos postes traz a apresentação do Fórum Basta de Violência, disponivel em QR Code. Já a arte do stencil estampava frases como: ‘paz não se faz com tiro’. “Utilizar o stencil é uma forma de utilizar essa ferramenta para mostrar como a violência controla e atrapalha a nossa vida. Estamos aqui como uma forma de diálogo e para questionar as violências que atrapalham até o nosso lazer. Queremos passar uma mensagem de paz, com frases que nos fazem pensar”, afirma Daniel Octaviano, pesquisador do Observatório de Favelas.

Para quem desejar conhecer e se integrar às ações do Fórum Basta de Violência é só acessar: https://sites.google.com/view/forumbastadeviolencia/p%C3%A1gina-inicial.

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Hélio Euclides

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