‘Lendas da Maré’ mostra a força da amizade através do futebol

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‘A bola junto todo mundo’ diz seu Arides, um dos lendários

Para muitos, o futebol de domingo é coisa sagrada. Crianças e adultos gostam de se reunir no final de semana para “bater uma bolinha”. Há mais de cinquenta anos as Lendas da Maré, um grupo de velhos amigos, se reúne no Campo da Paty, na Nova Holanda. O time mais antigo, Os Cascudos tem o horário marcado aos domingos às 9h.

A amizade começou junto com a história da construção da Maré, “A bola juntou todo mundo!” explica seu Arides Menezes de 72 anos, um dos organizadores da “pelada”.
Ele conta que com o tempo os amigos foram perdendo o contato, mas que em toda Maré há um membro do Lendas e que sempre tiveram vontade de reunir os lendários, já que há poucos times de veteranos na Maré.

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Foi então que os amigos voltaram a se reunir com incentivo de Gilvan Sales, o Giba, no início deste ano. “A gente fez uma convocação geral e para nossa surpresa veio gente pra caramba!” O reencontro virou um compromisso mensal e seu Arides diz que o melhor é o pós jogo com churrasco e cerveja no bar.

As histórias dos amigos considerados Lendas da Maré se confundem com a história do bairro, desde as palafitas, as remoções da Nova Holanda, os favores da favela para a construção dos barracos. “Na Nova Holanda sempre foi assim na amizade, a gente batia a laje de todo mundo só com um churrasco e cerveja” afirma seu Arides.


Os Cascudos

O Lendas da Maré é a junção de vários times que passaram pela Maré. Elite da Teixeira, Cascudos, Onze da Vila, Ouro Preto e União. A pelada de fim de semana é uma tradição de gerações, antes dos Lendas existirem, os pais deles já jogavam no time conhecido como Oriente.

Os Cascudos é uma alusão a experiência adquirida ao longo dos anos, qualidade admirada pela garotada do futebol: “Os garotos adoram ficar perto da gente ouvindo nossas histórias” afirma Arides. “A gente joga só vinte minutos pra fazer uma graça porque não aguentamos mais, depois a gente senta e fica olhando eles jogarem” completa.

Na época que os cascudos estavam “pendurando as chuteiras” passaram a bola para outro time, hoje em dia o mais novo está com cinquenta e oito anos. “Hoje em dia nossos filhos estão nos acompanhando” afirma Marcos Santos, o “pimpolho” de 67 anos.

Com o tempo alguns colegas de futebol morreram e são lembrados com respeito e saudades em todos os jogos.

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