Mostra de arte em SP exibe documentário de jovem mareense

Foto: Gabi LIno

Mostra de arte em SP exibe documentário de jovem mareense

Curta metragem revela a história da rua em Bento Ribeiro Dantas onde o artista mora há mais de 10 anos

Por Samara Oliveira em 06/05/22 às 15h. Editado por Daniele Moura

O Conjunto de Favelas da Maré será representado pelo jovem Anderson Oliveira, de 27 anos, na 30ª Mostra de Arte da Juventude (MAJ) do SESC de Ribeirão Preto (São Paulo), uma das principais iniciativas no campo das artes visuais, que ocorre entre os dias 9 e 14 de maio. 

Anderson foi escolhido entre mais de 400 jovens artistas, apresentando o minidocumentário A Rua que era Praia sobre a Rua Praia de Inhaúma. O vídeo traz à tona memórias ambientais e afetivas que revelam as transformações que ocorreram nas favelas da Maré; a Rua Praia de Inhaúma no passado fazia parte do mar da Baía de Guanabara. 

A pesquisa foi realizada por meio de conversas com vizinhos e parentes, que narram histórias ilustradas com fotos da época antes de a rua ser aterrada. “É muito gratificante ter a oportunidade de ser instigado a pensar essas memórias, é como fazer o registro do hoje pra depois ver essa memória no futuro. É importante para Maré evidenciar o quanto a sua história é potente e, confesso, me sinto um pouco responsável também por perpetuar essas memórias”, reforça o artista.

Anderson é morador do Conjunto Ribeiro Dantas, uma das 16 favelas da Maré; o objeto central de seu documentário está intrinsecamente inserido em sua própria existência: ele mora há mais de dez anos na Rua Praia de Inhaúma

Com duração de cinco minutos, o curta tem como um dos objetivos dar visibilidade às memórias ambientais e afetivas, contadas pelos moradores de territórios de favelas.

Memórias resgatadas

O documentário de Anderson foi viabilizado pelo Laboratório de Memórias Ambientais, criado em 2020 pela Redes da Maré em parceria com outras organizações. Popularmente conhecido como Lab Memória, a iniciativa propôs que os jovens investigassem e registrassem suas memórias sobre a crise climática e como isso afeta suas vidas.

“Conheci o Lab numa chamada pública pelo Instagram e fiquei curioso de saber do que se tratava. Gosto de escrever e trabalhar com meu lado sensorial, artístico, por isso criei um curta documental onde falo de sonhos, de vidas, de trajetórias, das pluralidades da Maré e suas transformações”, explica.

Anderson terá ainda a companhia de outros três moradores do Rio de Janeiro, igualmente foram chamados a participar da mostra.

“É uma alegria imensa ter sido um dos selecionados para a 30º MAJ. Ainda mais por ser um trabalho que fala de nós, do nosso lugar, dos nossos sonhos, das pessoas que construíram a vida na Maré. E eu faço parte disso, é muito incrível, potente, reverbera em mim e nos meus.”

Anderson Oliveira
Foto; Gabi Lino

Vivência nos territórios

Natural de João Pessoa (Paraíba), Anderson é um dos jovens educadores idealizadores do projeto Leituras na Favela, que incentiva o gosto pelo livros por meio de oficinas, contação de histórias e ciclos de leitura. Ator, ele ainda cursa Teatro na Escola SESC de Artes Dramáticas e Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro, para onde leva suas vivências nos dois territórios. 

“Meu processo de construção como um cidadão crítico está marcado por essas minhas duas vivências. Elas não se separam, e sim, se complementam.”

Anderson Oliveira.

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Samara Oliveira

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