Nova Casa Movimentos é inaugurada no Parque União

Foto: Suzane Santos

Nova Casa Movimentos é inaugurada no Parque União

Espaço da organização que discute outras possibilidades para a atual política de drogas do país irá acolher a equipe e será um local estratégico para fortalecimento de redes  

Por Jéssica Pires, em 11/05/2022 às 13h50 . Editado por Edu Carvalho.

Nada sobre nós sem nós”. Esse é um dos valores que norteiam as ações e projetos do Movimentos: drogas, juventude e favela. A organização nasceu da necessidade de fazer ouvir o debate sobre política de drogas por meio da narrativa de jovens de favelas e periferias e já tem seis anos de atuação. Atualmente, oito jovens de diferentes favelas da cidade trabalham em ações de pesquisa, comunicação, educação e mobilização em torno do fortalecimento do conceito da redução de danos no uso de drogas, saúde mental e também a importante reflexão sobre alternativas à guerra às drogas a partir da perspectiva das favelas e periferias.

Em 2019, o grupo sentiu a necessidade de ter um espaço próprio para o desenvolvimento das atividades. Por meio de uma vaquinha online arrecadaram recursos para que a criação da Casa Movimentos fosse possível. Porém, com o tempo e a necessidade de ampliar as ações demandou um espaço maior. No último sábado, o grupo inaugurou a nova casa, com salas que abrigam a rotina de trabalho da organização e pretende acolher organizações e coletivos parceiros que não tenham sede, além de fortalecer processos de formação. “A nova Casa Movimentos vai cumprir os mesmos papéis da primeira casa, só que melhorado. A ideia é que seja a base de trabalho da equipe Movimentos para o trampo do dia a dia e também para as muitas ações que fazemos, como a residência, podcast, reuniões entre outros”, comenta Jéssica Souto, coordenadora geral do Movimentos, estudante de arquitetura e urbanismo e videomaker.

Homenagens

Subindo as escadas da casa de três andares localizada no Parque União, é possível conferir fotos de fotógrafas e fotógrafos populares de diversas favelas. O nome da galeria é Bira Carvalho, uma homenagem importante para um grande mestre da fotografia popular, responsável por processos de formação de jovens que hoje compõe o Movimentos e também outros coletivos e organizações da Maré.

Uma novidade que vem com esse espaço é a Laje Cultural Cadu Barcellos, que tem o objetivo de ser um lugar que respira arte periférica, ponto de encontro das juventudes e de acolhimento e cuidado, fortalece Jéssica. Cadu Barcellos, jovem cineasta mareense também foi um grande impulsionador de jovens que hoje são lideranças na Maré.

Encontros 

O evento de lançamento da Casa contou com apresentações de Slam, poesia, performances e DJ e reuniu na Laje Cultural Cadu Barcellos cerca de 200 jovens. MC Martina, MC Zuleide, Evy Souza, Dudu Neves, DJ Renan Valle, PH Gang e a Roda Cultural do Parque União foram as atrações da noite. “Por maiores que fossem nossas expectativas não imaginamos que tudo seria tão lindo e orgânico. O sentimento que fica é de gratidão mas também de responsabilidade. Ter a favela em peso, em toda sua pluralidade ocupando esse lugar quer dizer que estamos no movimento certo em direção ao nosso povo, e com isso vem a grande responsabilidade de não se desviar desse caminho. Fazer com que o nós por nós seja na prática é a nossa missão”, compartilha Jéssica.

Evento contou com apresentações de artistas periféricos, como MC Martina e MC Renan Valle. Foto: Suzane Santos.

Por que uma nova política de drogas é urgente?

O número de mortes em intervenções policiais no Brasil chegou a 6416 em 2020. E sabemos que deste número, a maioria é de jovens. Já uma pesquisa divulgada em 2021 pela Global Drug Policy Index, avaliou o Brasil com a pior política de drogas entre 30 países. Pesquisas, organizações da sociedade civil e experiências de outros países evidenciam o quanto a guerra às drogas no Brasil não tem sido eficiente. Há mais violência nos territórios que são criminalizados pelo Estado e danos para a população mais pobre e majoritariamente negra. Para o Movimentos o protagonismo da juventude negra e de favela nesse debate e proposição de estratégias é urgente. “Vamos seguir firmes na luta contra o racismo estrutural e estruturante que coloca a favela como alvo e ignora todas as nossas potencialidades”, conclui a coordenadora da organização. 

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Jéssica Pires

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