O legado de Maria da Penha Leite

Penha já trabalhou como cozinheira, profissão que desempenhou com orgulho. - Foto: Acervo pessoal

Conheça a trajetória da moradora da Nova Holanda que influenciou lutas na Maré e ainda pretende fazer muito

Por Geraldo Martins Fernandes e Sara Alves em 11/11/2020, às 13h15

Contar histórias de quem fez e ainda faz pelo território é uma missão do Maré de Notícias, sempre valorizando pessoas que merecem nosso respeito, além de contribuírem para a memória oficial do Conjunto de Favelas da Maré. Saber dessas pessoas é também conhecer um pouco de nossas origens. 

Foi justamente lendo um artigo do jornal que decidi fazer algo que desejava há anos: escrever sobre uma pessoa que merece estar nas páginas desse jornal que ganhou o mundo. É a senhora Maria da Penha Leite, ou melhor, a ‘Penha da Creche’, como é mais conhecida na Nova Holanda entre os agentes comunitários.

Penha sempre esteve disponível, solidária, pronta para visitar as famílias que lhe pediam ajuda a qualquer hora do dia. Em sua trajetória consta a militância pela associação de moradores da região, mas apesar de tamanha generosidade, a vida nem sempre lhe tratou da mesma maneira. Injustiça? Desde muito cedo, a mulher conhecida por ser uma fortaleza, teve que lutar para sobreviver. 

É a sina de muitas brasileiras, que, como Penha, começaram a trabalhar cedo em casas de família, arrumando com isso o sustento de sua própria. Abdicou dos estudos, aprendendo a saber tão somente escrever seu nome. Contudo, lia o mundo em sua volta de uma maneira peculiar e só sua, diferentemente de tantos que, mesmo letrados, não adquirem sensibilidade sequer para entender os dilemas da vida.

Certamente, frequentar a escola lhe fez muita falta, mas a vida lhe permitiu outros jeitos de sabedoria para sobreviver. Mesmo diante de dificuldades, Penha seguiu em frente, e foi trabalhando como agente comunitária que encontrou seu lugar no mundo, seu principal sentido. E é a partir dele que, ainda hoje, continua contribuindo e doando-se, voltada ao atendimento na área de assistência social.

Não só ensina como também aprende, compartilhando com os novos parceiros as muitas ciências adquiridas nesses longos anos de dedicação e amor pelas pessoas.

Reconhecer a história de Penha é algo bonito e relevante. Como disse Helena Edir, uma das diretoras da Redes da Maré, Penha ‘’fez parte da luta da Chapa Rosa, juntamente com Roseli, Dona Dalva, quando Eliana Silva tornou-se a primeira mulher presidente de Associação de Moradores’. Sim, Penha também estava lá, lutando por direito à água e não só. Lutou pela Educação Infantil, por saúde, moradia e tantos outros direitos fundamentais ao humano.

Com passagens pela secretaria de Desenvolvimento Social – atual pasta de Assistência Social e Direitos Humanos – Penha se orgulha também de ter exercido a função de cozinheira. Mas quem disse que ser cozinheira para ela era realizar atividades exclusivas ‘da cozinha’? É isso! Faltava enumerar essa que é uma das principais qualidades de Penha: sempre ter sido (e ainda ser) múltipla.

Penha durante o seu trabalho na creche – Foto: Acervo pessoal

Esses e muitos outros são capítulos-pessoas da história da Maré, que precisam ser contados e conhecidos por todos nós. É conhecendo um pouco desses grandes atores que tornamos ainda maiores, belas e significativas as batalhas traçadas nesse local tão amado – a nossa Maré.

E quando Penha vai se aposentar? Ah… Isso acabou virando até lenda na Nova Holanda. Dá mais que um texto, um livro! 

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