Poema: A velha da Bota Rosa

Data:

Um poema de Desinha Santos, moradora da Vila dos Pinheiros, uma das favelas da Maré, no Espaço do Leitor no Maré de Notícias.

Por: Desinha Santos (*)

A velha da bota Rosa 
Vive fazendo confusão
Ela gosta de plantar rosa
Mas vive em frente do lixão

Ela quer se mudar 
Para ar puro respirar
Sem vê ratazana passar 
Sem ter pombos para na sua cabeça defecar 

Quer viver em contato com a natureza
Um lugar com muitas flores
Que tenha muita limpeza
Sem ter tantos dissabores

Nesta vida que lhe resta
Longe de tanta dureza
Encontrar novos amores

(*)Eudesia Santos da Silva, nasceu na pequena cidade de Gurinhém, no agreste paraibano. Aos 18 anos, se mudou para o Rio de Janeiro com a mãe, seus 7 irmãos e 2 vizinhas. O pai veio primeiro para a “terra das oportunidades” para trabalhar nas obras da construção civil. Educou 4 filhos, trabalhando em fábricas, fazendo faxina e empreendendo com uma pequena venda de doces.

Aos 50, voltou a estudar em uma sala de aula improvisada na casa do vizinho e com muita determinação completou o Ensino Médio na rede pública através do programa EJA. Hoje, aos 72 anos, a moradora da Vila dos Pinheiros escreve poemas e sonha em ter um livro publicado. Para acompanhar e apoiar o trabalho de Deisinha acesse o instagram @eudesiasantosdasilva .

Desinha na Vila dos Pinheiros, uma das favelas da Maré

#ESPAÇODOLEITOR

Compartilhe seu talento com o Maré de Notícias! Poema, música, arte, artigos e toda forma de expressão é bem vinda em nossas plataformas!  Envie-nos uma mensagem para nosso WhatsApp  21 97271-9410 ou via instagram @maredenoticias

Compartilhar notícia:

Inscreva-se

Mais notícias
Related

Sementes de Marielle; confira segunda parte da entrevista com Mãe da vereadora

Nessa segunda parte da entrevista, Marinete fala sobre as sementes deixadas por Marielle, do protagonismo de mulheres negras em espaços de poder e a partir do contexto do assassinato da vereadora, como acreditar em justiça.

‘Não há uma política de reparação’, diz Mãe de Marielle sobre vítimas do estado

Além de criticar o Estado e o Judiciário, que, em diversas instâncias, colaboraram pela impunidade do crime, Marinete aproveitou para reforçar o sonho que a família tem: inaugurar, via Instituto, o Centro de Memória e Ancestralidade