Presidente da Fiocruz vai integrar organização que financia projetos de vacinas

Presidente da Fiocruz vai integrar organização que financia projetos de vacinas

Por Cristina Azevedo (Agência Fiocruz de Notícias), em 17/09/2021 às 09h55

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, passará a integrar o Conselho da Coalizão para Promoção de Inovações em prol da Preparação para Epidemias (Cepi). Nísia se torna, assim, um dos dois representantes da América Latina no Conselho. A Cepi é uma organização internacional que tem como objetivo financiar projetos de pesquisa para acelerar a produção de vacinas contra epidemias. Como a indicação entra em vigor imediatamente, Nisia já participará da reunião do Conselho desta semana, que ocorre nestas quinta-feira (16/9) e sexta-feira (17/9). Ela também vai integrar a Comissão de Auditoria e Risco, uma das quatro comissões do Conselho da Cepi.

Composto por 12 membros com direito a voto, o Conselho supervisiona a estratégia, o desempenho e a prestação de contas da Cepi. Ele garante que a organização contribua para melhorar a preparação contra epidemias e pandemias no mundo. Em comum, a organização e a Fiocruz compartilham a missão de viabilizar o acesso equitativo a vacinas e demais tecnologias em saúde. O ingresso de Nísia no Conselho também ocorre em um momento crítico, quando o mundo enfrenta a pandemia de Covid-19 e as organizações precisam se reinventar para superar obstáculos futuros.

“Tenho o prazer de dar as boas-vindas a Nísia Trindade Lima ao Conselho da Cepi. Como uma destacada especialista em saúde, com uma imensa visão e compreensão sobre a ciência e a área da saúde na América Latina, sua experiência e o seu conhecimento serão inestimáveis para o progresso da missão da Coalizão”, disse Jane Halton, membro do Conselho.

“Sua perspectiva única de especialista a partir de sua experiência como socióloga e cientista enriquecerá profundamente as discussões do Conselho, enquanto trabalhamos ininterruptamente para responder à pandemia de Covid-19. Ela também ajudará em nosso trabalho no momento em que começamos a implementar nosso plano de US$ 3,5 bilhões (R$ 18,4 bilhões) para a construção de ferramentas e redes a fim de estarmos melhor preparados para futuros surtos de doenças infecciosas”, acrescentou Jane.

“Eu assumo esta responsabilidade como um reconhecimento do meu trabalho e, sobretudo, como um compromisso de levar a perspectiva que o aprendizado na Fiocruz vem me trazendo, de pensar tanto em novas tecnologias de inovação frente às emergências sanitárias como de associar esta inovação à equidade em saúde”, afirmou Nísia. “É muito importante também valorizar a perspectiva da América Latina e da região do Caribe e uma visão interdisciplinar do conhecimento científico necessário a ações de preparação em tempos cruciais como estes que vivemos”, destacou a presidente da Fiocruz.

Uma parceria global 

A Coalizão para Promoção de Inovações em prol da Preparação para Epidemias (Cepi) é uma parceria global entre organizações públicas, privadas, filantrópicas e da sociedade civil, fundada em 2017 em Davos na esteira da epidemia de ebola em 2014-2016 na África Ocidental. Ela foi lançada pelos governos de Alemanha, Japão, Noruega e Índia, a Fundação Bill & Melinda Gates, o Wellcome Trust e o Fórum Econômico Mundial. Havia um consenso de que um plano coordenado, internacional e intergovernamental era necessário para desenvolver e distribuir novas vacinas contra epidemias causadas por doenças infecciosas emergentes e garantir o acesso a esses imunizantes durante os surtos. A Cepi obteve o financiamento de mais de 30 governos, instituições filantrópicas e investidores do setor privado até o momento, com outras 25 parcerias estabelecidas para o desenvolvimento de vacinas.

A Cepi obteve o financiamento de mais de 30 governos, instituições filantrópicas e investidores do setor privado até o momento, com outras 25 parcerias estabelecidas para o desenvolvimento de vacinas(Foto: Cepi) 

Em resposta à pandemia, Cepi já investiu US$ 1,5 bilhão (R$ 7,89 bilhões) no estudo de 14 candidatas à vacina contra a Covid-19. A Coalizão  também colidera a iniciativa Covax, juntamente com a Organização Mundial da Saúde (OMS), Gavi, Vaccine Alliance e o principal parceiro de entrega, a Unicef, para tornar globalmente acessíveis vacinas seguras e eficazes contra a Covid-19 e acelerar o fim da fase aguda de a pandemia.

Em março de 2021 a Cepi publicou seu plano de US$ 3,5 bilhões para minimizar ou mesmo erradicar o risco futuro de epidemias e pandemias, evitando potencialmente milhões de mortes e trilhões de dólares em prejuízos econômicos. O plano inclui o objetivo moonshot para ajudar a comprimir os cronogramas de desenvolvimento de vacinas para cem dias, a criação de uma biblioteca de protótipos de vacinas para responder rapidamente diante do surgimento de um vírus e o desenvolvimento de infraestrutura e expertise para apoiar os esforços de países de baixa e média rendas para assumirem a plena responsabilidade por sua segurança nacional de saúde.

Uma relação antiga

A relação entre a Fiocruz e a Coalizão para Promoção de Inovações em prol da Preparação para Epidemias remonta à propria criação da Cepi. Na ocasião a Fiocruz foi convidada a indicar uma pessoa para integrar o conselho interino, que iria escolher o presidente da organização e desenhar a sua governança. O primeiro indicado foi o ex-diretor do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) e pesquisador aposentado da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) Eduardo Costa, depois substituído pelo atual vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fundação, Marco Krieger.  

“Agora, Nísia foi chamada para o Board definitivo. Então, é um ciclo que se fecha num momento em que a Cepi tem um protagonismo global no enfrentamento da pandemia e na coordenação de várias frentes de resposta. Nísia entra como pessoa física, mas também com a indicação baseada em sua atuação como presidente da Fiocruz”, comentou Krieger, destacando que a indicação respalda o papel da Fundação na saúde global.

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Edu Carvalho

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