Através de Lei Aldir Blanc, projeto ‘Elenco Negro’ quer dar visibilidade e suporte a atores negros e da periferia do Rio de Janeiro

Através de Lei Aldir Blanc, projeto ‘Elenco Negro’ quer dar visibilidade e suporte a atores negros e da periferia do Rio de Janeiro

Idealizado pelos atores Fabrício Boliveira e Gabriel Bortolini, objetivo é potencializar artistas com cadastramento online para banco de dados

Por Redação, em 09/03/2021 às 10h

Assim como o trabalho exercido, há mais de três décadas, pela fundadora e presidente Zezé Motta no Centro Brasileiro de Informação e Documentação do Artista Negro (CIDAN), que exerce papel fundamental para a expansão do mercado para atores pretos, “Elenco Negro” traz a inquietação em forma de continuidade. Através de um cadastramento no perfil do Instagram @elenconegro, o projeto busca potencializar profissionais negros e de locais periféricos do estado do Rio de Janeiro.

“A união da minha trajetória de ator e diretor com a do Gabriel de produtor executivo e de elenco na criação desse projeto é motivada pela inquietação de algumas falas como “não tem ator preto bom nesse perfil” / “precisa ter pelo menos um ator preto” / “é sempre mais difícil achar ator preto, é mais limitado” / “essa cena deveria ter mais preto, mas não tem, esses foram todos os que achamos”.  Nosso objetivo é acabar com essa falácia e entender como melhor dar suporte e fortalecer o setor.” – Afirma Fabrício Boliveira, idealizador do projeto.

O escopo do projeto visa fortalecer atores negros, maiores de 18 anos, nos mais variados estágios da carreira, residentes no estado do Rio de Janeiro, que estão procurando se inserir e/ou se fortalecer no mercado audiovisual e criar uma rede de apoio e suporte para os artistas no mercado de trabalho. Além dessas contribuições, esse formato de cadastramento para os artistas dará mais visibilidade a esses profissionais principalmente aos que ainda não são reconhecidos no mercado audiovisual do país.

Os primeiros a se inscreverem terão acesso a serviços imediatos, de acordo com suas áreas de interesse, como  edição de vídeos, atuação de textos elaborados por dramaturgos convidados, oficina jurídica com foco no auxílio de resolução de burocracias, lives mentorias com profissionais negros dos mais variados seguimentos, ensaios fotográficos para produção de material de divulgação e apadrinhamentos para favorecer e fortalecer as trocas de experiências e o crescimento pessoal e profissional.

Apesar da população negra compor 50,7% da população brasileira (IBGE, 2010), os pretos representam apenas 20% dos atores que atuaram em papel de destaque no cinema até 2012 e tal fato contribui para a exclusão de vivências e perspectivas das minorias, impede a criação de referências positivas através de role-models, estereotipa grupos, entre outros tantos problemas. “Elenco Negro” quer atuar continuamente na contramão desses números e estereótipos e também fortalecer nomes de projetos recentes como o Coletivo Preto, que surgiu em 2016, é formado por quatro jovens atores, escritores, circenses e produtores negros: Drayson Menezzes, Licínio Januário, Orlando Caldeira e Sol Menezzes, que produzem, fomentam e divulgam trabalhos nos quais coloquem o homem e a mulher negra em papeis de protagonismo.

“Entendemos que muitas iniciativas vieram antes de nós, seja o CIDAN de Zezé Motta e “Coletivo Preto” do Drayson Menezes e Orlando Caldeira, e possíveis outros que não entramos em contato. Temos que agradecer pelo passado, o que estamos fazendo agora no nosso presente, mas também na continuidade do projeto no futuro, com novas articulações podendo atender mais e mais e de outros estados. É sobre nós fazermos pelos nossos”. – Afirma Gabriel Bortolini, idealizador do projeto.

Edu Carvalho

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