Chacina do Salgueiro: essa é a política de segurança oficial de Cláudio Castro

Foto: Jose Lucena/Futura Press

Chacina do Salgueiro: essa é a política de segurança oficial de Cláudio Castro

Por Rede de Observatórios da Segurança, em 22/11/2021 às 16h15

Mães entraram no mangue em busca dos corpos dos seus meninos mortos pela Polícia Militar de Cláudio Castro no Complexo do Salgueiro. Acordamos nesta segunda-feira, 22, com imagens dos moradores empilhando corpos e os cobrindo com lençóis brancos ao vivo na TV. Ao menos nove pessoas foram vítimas de mais uma chacina policial motivada por vingança após a morte do sargento da PM Leandro Rumbelsperger da Silva do 7º BPM (São Gonçalo), na noite de domingo, 21. 

Até outubro deste ano, a Rede de Observatórios da Segurança registrou 38 chacinas no Rio de Janeiro (quatro a mais que em 2020) e 27 delas foram cometidas por policiais com 128 mortes registradas. Ou seja, 71% das chacinas foram executadas por agentes do estado em 2021. Este ano, houve um aumento de 23% (janeiro a outubro) nas mortes em chacinas decorrentes de ação policial no Rio de Janeiro em comparação ao mesmo período do ano passado e 12% de aumento de ocorrências de chacinas em todo o estado.

As características dessas matanças são parecidas. No Jacaré, acompanhamos a série de mortes com graves indícios de execuções e hoje moradores do Salgueiro relatam que não encontraram armas junto aos corpos e que os mesmos estão desfigurados. Há indícios de que houve tortura.

Operações vingança são banhos de sangue que nunca resolveram os problemas de violência do Rio de Janeiro. Pelo contrário, o estado é marcado por momentos de aumento da violência local e acirramento de tensões após operações vingança. Mortes de suspeitos em escala em resposta à morte de agentes só servem para brutalizar ainda mais as polícias, que continuam sem capacidade de usar inteligência e investigação para desarticular grupos criminais. Os policiais cheios de ódio e vontade de vingança precisam ser controlados, retirados das patrulhas nas ruas e não podem ser autorizados a fazer operações em favelas, pois representam um risco para a população, para a Polícia como um todo e para si mesmos. 

Em busca da reeleição, Cláudio Castro tem mantido a política que permite que a polícia entre na favela e deixe corpos no chão. A Rede de observatórios condena mais essa barbárie, manifesta seu repúdio à continuidade e à escalada de letalidade das ações policiais no RJ. Em plena vigência da determinação do STF de controle das operações policiais na pandemia deixamos o questionamento: é essa a política de segurança pública que Cláudio Castro continuará sustentando? O que o Ministério Público tem a dizer sobre as mortes ocorridas no Complexo do Salgueiro? A Rede também presta solidariedade a todas as mães que choram pelos seus filhos. 

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mareonline

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