Como meninas e mulheres se relacionam com as mudanças climáticas?

Com a proximidade do Dia Nacional de Conscientização sobre Mudanças Climáticas (16/03), mulheres se articulam para lidar com essas questões – Arte: Stefany Silva

Como meninas e mulheres se relacionam com as mudanças climáticas?

Maré de Notícias #122 – março de 2021

Por Mariane Rodrigues e Lorena Froz

Mobilizadoras Territoriais no projeto Maré Verde, da Redes da Maré

Existem diversas frentes possíveis de enfrentamento à crise climática e, por sorte ou cuidado de Gaia, temos mulheres que são referência para o ativismo climático. E assim como expoentes nacionais e internacionais, muitas meninas mareenses seguem os passos de suas iguais, das mulheres mais velhas, dos saberes partilhados com quem amam. Cada uma com seu jeito particular de lutar e se expressar, todas têm um objetivo em comum: tentar minimizar problemas causados pelas mudanças climáticas.

Vanessa Nakate, 24 anos, jovem de Uganda que esteve no Fórum Econômico Mundial de 2020, é uma das maiores referências em ativismo climático quando pensamos nos impactos dessas mudanças para as populações negras. Seu trabalho começou em 2018, quando entendeu que as maiores temperaturas vinham de seu próprio país.

No Brasil, duas mulheres nos aproximam do mundo, Os passos cariocas de Cris dos Prazeres vêm de longe. A partir do projeto ReciclAção e outras relações com os movimentos sociais, luta por um mundo mais justo, mais empático e com jovens, meninas e mulheres mais confiantes para realizarem seus sonhos e construírem mundos melhores.

Em Salvador, Eliete Paraguassu, 40 anos, representa a luta pela preservação dos rios e igualdade de gênero e racial. De uma comunidade quilombola, começou lutando para que as águas do entorno de sua comunidade não fossem poluídas pela indústria química.

 Ambas discutem racismo ambiental, e esse eixo é mais um dos que temos em comum, quando pensamos nos desafios que enfrentamos aqui na Maré.

A ação do humano no mundo

Já ouviu falar da hipótese de Gaia? Criada por James Lavelock em 1979, ela diz que a Terra seria um imenso organismo vivo, autossuficiente e que se autorregula. Dessa forma, os organismos vivos controlariam os não vivos, trazendo equilíbrio para o nosso planeta. 

Apesar da resiliência, tudo tem um tempo de restauração e maturação para voltar ao normal. Quando o ser humano começou a explorar e extrair intensamente recursos da natureza, interferiu diretamente nesse tempo de recuperação, fazendo com que hoje tenhamos que lidar com uma crise climática que é real e nos afeta. 

Um exemplo é o aumento da temperatura que ocorre, dentre vários motivos, por causa da alta concentração de gases na atmosfera. No Brasil, 58% dessas emissões são provenientes de queimadas e desmatamento, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Na Campanha Climão, aprendemos que, seja pela ação humana ou não, essas mudanças estão diretamente relacionadas com a emissão de poluentes na atmosfera que ajudam a aumentar a temperatura do planeta. É um calor que não tem quem “guente”! Mas a questão ainda vai muito além disso. Essas mudanças acarretam catástrofes ambientais, crise de falta de água, queimadas, extinção de animais e muitos outros problemas.

A energia feminina que gira com o mundo

A nossa questão diária é sobre como conseguimos, enquanto mulheres e faveladas, nos entender neste mundo e criar estratégias e ferramentas de enfrentamento para diversos problemas que surgem a todo o momento. Nesse sentido, gostaríamos de  agradecer às Helens, Stéfanys, Julies, Suelems, Leonas, Brainers, Marias, Júlias, Fernandas, Julianas, Lucindas e tantas outras que nos constroem, tecem as histórias da Maré e trazem o aconchego de saber para que nunca estarmos sós!

Esperamos que você consiga perceber as suas sutilezas e enxergar nelas algo semelhante nas finas raízes das plantas espalhadas pelo território. Que se veja em uma árvore que murcha com um sol que também machuca sua própria pele quando vai trabalhar, e até mesmo que se veja mais vezes no espelho d’água da Baía de Guanabara e encontre algumas soluções para suas dores e as das águas diante de você.Acompanhe a Campanha Climão nas redes sociais da Redes da Maré para encontrar caminhos possíveis de se conectar e se reconhecer nos perfis de algumas pessoas que acreditamos que possam inspirar você.

mareonline

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