Dignidade menstrual: saiba como retirar absorventes pelo Programa Farmácia Popular 

Data:

Mais de duas mil farmácias estão cadastradas no Rio de Janeiro

Vitória da mobilização dos movimentos sociais. O Programa Farmácia Popular, do Governo Federal, está disponibilizando gratuitamente, absorventes para a população em vulnerabilidade social. O item está disponível em mais de 31 mil unidades credenciadas em todo o país, sendo 2.085 nas farmácias do estado do Rio de Janeiro para distribuição em 90 municípios.

Brenda Vitória, articuladora da Casa das Mulheres da Maré, afirma que a ação é um importante passo para minimizar os impactos da pobreza menstrual e conta histórias que já presenciou de pessoas durante esse período.

“É muito comum a gente ouvir relatos e até mesmo presenciar pessoas buscando alternativas mais baratas para conter o sangue menstrual, como por exemplo: a utilização de panos, papel higiênico, jornais que apresentam um custo muito mais baixo do que os absorventes e acabam sendo mais acessíveis. Entretanto, são alternativas que podem causar um impacto na saúde física e também na saúde mental dessas pessoas.”

A pobreza menstrual — problema de ordem socioeconômica, de infraestrutura e de saúde pública —  já é evidenciado no país e afeta meninas e mulheres cisgênero, meninos e homens transgênero e pessoas não binárias. Há dados de evasão escolar durante o período menstrual tanto pelas condições inadequadas das escolas, quanto pela falta do item. Segundo pesquisas, pessoas que menstruam chegam a usar 10.000 absorventes durante toda a idade fértil. Ao considerar um custo médio de R$ 0,60 por absorvente, chegamos ao valor alarmante de R$ 6.000,00.

Por isso, Brenda ressalta que, apesar de ser um grande avanço a distribuição gratuita do item pelo SUS é necessário enxergar que o acesso ao absorvente é apenas a ponta do problema: “A falta de dignidade menstrual é fenômeno multifatorial que precisa ser olhado a partir de um aspecto socioeconômico, infraestrutural e de saúde pública.”

Veja como retirar o absorvente

Para conseguir o item, a pessoa deve: 

  • Emitir, em formato digital ou impresso, a “Autorização do Programa Dignidade Menstrual“, que deve ser gerado via aplicativo ou site do “Meu SUS Digital” (nova versão do aplicativo Conecte SUS), com validade de 180 dias;
  • Apresentar a autorização e um documento de identificação oficial com número do CPF.

Quem tem direito ao absorvente gratuito?

De acordo com o site gov.br, “a oferta é direcionada aos grupos que vivem abaixo da linha da pobreza e estão matriculados em escolas públicas, em situação de rua ou em vulnerabilidade extrema. A população recolhida em unidades do sistema prisional também será contemplada. O público-alvo do programa abrange 24 milhões de pessoas entre 10 e 49 anos em todas as regiões do país. A estimativa é alcançar cerca de 1,8 milhões de pessoas no Rio de Janeiro.” A aquisição para menores de 16 anos deve ser feita por responsável legal.

Em caso de dificuldade para acessar o “Meu SUS Digital” ou emitir a autorização, basta se dirigir a uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde agentes de saúde e profissionais podem auxiliar na emissão da autorização. Pessoas em situação de rua também podem ir até os Centros de Referência da Assistência Social – Cras e Creas, Centros POP, centros de acolhimento e equipes de Consultório na Rua.

Para as pessoas que estão recolhidas a unidades do sistema penal, a entrega será coordenada e executada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, com a distribuição realizada diretamente nas instituições prisionais.

Compartilhar notícia:

Inscreva-se

Mais notícias
Related

Entenda o Projeto de Lei que equipara aborto em casos de estupro a homicídio 

O Projeto de Lei 1904/2024, chamado de “PL da Gravidez Infantil” ou “PL do Aborto”, equipara o aborto após a 22ª semana de gestação ao crime de homicídio, criminalizando mulheres e profissionais de saúde envolvidos no procedimento.

Operação da Polícia Civil é marcada por intenso tiroteio e correria em três favelas da Maré

O Maré de Notícias recebeu vídeos que mostram mães correndo e procurando se proteger dos disparos abraçadas a seus filhos por causa do horário de saída do período matutino