‘Projeta Rocinha’ proporciona cinema, música e campanha de saúde para a favela

‘Projeta Rocinha’ proporciona cinema, música e campanha de saúde para a favela

Morro Dois Irmãos recebe projeções de 22 a 24 de janeiro 

Por Edu Carvalho, em 21/01/2021 às 13h

A favela da Rocinha vai ser palco de um evento que traduz sua potência criativa e diversa, o “Projeta Rocinha”. De 22 a 24 de janeiro, o Morro Dois Irmãos ganhará uma projeção com dimensões espetaculares – equivalente a meio quilômetro ou cinco edifícios de 18 andares lado a lado – e exibirá longas, curtas, clipes, mensagens e intervenções poéticas para um público que pode chegar a 100 mil pessoas, moradores ou não da favela. 

Sem aglomeração e sem sair de casa, toda a comunidade vai poder participar do evento. Os moradores poderão assistir às projeções de suas lajes e janelas e receberão o som de cada uma via streaming e com apoio da rádio comunitária local.

Organizado pela Dona Rosa Filmes, da produtora Mariana Marinho, e correalizado pela Casa de Cultura da Rocinha, presidida por Maurício Soca – morador e produtor cultural da Rocinha – o evento terá projeção da Visual Farm, estúdio especializado que concebe e realiza espaços narrativos com uso intensivo de tecnologia.

O patrocínio é da Cerveja Antarctica e o projeto conta com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (SECEC-RJ), Riofilme, da Downtown Filmes, Canal Brasil, da Associação de Moradores da Rocinha, do Portal das Favelas, da 27a Região Administrativa da Rocinha e da Prefeitura do Rio de Janeiro, da Rádio Comunitária da Rocinha, dos Coletivos Produções Audiovisuais Rocywood e Mulheres em Evidência, da Visual Farm e do SICAV – Sindicato da Indústria Audiovisual.

O projeto do evento foi desenvolvido com o reencontro de Mariana Marinho e Maurício Soca, com a intenção de mostrar a força e a potência da maior favela da América Latina. Assim, artistas e moradores da favela estão participando ativamente da curadoria do evento. Com a pandemia do Coronavírus em 2020 e a imposição do distanciamento prolongado, veio também a preocupação com a saúde – tanto física quanto emocional dos moradores – e a ideia de oferecer arte como respiro, abrindo o início do novo ano.

“Trazer a força e a grandeza do evento, transmitir o conceito de uma nova experiência nunca vivenciada antes. O evento tem o caráter divertido de um festival, mas ao mesmo tempo é empoderador, dando força à cultura, às minorias, à geografia do local, às ações e aos movimentos culturais já existentes na favela. Os 100 mil moradores da Rocinha viverão a experiência de presenciar a projeção na maior tela de cinema já realizada, assistindo a conteúdos afirmativos que surgiram do vulcão de criatividade e atitude da própria Favela, a vida que reluz na Rocinha”- diz Mariana Marinho, diretora e coordenadora-geral do evento.

Programação traz filmes “campeões” de bilheteria 

Longas e curtas-metragens de sucesso, clipes musicais, intervenções poéticas e mensagens de saúde pública relacionadas à prevenção da pandemia (#vacinajá) fazem parte da programação dos três dias do evento, que acontecerá de 22 a 24 de janeiro, de sexta-feira a domingo, sempre com início às 19h.

Num ato de afirmação da importância do cinema nacional, os três longas-metragens a serem exibidos são grandes sucessos de público, somando cerca de 14 milhões de espectadores. São eles: “Minha Mãe é uma Peça 3”, de Paulo Gustavo e Susana Garcia, que levou mais de nove milhões de pessoas ao cinema em 2019; “Fala sério, Mãe!”, de Pedro Vasconcelos, com as atrizes Ingrid Guimarães e Larissa Manoela, baseado no livro da escritora Thalita Rebouças, e “Gonzaga: De pai para filho”, de Breno Silveira, ganhador do prêmio de melhor filme no Grande Prêmio de Cinema Brasileiro, e escolhido por representantes e artistas da comunidade, dialogando com a origem pernambucana e nordestina de grande parte dela.

Os longas serão antecedidos por curtas-metragens. Entre as produções selecionadas estão “Janelas Daqui”, de Luciano Vidigal, realizado durante a pandemia, abordando os impactos da Covid; “Lá do Alto”, também de Luciano Vidigal, filmado no Dois Irmãos; “A fábula da Vó Ita”, de Joyce Prado e Thalita Oshiro, que aborda a importância do cabelo crespo; “Alma Crespa”, de Paulo China e Rebecca Joviano, sobre o feminismo negro; “O Pião”, de Karina Mello, uma fábula sobre a perda, a saudade e o sentimento de amor; “Rã”, de Ana Flávia Cavalcanti e Julia Zakia, que fala sobre união, afeto e coletividade; “Lé com Cré”, de Cassandra Reis, sobre coisas de menino & menina contados por crianças, “Como Ser Racista em 10 Passos”, de Isabela Ferreira, que traz à tona e confronta o racismo estrutural velado; “Penso logo falo”, de Bia Oliveira; um registro emocional do desejo de liberdade e igualdade e “Flor da Pele, também de Bia Oliveira, com o desabafo de uma jovem sobre o preconceito.

Completando a programação, clipes musicais de artistas diversos vão encher a tela e ninguém vai ficar parado. Já estão confirmados “Pra dizer adeus”, “Sonífera ilha” e “Enquanto houver sol”, dos Titãs; “De ontem”, Liniker e os Caramelows; “Náufrago”, de Majur; “Fica em casa”, de Marília Coelho; e “Who’s that boy?” e “Te ligo e vc não atende”, de Luthuly Ayodele.

Edu Carvalho

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1 Comment

  • Maravilhoso este evento que aparecerá na comunidade

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