Testes e vacinas – a luta da Maré contra a covid-19

Testes e vacinas – a luta da Maré contra a covid-19

Por Jorge Melo (*) em 03/02/2022 às 17h

Em janeiro, 40% dos testes de covid-19 realizados nas sete unidades de saúde que ficam na Maré (Clínicas da Família e Centros Municipais de Saúde) tiveram resultado positivo. Foram 22.084 pessoas testadas sendo que 8883 delas, estavam com covid-19.

Testes por unidades de Saúde:

1.574 testes com resultado positivo na CF Adib Jatene – Vila dos Pinheiros

1.513 testes com resultado positivo na CF Augusto Boal -Baixa do Sapateiro/Morro do Timbau

1.211 testes com resultado positivo na CF Diniz Batista – Parque União

1.072 t testes com resultado positivo na CF Jeremias Moraes da Silva – Nova Holanda

 925 p testes com resultado positivo na CMS Américo Veloso – Praia de Ramos

 344 testes com resultado positivo na CMS João Cândido – Marcílio Dias

 2.194 testes com resultado positivo na CMS Vila do João

Total: 8883 testes com resultado positivo. Foram realizados 22.084 testes

Vacinação e tendência de queda

A segunda semana epidemiológica, termo usado pela Coordenação Geral de Atenção Primária (CAP 3.1), responsável pela Maré, de 9 a 15 de janeiro, concentrou 52,6% dos casos positivos. O que aponta para uma tendência de queda, segundo os técnicos. Na segunda quinzena do mês, o número de testes positivos girou em torno de 25%. Mesmo assim, a Maré se mantém sem óbitos desde outubro de 2021. 

Leonardo Bastos, estatístico e pesquisador-associado do Programa de Computação Científica da Fiocruz, destaca a importância do esforço de testagem em massa que está sendo realizado no Rio de Janeiro e, particularmente, na Maré,  como uma das principais ferramentas de combate à expansão do vírus, “a testagem é muito importante e deve ser acompanhada de medidas adequadas para cuidar da pessoa infectada e proteger seus contatos.”

Por conta do projeto Conexão Saúde – De Olho na Covid, parceria entre a Fiocruz, Prefeitura do Rio de Janeiro e Redes da Maré, foi aberto mais um posto de testagem, na quarta-feira, dois de fevereiro. O posto vai funcionar no CIEP Gustavo Capanema, na Vila dos Pinheiros, com capacidade para testar 400 pessoas por dia. Segundo Hermano Castro, pesquisador da Fiocruz e um dos coordenadores do Conexão Saúde – De Olho na Covid, “Nesse momento da pandemia, com a nova variante Ômicron a testagem passa a ser a melhor forma de conhecer a transmissão do vírus e garantir medidas sanitárias de distanciamento e quarentenas capazes de diminuir a velocidade da contaminação.”  Segundo Castro com o novo posto de testagem na Maré será possível atender diariamente 1200 pessoas.

A proteção nos casos de infecção

A cidade do Rio de Janeiro tem 87,7% da população com a primeira dose; 82,4% com a segunda dose. E 35,4% com a dose de reforço. Segundo Leonardo Bastos, “A vacinação certamente evitou muitas internações e óbitos. Se não houvesse vacina e uma boa cobertura vacinal, com essa onda da Ômicron estaríamos lidando com um desastre sem proporções. Ainda segundo Bastos, a Ômicron deixou bem claro o importante papel da dose de reforço. “a taxa de hospitalização de não vacinados ou pessoas com esquema vacinal incompleto é bem maior que a taxa de hospitalização de pessoas com esquema completo e com dose de reforço.” 

Leonardo Bastos, no entanto, faz um alerta, lembrando que é essencial manter os cuidados básicos de proteção: o uso de máscara, a higienização das mãos com álcool gel ou lavando com água e sabão; e o distanciamento social, “a vacinação está nos protegendo contra a hospitalização e óbitos mas, mas não nos protege da infecção e, em muitos casos, nem da doença, quando há o aparecimento de sintomas. E para os vacinados, por pior que a gente fique, dificilmente vamos precisar de um tratamento mais sério, com o uso de oxigênio ou precisar de UTI.”

Vacinação infantil

No dia 31 a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro suspendeu a vacinação de crianças de sete anos ou mais por falta de doses. Até o fechamento desta reportagem não havia informações oficiais sobre a retomada. A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS) aguarda novas remessas de imunizantes do Ministério da Saúde. No momento, estão disponíveis apenas doses para crianças com comorbidades, entre 5 e 11 anos. De acordo com a SMS, devem chegar 100 mil doses da CoronaVac nos próximos dias.

De acordo com Leonardo Bastos, “as crianças quando comparadas com os adultos e idosos praticamente não evoluem para casos graves. No entanto, mesmo numa proporção bem menor algumas crianças infectadas evoluem para quadros mais graves. E se comparamos no grupo das crianças com covid é a principal causa de hospitalização e óbitos entre as doenças que podem ser evitáveis por vacina, logo a vacinação chegando para as crianças esperamos que esse quadro mude de forma significativa.”   

(*) Essa matéria teve a participação de estudantes universitários vinculados ao projeto de extensão Laboratório Conexão UFRJ, uma parceria entre o Maré de Notícias e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

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Jorge Melo

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