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Vale a pena ler de novo: 3 matérias para combater a LGBTfobia

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Hoje, no Dia Internacional do Combate à LGBTfobia, destacamos a importância de enfrentar a discriminação e promover a igualdade. O Maré de Notícias relembra três matérias importantes sobre a causa LGBTQIAPN+.

A criação do Observatório de Violência LGBTIAPN+ na Maré permitiu discussões cruciais e demandas por políticas públicas para favelas.

Os avanços na assistência médica para pessoas lésbicas e faveladas são significativos, mas há necessidade contínua de melhorias, especialmente no atendimento de saúde sexual.

Celebramos também a diversidade com dicas de bares LGBTQIAPN+ para se reunir com os amigos.

Jornada de mães como empreendedoras esbarra em desigualdades sociais e raciais

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Reportagem: Redação data_labe
Entrevistas: Maria Ribeiro
Dados: Samantha Reis
Artes: Messias

“Quando meu marido faleceu, tive que sair do trabalho de carteira assinada. Minha filha tinha apenas um ano e pouco. Quis voltar pra minha terra natal, porque eu tinha medo, achava que não ia conseguir ficar com ela sozinha na cidade grande, pagar aluguel para me manter”. Faz 20 anos que Maria Casciana de Araújo, 42, decidiu pedir demissão para estar mais perto da filha Ana Beatriz. Assim como Casciana, milhões de mulheres têm trilhado o mesmo caminho. Segundo dados do Sebrae, a cada dez empreendedoras, sete afirmam que a decisão de abrir o próprio negócio foi influenciada pela necessidade de cuidar dos filhos. 

O empreendedorismo, no entanto, ainda não é um campo estruturado para acolhê-las. A pesquisa “Empreendedorismo no Brasil 2023” aponta que, entre as pessoas que administram um negócio próprio, as mulheres gastam quase o triplo de tempo diário em cuidados familiares e tarefas domésticas em comparação aos homens. Não à toa, o estudo revela uma queda de 15% na criação de novos empreendimentos por mulheres entre 2002 e 2023.

Um dos maiores desafios para as mães empreendedoras é conciliar as demandas do negócio com a maternidade. “Quando comecei, meu filho era muito criança ainda. E como trabalho à noite, tinha que deixar minha filha de dez anos com o irmão de seis anos para eu poder trabalhar, porque não tinha com quem ficar”, conta Casciana, que gere um trailer de bebidas na Praça do Parque União.

É na cozinha da própria casa que ela prepara cookies, brownies e outras delícias que entrega por encomenda e por delivery. “Nesses três anos de confeitaria eu sou a equipe. Faço tudo: eu limpo, eu entrego, eu faço reposição”. 

| Já leu essas?

Segundo o Censo de Empreendimentos da Maré, publicado pela Redes da Maré em 2014, cerca de 40% dos empreendimentos da Maré são administrados por mulheres, quantidade bem próxima dos índices registrados pelo estado do Rio de Janeiro. O que chama atenção nos dados é a diferença na realidade entre mulheres brancas e negras.

A cada dez mulheres que são donas de negócio e operam estabelecimentos comerciais como loja, escritório, etc, apenas quatro são negras. A discrepância também fica evidente em relação ao tipo de serviço. Confira a tabela no site do data___labe.

Adriele conhece de perto a realidade contada pelos dados. Antes de mergulhar no ramo da confeitaria, trabalhou como diarista, assim como sua mãe. Como empreendedora, observa o quanto o racismo e o machismo dificultam a trajetória das mulheres negras no mercado.

Apesar dos muitos “nãos” ditos pela sociedade, Adriele projeta voos mais altos. O primeiro deles: separar o CPF do CNPJ.

“Tenho um forno industrial, geladeira, mesa e estoque separados dos equipamentos de casa. Estou sempre comprando algum tipo de utensílio ou maquinário para a cozinha do ateliê, que vai ser linda, até mesmo para trazer conforto, tanto para a empresa quanto para mim em casa. E tem meu sonho de poder contratar outras pessoas para estar me ajudando, gerando renda, ajudando outras pessoas financeiramente”, projeta.

Maré amanhece com segundo dia consecutivo de operação policial

Com essa, já são 14 operações no ano sendo realizadas entre a Polícia Civil e Militar, envolvendo batalhões especiais como COE E BOPE

A Polícia Civil realizou na manhã desta quinta-feira (16) mais uma operação no Conjunto de Favelas da Maré. Com essa, já são 14 operações no ano sendo realizadas entre Polícia Civil e Militar, envolvendo batalhões especiais como COE E BOPE.  É o segundo dia seguido de operação e a terceira em uma semana

A ação policial contou com a presença de policiais a pé, em carros blindados e concentrou-se na região do Morro do Timbau, Baixa do Sapateiro, Nova Maré e Bento Ribeiro Dantas. 

Pelo segundo dia seguido as Clínicas da Família (CF) tiveram o atendimento afetado, atingindo os moradores. As CFs Adib Jatene e Augusto Boal e o Centro Municipal de Saúde Vila do João, apesar de seguirem com os atendimentos nas unidades, precisaram, mais uma vez, cancelar as visitas externas que atendem moradores com dificuldade de locomoção.

900 alunos da rede estadual de ensino ficaram sem aula nesta manhã, devido à operação que fechou duas escolas da região, de acordo com a nota da Secretaria de Estado de Educação. Na rede municipal,  a secretaria Municipal de Educação diz que 41 escolas suspenderam as aulas, mas não informa o número de alunos impactados. Vale sempre lembrar que alunos que estudam fora da Maré também são impactados pelas operações, já que dificulta o deslocamento. 

Assuntos relacionados

Histórico

Ontem (15) a Polícia Militar realizou a 13ª operação na Maré que se concentrou nas regiões da Nova Holanda, Parque Maré, Rubens Vaz e Parque União. 

Na quinta-feira da semana passada (9) duas pessoas foram mortas e uma ficou ferida. 

O Maré de Direitos, projeto do eixo Direito à Segurança Pública e Acesso à Justiça, da Redes da Maré, acolhe situações de violações de direitos no WhatsApp (21) 99924-6462. O Ministério Público (MP) realiza um plantão especial para atender a população. O atendimento gratuito é feito no telefone (21) 2215-7003, que  também é WhatsApp, ou no e-mail [email protected].

Mostra Maré de Música recebe rapper Don L nesta sexta-feira

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O evento, que acontece no Centro de Arte da Maré, é gratuito e conta ainda com shows das artistas Bala Rosa e taldiBruna

Nesta sexta-feira (17), será realizado o terceiro show de 2024 da Mostra Maré de Música. O Centro de Artes da Maré (CAM) será palco das apresentações de Don L, Bala Rosa e taldiBruna. Dessa vez, o evento destaca artistas da cena do rap, hip-hop e trap, que se apresentam a partir das 20h no território. Todos os shows da Mostra são gratuitos mas sujeitos à lotação do espaço.

A Mostra Maré de Música é um projeto realizado pela Redes da Maré que teve início em 2019 e tem como objetivo criar conexões musicais poderosas e oferecê-las ao público com alta qualidade, garantida por uma equipe apaixonada pela arte. Cada show apresenta pelo menos duas atrações: um artista de território
popular e outro já consagrado, reforçando a cena musical carioca e evidenciando a diversidade musical da Maré.

Em sua quinta edição, a Mostra ocupa o Centro de Artes da Maré com oito eventos mensais gratuitos. Os shows já atraíram mais de 2.000 pessoas de diferentes faixas etárias desde o início do projeto. A edição de estreia promoveu encontros entre artistas renomados como Mart’nália, Letrux, Anelis Assumpção, MC Marechal, Duda Beat e Liniker, e artistas independentes como Joca, Mc Natalhão e Pra Gira Girar. Desde então, a Mostra vem se consolidando como um evento de referência em conexões e diversidade musicais na Maré.

Sobre os artistas

Um dos nomes mais influentes do rap brasileiro chega ao palco da Mostra Maré de Música. Nascido em Fortaleza, sua obra é seguida por um público fiel e aclamada pela crítica como uma das mais autênticas da música brasileira atual. Com mais de 300 mil players pelo Spotify, Don L venceu prêmios como Artista do
Ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte. O cantor e compositor é o headliner da noite e promete um show único para o público que se movimenta para curtir o seu som pela primeira vez no Conjunto de Favelas da Maré.

Nascida e criada na Zona Norte do Rio de Janeiro, Bala Rosa se encontrou no movimento hip-hop, depois de vivenciar a influência dessa arte ao longo da vida. Com cinco anos de carreira e dona de vários singles, ela é conhecida na cena do rap e do hip-hop carioca, e irá mostrar toda a sua originalidade no palco da Mostra.

taldiBruna tem apenas 19 anos e já está fazendo sucesso no rap. Nascida e criada na Zona Norte do Rio, ela estreia no palco Mostra Maré de Música apresentando a potência das mulheres nesse estilo musical. Iniciada nas danças urbanas, a artista se descobriu na música e vem conquistando seu espaço com muito talento e personalidade na cena. Mostrando que domina muito sem perder suas raízes no hip-hop, taldiBruna vai entregar muita rima para o público.


Pela segunda semana seguida, Polícia Militar realiza operação na Maré

Essa é a 13ª operação do ano no território. Ação se concentra Nova Holanda, Parque Maré, Rubens Vaz e Parque União

Nesta quarta-feira (15) mais uma operação policial marca as primeiras horas da manhã na Maré. Realizada pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) esta já é a 13ª operação no território em 2024. 

De acordo com relatos dos moradores, a ação dos agentes se concentra na Nova Holanda, Parque Maré, Rubens Vaz e Parque União com circulação de policiais a pé e em carros blindados. Mais uma vez, na parte da manhã cerca de 900 alunos de escolas estaduais ficaram sem aulas devido ao fechamento das unidades na região, segundo informações da Secretaria Estadual de Educação. Na rede municipal de ensino são 17 escolas fechadas, ainda não há uma estimativa de quantos alunos foram afetados. 

Duas unidades de saúde suspenderam o atendimento parcial ou totalmente: a CF Jeremias Moraes da Silva está fechada e o impacto recai em cerca de 250 atendimentos cancelados. A CF Diniz Batista dos Santos suspendeu visitas domiciliares. 

A 13ª operação policial acontece na segunda semana seguida no território. Na última, realizada quinta-feira (9), a ação deixou dois mortos.

Perguntamos a Polícia Militar sobre o encerramento da operação de hoje, mas não retornaram até o fechamento desta matéria.

Histórico do último mês

Ao menos quatro pessoas foram mortas na 9ª operação que aconteceu no dia 11 de abril, também realizada pela Polícia Militar.

Na 10ª operação que aconteceu no último dia 24, na Nova Holanda (N.H) os moradores denunciaram tortura por parte da Polícia Militar e invasão domiciliar. Menos de uma semana depois, na terça-feira (30), a Polícia Civil realizou operação no Parque União (P.U). Nesta última, moradores relataram correria pelas ruas e intenso tiroteio na região.

O Maré de Direitos, projeto do eixo Direito à Segurança Pública e Acesso à Justiça, da Redes da Maré, acolhe situações de violações de direitos no WhatsApp (21) 99924-6462. O Ministério Público (MP) realiza um plantão especial para atender a população. O atendimento gratuito é feito no telefone (21) 2215-7003, que  também é WhatsApp, ou no e-mail [email protected].

A Falsa Abolição no Brasil: reflexões sobre um contexto pós-libertação

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Flavinha Cândido(*)

A escravização no Brasil era uma realidade profundamente enraizada na sociedade, com raízes que remontam ao período colonial. O tráfico negreiro trouxe milhões de africanos para o Brasil ao longo dos séculos, alimentando uma demanda insaciável por mão de obra escravocrata. Mesmo após a proibição do tráfico em 1850, a escravidão persistiu, alimentada pelo comércio interno de cativos e pela exploração brutal nas plantações e nas casas grandes.

Após séculos de luta e resistência, o Brasil finalmente viu o fim formal da instituição da escravização com a assinatura da Lei Áurea em 1888. No entanto, é imprescindível compreender que a abolição não foi o ponto final da história, mas sim o início de uma nova era marcada por desafios e injustiças que perduram até os dias de hoje.

Ao contrário do que é contado em alguns livros de história do Brasil, antes mesmo da promulgação da Lei Áurea, os escravizados lutaram incansavelmente por sua liberdade, resistindo de diversas maneiras às opressões do sistema escravagista. Um exemplo marcante dessa resistência foi a Revolta dos Malês, em 1835, na Bahia, liderada por escravos muçulmanos de origem africana que se levantaram contra seus senhores em busca de liberdade e justiça. Além disso, temos a Revolta de Carrancas, em 1833, em Minas Gerais, e a Revolta dos Alfaiates, em 1798, na Bahia, que demonstram a constante luta dos escravizados e dos marginalizados por seus direitos e por uma sociedade mais justa. Desde fugas individuais até revoltas coletivas, os escravizados demonstraram inúmeras vezes sua insatisfação com a condição que a sociedade branca colonizadora impunha. 

O movimento abolicionista ganhou força na segunda metade do século XIX, impulsionado por diversos atores sociais, incluindo intelectuais, ativistas e, sobretudo, pela resistência dos próprios povos negros escravizados. Enquanto os intelectuais e ativistas desempenhavam um papel importante na conscientização e na organização de campanhas pelo fim da escravização do povo negro, foi a resistência cotidiana dos escravizados que verdadeiramente impulsionou o movimento abolicionista.

No entanto, a abolição não trouxe consigo a verdadeira emancipação. A Lei Áurea, promulgada em 13 de maio de 1888, foi um ato simbólico que não se traduziu em mudanças significativas na vida dos “libertos”. Sem acesso à terra, à educação e ao trabalho digno, os ex-escravizados enfrentaram enormes desafios para reconstruir suas vidas em um país que continuava a ser marcado pelo racismo e pela desigualdade.

A falta de políticas de integração econômica e social deixou o povo negro à mercê de um sistema que continuava a explorá-los e marginalizá-los. A migração para as cidades em busca de trabalho e melhores condições de vida tornou-se uma realidade para muitos, mas também foi acompanhada pela repressão e pela violência por parte das autoridades e dos grandes proprietários, algo que se perpetua nos dias de hoje.

A abolição da escravatura no Brasil, frequentemente celebrada, não significou o fim das injustiças, mas o início de uma luta contínua e árdua por igualdade e justiça. É crucial reconhecer que essa falsa abolição deixou um legado de desigualdade e exclusão racial que ainda marca profundamente nossa sociedade. A representatividade negra em posições de destaque é escassa, refletindo a persistência de barreiras estruturais que limitam o acesso de pessoas negras a oportunidades equitativas em diversas áreas, como trabalho, educação, moradia e lazer. Políticas públicas reparatórias, como as cotas raciais, representam um passo importante, mas são apenas o início de um caminho longo e necessário para desmantelar o racismo institucionalizado. Para construir um Brasil verdadeiramente antirracista, é essencial criar espaços inclusivos que promovam igualdade real, garantindo que todas as pessoas negras possam viver com dignidade e ter suas contribuições valorizadas em todos os aspectos da vida nacional.

*Flavinha Cândido é moradora da Maré e colunista no Maré de Notícias, formada em Letras pela UERJ, Pós-graduada em Letramento Racial e Idealizadora da Página no Instagram Racial Favelado